Roubo da Coldcard: o que se sabe sobre o ataque hacker que abalou o mercado cripto?
Cibercriminosos conseguiram tirar dinheiro de dispositivos de criptoativos sem acesso à internet, algo inédito

Ataques de hackers não são uma novidade no mercado de criptoativos, mas eles costumam ter um elemento em comum: atingem corretoras, pontes descentralizadas e projetos, porém nunca carteiras. Era assim até esta sexta-feira, 31 de julho de 2026, quando cibercriminosos roubaram US$ 38 milhões do dispositivo de autocustódia Coldcard.
De acordo com a empresa de análise de blockchain Lookonchain, os fundos de 500 carteiras foram transferidos para a wallet identificada com o código bc1qnk, com 594 bitcoins roubados de seus donos.
Especialistas e usuários de redes sociais comentam que este é um caso único e um precedente bastante perigoso para os criptoativos. A maioria das criptomoedas cai hoje depois do caso.
O que é a Coldcard?
A Coldcard é uma carteira física de autocustódia de bitcoin. Ou seja, um aparelho de hardware que permite ao usuário armazenar suas criptomoedas sem acesso à internet. A comunidade dos criptoentusiastas diz que essa é a forma mais segura de manter seus ativos digitais.
Isso porque a responsabilidade ao fazer autocustódia é, ou deveria ser, inteiramente do usuário. Ele recebe uma chave de 12 ou 24 palavras para usar em um dispositivo e não pode jamais perdê-la, pois, do contrário, não terá mais acesso aos fundos.
Ao contrário do que ocorre quando o investidor deixa suas criptomoedas em uma corretora, a tese é que na autocustódia ele não precisaria confiar no intermediário, uma vez que seus ativos dependeriam apenas da própria capacidade de mantê-los em um lugar seguro.
Empresa pede para clientes atualizarem suas wallets
A Coldcard existe desde 2017, criada por Peter Gray e Rodolfo Novak, sob a empresa controladora Coinkite. Em comunicado enviado aos clientes hoje, a Coinkite pediu para que todos atualizassem os softwares das suas carteiras das versões Mk4 e Mk5 para a versão 5.6.0 ou superior e para os usuários da Mk3 para a versão 4.2.0 ou mais recente.
“Não crie uma nova chave de acesso em nenhum desses modelos até que a atualização esteja instalada”, alertou a empresa.
A vulnerabilidade que permitiu o roubo de ativos ainda não foi totalmente explicada, mas parece ter relação com protocolos ineficazes de geração de números aleatórios confiáveis. A recomendação de diversos especialistas é que clientes da empresa transfiram suas criptomoedas para outro tipo de carteira.
Por mais que a Coldcard não seja uma líder do setor como a Ledger, cujos dispositivos armazenam 20% de todas as criptomoedas do mundo, o ciberataque trouxe um abalo à confiança dos investidores.
Impacto na comunidade
No Reddit, um usuário disse que o episódio de hoje “matou a fé de diversos bitcoiners” e foi mais grave do que o colapso da corretora de criptomoedas FTX em 2022.
“Nos disseram para fazer autocustódia, nos disseram para ter segurança operacional impecável, então as pessoas compraram coldcards, nos disseram para nunca vazar nossa chave, e nada disso adiantou”, disse outro.
Um investidor afirmou que perdeu 0,79 bitcoin que possuía em sua Coldcard, o que equivale a mais de R$ 252 mil.
Maurício Magaldi, fundador e apresentador do podcast BlockDrops, disse que “o risco de ser seu próprio banco”, como os criptoentusiastas defendem na autocustódia, é “o mesmo risco de ser um banco”.
“Auto-soberania ainda requer um domínio grande, e o dilema entre experiência de usuário amigável e segurança ainda não foi resolvido”, defende Magaldi.
