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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
25/08/2026
6 min

Rumo aos R$ 18 milhões, famosa pizzaria gaúcha abre trattoria e mira criação de grupo gastronômico

Depois de levar a Grani ao limite da capacidade, empresário gaúcho Igor Henrique aposta R$ 1,5 milhão em um restaurante italiano e quer transformar a marca em um grupo gastronômico

Rumo aos R$ 18 milhões, famosa pizzaria gaúcha abre trattoria e mira criação de grupo gastronômico

Há quatro anos, o empresário gaúcho Igor Henrique Rodrigues entrou em uma garagem de Porto Alegre com menos de R$ 20 mil e uma meta modesta: vender 10 pizzas por dia. Agora, aos 35 anos, dá o maior passo desde que criou a Grani. Ele investiu R$ 1,5 milhão para abrir a Grani Trattoria, restaurante de culinária italiana que transforma a pizzaria em um grupo gastronômico.

A nova casa fica a poucos metros da pizzaria que deu origem ao negócio, na Rua Miguel Tostes, no bairro Rio Branco, um dos mais boêmios da capital gaúcha. São 310 metros quadrados, 90 lugares e 25 novos funcionários. Com a abertura, o grupo chega a 61 empregados. 

O plano é que a trattoria fature cerca de R$ 700 mil por mês. A pizzaria Grani, por sua vez, já tem receita mensal próxima de R$ 800 mil. A projeção mais recente é encerrar 2026 com faturamento anual de R$ 18 milhões entre as operações.

Mais do que adicionar mesas, a aposta marca uma mudança na estratégia. Em vez de abrir uma segunda unidade da pizzaria, Igor decidiu criar outra marca e ampliar a presença do negóciona gastronomia italiana.

“O caminho mais simples seria abrir outra pizzaria. Mas entendemos que aquele era o momento de dar um passo maior e construir uma nova marca”, diz Igor.

A decisão veio justamente quando a primeira operação começou a esbarrar nos próprios limites. Hoje, a Grani Pizza atende cerca de 12 mil clientes por mês, produz aproximadamente 14 mil pizzas mensais e consome 1,6 tonelada de farinha italiana no período.

Como é o novo restaurante

Quase metade do dinheiro colocado na nova operação está onde o cliente normalmente não vê. Dos R$ 1,5 milhão investidos, aproximadamente R$ 700 mil foram destinados à cozinha, entre equipamentos profissionais nacionais e importados.

A estrutura inclui um forno espanhol Josper, que combina forno e churrasqueira, forno combinado, máquina italiana para massas frescas, extrusora profissional e um forno para pizzas napolitanas. A proposta é produzir internamente boa parte do que chega à mesa.

“Restaurante bonito impressiona na chegada. Cozinha bem estruturada faz o cliente voltar. Foi nela que decidimos investir”, diz Igor.

A cozinha terá capacidade para produzir diariamente pelo menos oito tipos de massas frescas. O cardápio vai além das pizzas que fizeram a Grani conhecida em Porto Alegre: entram massas, risotos, carnes, entradas e pratos preparados na brasa.

Boa parte dos ingredientes vem da Itália, entre eles farinha, tomate San Marzano e queijos como burrata, parmesão, grana padano e taleggio. A casa também pretende trabalhar com produtores brasileiros, incluindo queijos artesanais gaúchos, cogumelos e trufas produzidos no Sul. A cozinha é comandada pelo chef João Pedro Vargas de Lima.

O tíquete médio projetado é de R$ 90 por pessoa. A estratégia é fazer com que a trattoria alcance ocasiões de consumo diferentes das atendidas pela pizzaria, sem transformar a nova operação em uma concorrente da própria Grani.

Igor Henrique, fundador do Grupo Grani, e João Pedro Vargas de Lima, chef da Grani Trattoria: dupla comanda a nova fase do negócio, que amplia a aposta da marca na cozinha italiana (Douglas Minuzzo/Divulgação)

De onde vieram as inspirações

O projeto começou a ser desenhado cerca de um ano antes da abertura. Igor e a esposa e sócia, Aline Kropidlofscky, visitaram restaurantes no Brasil e na Argentina em busca de referências e estudaram diferentes modelos de trattorias.

