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Sacre Investimentos
Mundo
18/09/2026
4 min

Rússia assume controle da Nestlé e de Auchan em novo cerco a empresas da UE

Subsidiárias foram colocadas sob administração temporária por decreto de Putin; Kremlin cita países “hostis” que apoiam a Ucrânia

Rússia assume controle da Nestlé e de Auchan em novo cerco a empresas da UE

A Rússia assumiu a administração temporária das operações locais da fabricante suíça Nestlé e da varejista francesa Auchan, em uma nova ofensiva contra empresas ocidentais que ainda mantêm negócios no país. O decreto foi assinado pelo presidente Vladimir Putin na quinta-feira, 17, e também atingiu subsidiárias de outras companhias europeias.

O Kremlin relacionou a decisão à política dos países de origem das companhias em relação à guerra na Ucrânia. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou nesta sexta-feira, 18, que “um dos fatores levados em consideração foi que estes são países hostis” e que estariam “ativamente envolvidos em operações militares” contra a Rússia.

As empresas foram transferidas para uma companhia de fachada chamada LEV Management. Embora a medida não represente formalmente uma mudança de propriedade, a transferência para administração temporária tem sido, na prática, um primeiro passo para que ativos ocidentais passem a investidores russos ligados ao Kremlin, de acordo com o Financial Times.

A Nestlé afirmou que está avaliando a situação e suas opções. A companhia disse ainda estar “comprometida em tomar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações”, especialmente em relação aos funcionários.

Além de Nestlé e Auchan, o decreto incluiu a Lemano Pro, antiga subsidiária russa da Leroy Merlin, e uma operação local da FM Logistic, ambas de origem francesa.

Peskov afirmou que, neste momento, a decisão trata especificamente da administração externa e que “nenhuma outra decisão foi tomada” sobre a propriedade dos ativos.

O que acontece com a Nestlé na Rússia?

A Nestlé atua na Rússia desde a década de 1990. De acordo com dados publicados pelo Financial Times, as operações russas representam cerca de 2% das vendas globais do grupo, o equivalente a aproximadamente 1,7 bilhão de francos suíços, ou cerca de US$ 2 bilhões, por ano.

Aempresa deixou de incluir a Rússia separadamente em seus resultados financeiros, mas analistas consultados pelo jornal avaliam que a perda ainda teria impacto relevante para os resultados do grupo.

As ações da Nestlé recuaram pouco mais de 2% para 76,5 francos suíços na manhã desta sexta-feira, segundo o Financial Times.

Auchan tem 230 lojas e 30 mil funcionários na Rússia

A francesaAuchan, do mesmo grupo controlador da Decathlon, é uma das maiores varejistas ocidentais que ainda operam no mercado russo. Segundo informações divulgadas pela companhia, são cerca de 30 mil funcionários e 230 lojas no país.

A empresa não divulga separadamente o faturamento da operação russa. Rússia e Ucrânia, porém, representaram pouco menos de 10% do faturamento do grupo, de € 15,5 bilhões, no primeiro semestre de 2025.

A subsidiária russa da Auchan está entre as dez maiores varejistas do país.

Rússia já assumiu empresas ocidentais antes

A medida desta semana é a primeira grande tomada de ativos ocidentais desde 2023, quando Moscou colocou sob controle russo as operações locais da francesa Danone e da cervejaria dinamarquesa Carlsberg, incluindo a Baltika Breweries.

Posteriormente, as subsidiárias foram vendidas com grandes descontos para empresários russos ligados ao Kremlin. A Danone Rússia acabou sob o comando de um sobrinho de Ramzan Kadyrov, líder checheno.

Outras multinacionais também deixaram o mercado russo desde a invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Empresas como Unilever e Heineken venderam suas subsidiárias locais a uma companhia controlada pelo empresário russo Alexei Sagal, aliado do Kremlin.

Sagal também adquiriu operações de empresas ocidentais como Ball Corporation e Oriflame. Em julho, a britânica Reckitt fechou um acordo para vender parte de seus negócios na Rússia a Sagal após ser atingida por um novo pacote de sanções da União Europeia.

Macron anuncia proteção contra ataques híbridos russos

A tomada de controle das empresas ocidentais ocorre em meio ao aumento das tensões entre Rússia e países europeus. Nesta sexta-feira, 18, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou um plano para proteger infraestruturas críticas e locais estratégicos do país contra possíveis ataques híbridos russos.

Macron afirmou, em coletiva de imprensa após reunião com líderes partidários e candidatos à sua sucessão, que “a natureza da agressividade russa e das ameaças na Europa está mudando”.

“Nas últimas semanas, a ameaça, particularmente a ameaça híbrida russa contra os europeus e a França, se intensificou”, declarou.

O plano deverá incluir medidas de proteção contra ataques com drones e ciberataques e também será aplicado aos locais considerados mais sensíveis da indústria militar francesa.

A declaração ocorre enquanto a guerra na Ucrânia ultrapassa quatro anos e países europeus relatam preocupação com possíveis atos de sabotagem atribuídos a Moscou. França, Itália e Espanha também se preparam para eleições nacionais em 2027, aumentando a preocupação francesa com possíveis interferências estrangeiras.

Macron atribuiu as ações à intenção da Rússia de Vladimir Putin de enfraquecer o apoio europeu à Ucrânia. Segundo o presidente francês, porém, “o oposto” deverá acontecer, e os ataques russos não ficarão “sem resposta”.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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