Rússia afirma ter tomado cidade ucraniana estratégica após ataques a Kiev

Kostyantynivka, um dos principais bastiões ucranianos naregião de Donbass, passou a ser reivindicada pela Rússia nesta sexta-feira, 3. O Kremlin afirmou que suas tropas assumiram o controle total da cidade, considerada estratégica por abrir caminho para as últimas grandes áreas do leste da Ucrânia que permanecem sob domínio de Kiev.
O anúncio ocorre em meio a uma nova escalada do conflito. Após um bombardeio russo de grandes proporções contra Kiev, que matou ao menos 30 pessoas, Ucrânia e Rússia prometeram ampliar as ofensivas militares, enquanto as negociações por um cessar-fogo seguem sem avanços.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que o presidente Vladimir Putin foi informado pelos comandantes militares sobre a tomada de Kostyantynivka e agradeceu às tropas envolvidas na operação. Moscou também afirma controlar toda a província de Lugansk, uma das duas que compõem a região de Donbass.
A batalha pela cidade, que tinha cerca de 78 mil habitantes antes da guerra, seintensificou no fim de 2025 e se tornou o principal esforço ofensivo russo em uma frente de combate de mais de mil quilômetros.
Por que Kostyantynivka é estratégica?
Kostyantynivka ocupa posição-chave na malha viária do leste da Ucrânia e funciona como porta de entrada para Kramatorsk e Sloviansk, os dois principais centros urbanos de Donbass ainda controlados pelas forças ucranianas.
Nas últimas semanas, analistas e militares ouvidos pela BBC já apontavam que a cidade vivia uma situação crítica. Tropas russas haviam conseguido infiltrar-se em áreas urbanas e tentavam cercar o município, enquanto soldados ucranianos relatavam dificuldades para conter o avanço em meio aos combates de rua.
Embora autoridades ucranianas sustentassem que a situação permanecia sob controle, oficiais admitiam a presença de militares russos dentro da cidade e alertavam para o risco de comprometimento das linhas de abastecimento rumo às demais posições ucranianas no Donbass.
Maior ataque contra Kiev desde o início da guerra
A ofensiva russa sobre Kostyantynivka acontece um dia após um dos ataques mais intensos contra Kiev desde o início da guerra, em fevereiro de 2022.
Segundo autoridades ucranianas, a capital foi atingida por uma combinação de 74 mísseis e 496 drones lançados ao longo de mais de 11 horas. Apesar de a defesa aérea afirmar ter interceptado a maior parte dos projéteis, dezenas atingiram diferentes bairros da cidade, destruindo prédios residenciais, uma estação de ambulâncias, um depósito da Cruz Vermelha e um centro de distribuição de livros.
O prefeito Vitali Klitschko classificou a ofensiva como o "ataque mais massivo" já realizado contra a capital. Ao menos 30 pessoas morreram e 91 ficaram feridas, enquanto mais de 52 mil moradores buscaram abrigo nas estações de metrô durante a madrugada.
Moscou afirmou que os bombardeios tiveram como alvo instalações militares e de infraestrutura energética, alegando que a operação foi uma resposta aos ataques ucranianos contra instalações civis e energéticas em território russo. Kiev rejeitou essa justificativa e acusou a Rússia de atingir deliberadamente áreas residenciais.
Promessas de novas ofensivas
Após o ataque, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o país "certamente" responderá aos bombardeios e voltou a pedir aos aliados o envio de mais sistemas de defesa aérea, além de autorização dos Estados Unidos para produzir localmente mísseis Patriot.
Do lado russo, o Kremlin declarou que pretende aumentar a "pressão" militar sobre a Ucrânia para alcançar seus objetivos estratégicos.
Enquanto isso, os esforços diplomáticos seguem sem resultados concretos. Segundo o governo americano, o presidente Donald Trump continua defendendo um acordo de paz, embora as tentativas de negociação de um cessar-fogo permaneçam sem sucesso.
