Rival da Nvidia, AMD ultrapassa US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez
Fabricante de chips se torna a quarta do setor nos Estados Unidos a alcançar a marca

A a Advanced Micro Devices (AMD) superou US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez nesta segunda-feira, 21, colocando a empresa em um grupo restrito de fabricantes de chips a atingir o patamar. Os papéis chegaram a subir cerca de 9,6% na máxima do dia, alcançando o preço recorde de US$ 613,92. Investidores reforçam a aposta no papel crescente da companhia na computação voltada à inteligência artificial.
Com sede em Santa Clara, na Califórnia, a AMD é vista como a principal rival da Nvidia no mercado de unidades de processamento gráfico (GPUs). De acordo com a Reuters, ela se torna a quarta fabricante de chips dos Estados Unidos a cruzar a barreira de US$ 1 trilhão, depois de Nvidia, Broadcom e Micron. A Nvidia atingiu a marca em 2023 e hoje é a empresa mais valiosa do mundo, avaliada em mais de US$ 5 trilhões.
A valorização acompanhou um dia forte para todo o setor. A rival Intel saltou cerca de 11,8% e a Qualcomm avançou 4,5%, enquanto o índice de semicondutores da Filadélfia (SOX) subiu 2,7%, na máxima em mais de um mês, segundo a Reuters.
Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital, em Nova York, disse à Reuters que o dinheiro está voltando para a aposta em IA. Segundo ele, os investidores acreditam que esse é o único setor capaz de prosperar em uma desaceleração econômica provocada pelo Federal Reserve, e a AMD representa esse movimento.
O entusiasmo com as fabricantes de chips havia esfriado nos últimos meses, à medida que o mercado passou a examinar com mais rigor os gastos das grandes empresas de nuvem com IA. Os preços mais altos do petróleo ligados ao conflito entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de juros elevados por mais tempo somaram pressão.
Além dos chips
Para competir com a Nvidia, a AMD acelerou o lançamento de produtos de IA e passou a oferecer sistemas completos, com processadores, equipamentos de rede e hardware relacionado, em vez de vender apenas chips individuais. A demanda crescente por unidades centrais de processamento (CPUs) usadas ao lado das GPUs em servidores ajudou a companhia a tomar participação de mercado da Intel.
Os resultados sustentam a alta. No segundo trimestre, a AMD reportou receita de US$ 11,54 bilhões, avanço de 50% ante os US$ 7,69 bilhões de um ano antes. A divisão de data center registrou vendas de US$ 6,7 bilhões, salto de 107% na mesma comparação. No mês passado, a empresa projetou receita trimestral acima das estimativas de Wall Street, ainda que abaixo das expectativas mais ambiciosas dos investidores.
A presidente-executiva da AMD, Lisa Su, afirmou na última teleconferência de resultados que a companhia espera dobrar as vendas de data center em 2027. A executiva já vinha projetando crescimento anual acima de 35% puxado pela demanda por chips de IA para data centers. Na semana passada, o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, disse esperar que sua empresa também dobre o número de chips vendidos no próximo ano.
A AMD vive uma sequência de cinco pregões de alta, período em que os papéis acumularam cerca de 24%. No ano, a ação praticamente triplicou de valor, com avanço de aproximadamente 185% em 2026, muito à frente dos 15,8% do índice Nasdaq e figura entre os melhores desempenhos do S&P 500. Mesmo assim, a companhia segue bem atrás da Nvidia, que vale cerca de US$ 5,4 trilhões.
