Rival da Starlink, Amazon Leo é homologado pela Anatel no Brasil
Certificado da Anatel confirma o equipamento que fará a comunicação em terra. Antena ainda aguarda aprovação da agência, e prazo para operar vence em 29 de agosto

A Anatel homologou o roteador que os clientes do Amazon Leo vão usar para acessar a internet via satélite no Brasil. O equipamento, de modelo L1LA10, foi certificado na sexta-feira, 14 de agosto.
É mais um passo do serviço, antigo Projeto Kuiper, rumo ao lançamento comercial no país — que, segundo o prazo já fixado pela própria Anatel, precisa acontecer até 29 de agosto, a menos que a Amazon peça novo adiamento.
O que já foi aprovado?
O roteador oferece conectividade Zigbee, Bluetooth de baixa energia e Wi-Fi 6 de duas bandas. Na parte traseira, tem três portas: uma para conexão com a antena de satélite, outra para uso cabeado da internet, e uma entrada para o cabo de energia.
Documentos de certificação nos Estados Unidos indicam que o aparelho tem cerca de 17 centímetros de largura e profundidade — relativamente grande para um roteador — e usa fonte de 140 watts, com estrutura interna em metal. O equipamento roda sobre chips da Qualcomm, incluindo o processador central IPQ5018, com dois núcleos Cortex-A53 da ARM.
Rival da Starlink, Amazon Leo é homologado pela Anatel no Brasil (Anatel/Reprodução)
Falta, porém, a peça que efetivamente capta o sinal do espaço: a antena, que a Amazon chama de ODU em sua documentação, sem revelar o significado da sigla, ainda não foi homologada.
De Kuiper a Leo
O serviço mudou de nome em novembro de 2025.
Nascido como codinome interno — referência ao Cinturão de Kuiper, região do sistema solar com asteroides —, o Projeto Kuiper virou marca comercial permanente batizada Amazon Leo, em alusão à órbita terrestre baixa (LEO, na sigla em inglês) onde os satélites operam.
A constelação já soma 396 satélites, após o lançamento de 29 unidades em julho, a bordo de um foguete Atlas V da United Launch Alliance — a última missão a usar esse veículo no programa.
É a terceira maior constelação em operação no mundo, atrás apenas da Starlink, da SpaceX, que já opera cerca de 10.400 satélites.
Quem vai vender no Brasil
O serviço será comercializado pela Sky, que fechou acordo com a Amazon em 2024 e depois ampliou a parceria para incluir também o mercado corporativo, com potencial de atender 15 milhões de empresas em nove países da América do Sul.
A previsão é que a oferta comece pela região Sul do Brasil, área de maior adensamento inicial da constelação, expandindo depois em direção ao Equador.
O mercado que o Amazon Leo disputa
A Starlink lidera hoje o setor de internet via satélite no Brasil, com a maior base de clientes do segmento e posição como 12º maior provedor de banda larga fixa do país.
Também vêm entrando no mercado a Eutelsat OneWeb, hoje restrita a clientes corporativos, e a chinesa SpaceSail, que já obteve autorização da Anatel para operar no Brasil e tem até 2028 para começar.
Para reforçar a própria posição, a Amazon comprou a Globalstar por US$ 11,5 bilhões — cerca de R$ 62 bilhões na cotação atual —, movimento que dá acesso a uma constelação já existente e, principalmente, a espectro e direitos de uso que aceleram a entrada em serviços como internet direta para celular, outra frente em que pretende competir com a Starlink.
