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Mundo
11/08/2026
3 min

Rota da Seda do Gelo: Ártico pode cortar pela metade viagem entre China e Europa

Nova rota pelo ártico ajuda o país a contornar incertezas e inseguranças de passagens tradicionais, e fornece um corredor direto que conecta a Ásia à Europa

Rota da Seda do Gelo: Ártico pode cortar pela metade viagem entre China e Europa

O Ártico começa a ganhar espaço como alternativa às rotas marítimas tradicionais entre a Europa e a Ásia, impulsionado pelo derretimento do gelo polar e pela busca de trajetos mais curtos e menos vulneráveis a crises geopolíticas, segundo o Financial Times (FT).

A empresa chinesa Sea Legend, especializada no transporte de contêineres para os mercados turco e norte-africano, anunciou o lançamento do primeiro serviço regular de contêineres pela rota ártica. O serviço semanal ligará Ningbo, na costa leste da China, ao porto britânico de Felixstowe, passando ao norte da costa russa. A companhia batizou a operação de “Rota da Seda do Gelo”.

Segundo a empresa, a viagem poderá reduzir em cerca de metade o tempo tradicional de navegação entre os dois portos, hoje estimado em 40 dias, dependendo das condições do gelo noÁrtico.

Uma alternativa congelada

O interesse pela Rota do Mar do Norte tem crescido rapidamente. No verão passado, foram registrados 23 trânsitos comerciais pela passagem, acima dos 15 observados em 2024.

Durante os meses mais quentes, o gelo marinho recua o suficiente para permitir a passagem de embarcações sem necessidade de embarcações de quebra-gelo, o que amplia a viabilidade comercial da rota.

Além da redução de tempo e custos, navegadores veem o Ártico como uma forma de evitar gargalos estratégicos, como o Estreito de Bab al-Mandab, na entrada do Mar Vermelho, alvo recorrente de tensões militares: as ameaças renovadas dos Houthis a navios na região aumentaram a percepção de risco nas rotas tradicionais. Ataques recentes a petroleiros no Mar Vermelho contribuíram para a alta dos preços do petróleo.

Segundo o jornal britânico, o tráfego no Ártico vem aumentando de forma consistente: a construção de navios especializados para o clima, conhecidos como quebra-gelos, aumentou drasticamente na última década, de menos de 100 em 2015 para mais de 150 em 2025, segundo gráficos da plataforma.

Para seguradoras marítimas, a rota passou a ser vista não apenas como uma economia operacional, mas também como uma alternativa a zonas de conflito, como o disputado estreito de Ormuz.

Uma oportunidade cara

A expansão da navegação, contudo, ocorre em meio a preocupações ambientais. Empresas europeias, incluindo a dinamarquesa Maersk, evitaram adotar a rota por receio de impactos no ecossistema ártico e por questões relacionadas à relação com a Rússia.

Pesquisas recentes mencionadas pelo Times indicam que a extensão máxima do gelo marinho no inverno sofreu uma das maiores quedas já registradas, reflexo do aquecimento acelerado da região polar.

Apesar do potencial econômico, o Ártico continua sendo uma das áreas mais desafiadoras para a navegação.

A distância das bases de resgate, a limitação do apoio técnico e os riscos de acidentes tornam qualquer emergência muito mais difícil de enfrentar.

Análises da seguradora Allianz apontam mais de 500 incidentes marítimos registrados no Círculo Polar Ártico na última década. Quase metade deles esteve relacionada a falhas ou danos nas máquinas das embarcações.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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