Depois vieram meses de obra, testes de cardápio, negociação com fornecedores, compra de equipamentos e formação da equipe.

“Foi um processo muito intenso. A gente quis construir uma casa com identidade própria, e não simplesmente fazer uma extensão da pizzaria”, diz Igor. “Eu acompanhei praticamente tudo de perto, da obra à cozinha, porque queria que cada escolha tivesse propósito.

A pizza permanece no menu, mas deixa de ser a protagonista isolada. A casa também tem uma operação dedicada a bar e vinhos, além da produção diária de massas.

A Grani Trattoria começou a receber clientes em soft opening, com capacidade controlada e cardápio reduzido. A ideia é usar os primeiros serviços para testar os fluxos de cozinha, salão e bar antes de colocar a operação completa em funcionamento.

“Cada serviço tem sido importante para entender o fluxo da cozinha, o salão, o bar e o comportamento da própria casa cheia”, afirma. “Estamos usando esse período para ajustar detalhes e amadurecer a operação sem perder a essência do que queremos entregar.”

Nova fase: Grani Trattoria recebeu investimento de R$ 1,5 milhão e marca a expansão da pizzaria para um grupo gastronômico (Douglas Minuzzo)

Como Igor começou a empreender

A nova casa também dá outra dimensão a uma trajetória que começou bem distante de um investimento de R$ 1,5 milhão.

Antes da Grani, Igor já havia tentado empreender. Aos 24 anos, abriu uma loja de presentes e decoração em um shopping de Porto Alegre, com apoio financeiro da sogra. O negócio cresceu, ganhou novas unidades, mas enfrentou problemas de gestão e financeiros. As operações fecharam no fim de 2017.

Igor entrou em depressão e passou um período sem saber qual seria o próximo passo profissional. Foi dentro de casa que começou a fazer pães. Um fermento natural recebido de um antigo cliente ajudou a aproximá-lo da pizza.

Sem formação na área, aprendeu técnicas da pizza napolitana assistindo a vídeos no YouTube e fazendo testes em casa. Depois trabalhou durante quase quatro anos em uma pizzaria, entre a cozinha e a gestão.

Em 2022, ele e Aline decidiram abrir a própria operação em uma pequena garagem no bairro Rio Branco. O casal tinha menos de R$ 20 mil para começar — Igor contou anteriormente à EXAME que possuía apenas R$ 3,5 mil na conta, enquanto o restante vinha da esposa e do limite do cartão de crédito.

A expectativa inicial era vender dez pizzas por dia. Nas primeiras semanas, chegaram a 80. A Grani cresceu ocupando imóveis vizinhos e, em 2025, faturou R$ 7 milhões.

Quatro anos depois, o dinheiro investido apenas na cozinha da nova Trattoria equivale a dezenas de vezes o capital usado para colocar a primeira Grani de pé.

O que vem depois da trattoria

Apesar do novo investimento, Igor diz que o plano imediato não é acelerar a abertura de unidades. A prioridade é consolidar a trattoria.

“Eu tenho dificuldade de ficar parado, então é claro que existem outros projetos na cabeça. Mas hoje quero ter responsabilidade com o momento que estamos vivendo”, afirma. “Acabamos de colocar uma operação completamente nova de pé e meu foco agora é consolidar a trattoria e fazer ela atingir o nível que imaginamos.”

Isso não significa que a expansão tenha saído dos planos. A ambição é justamente fazer com que Grani deixe de representar apenas uma pizzaria — ou mesmo dois restaurantes próximos no mesmo bairro.

“Sempre enxerguei a Grani como algo maior do que uma única casa. Tenho vontade de continuar crescendo, criar novos formatos e levar nossa identidade para outros lugares, mas sem transformar crescimento em pressa.”

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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