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Mundo
07/11/2026
4 min

Rússia lança 36 mísseis e 172 drones contra Ucrânia e deixa cinco regiões sem energia

Ataques atingiram cerca de dez regiões, deixaram ao menos nove feridos e danificaram uma ponte em Kiev; bombardeios ocorrem às vésperas de nova rodada de negociações de paz

Rússia lança 36 mísseis e 172 drones contra Ucrânia e deixa cinco regiões sem energia

A Rússia lançou um ataque de grandes proporções contra a Ucrânia durante a madrugada deste sábado, 7 de novembro, e provocou cortes de energia em cinco regiões do país. Segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, foram utilizados 36 mísseis balísticos e 172 drones na ofensiva, que atingiu cerca de dez regiões e deixou pelo menos nove feridos, incluindo uma criança.

O Ministério da Energia da Ucrânia informou que os bombardeios atingiram instalações do setor elétrico e interromperam o fornecimento nas regiões de Dnipropetrovsk, Donetsk, Kiev, Jytomyr e Kharkiv. O governo não informou quantas pessoas ou residências ficaram sem eletricidade.

Na capital, Kiev, os ataques também danificaram a Ponte Norte, que atravessa o rio Dnieper, e comprometeram serviços de abastecimento de água e aquecimento. Segundo o prefeito Vitali Klitschko, pelo menos cinco pessoas ficaram feridas na cidade, entre elas um adolescente de 14 anos. Esses feridos estão incluídos no balanço mais amplo de vítimas divulgado pelas autoridades ucranianas.

Os bombardeios ocorreram em um momento de preocupação com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, quando as temperaturas caem e a população depende do sistema energético para aquecer as residências. A Ucrânia teme uma repetição dos ataques do inverno anterior, quando milhões de lares ficaram sem eletricidade ou aquecimento após ofensivas russas contra instalações energéticas.

Ataques atingem ponte e prejudicam abastecimento em Kiev

Segundo o Ministério da Energia ucraniano, os bombardeios provocaram danos significativos a diversas instalações energéticas na região da capital, comprometendo o fornecimento de eletricidade em Kiev e nos municípios próximos.

Equipes de emergência trabalham para restabelecer os serviços, mas as operações são prejudicadas pelos constantes alertas de ataques aéreos, de acordo com o ministério.

O prefeito de Kiev afirmou que a situação do abastecimento de energia na capital é extremamente complicada e afeta diretamente os sistemas de aquecimento e distribuição de água.

A Ponte Norte, uma das estruturas que atravessam o rio Dnieper, também foi atingida. Os danos obrigaram as autoridades a interromper o tráfego na ponte, que já havia sido alvo de bombardeios russos em outubro.

Após os ataques anteriores, a estrutura recebeu uma rede de proteção contra drones, medida adotada pela primeira vez na capital desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.

Os serviços de emergência também informaram que uma escola infantil foi destruída durante os bombardeios.

Na noite de sexta-feira, 6, Zelensky havia afirmado que os serviços de inteligência da Ucrânia alertaram para a possibilidade de novos ataques russos contra instalações civis, estruturas energéticas e pontes.

Ataques ocorrem antes de reunião entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos

A nova ofensiva acontece às vésperas de uma reunião diplomática prevista para os dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

O encontro deve reunir representantes da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos na tentativa de retomar as negociações para encerrar a guerra, iniciada com a invasão russa em larga escala em fevereiro de 2022.

Zelensky criticou os ataques e afirmou que os bombardeios representam a forma como Moscou se prepara para a próxima rodada de negociações.

O presidente ucraniano também pediu maior atenção do governo e do Congresso americano à situação do país. Segundo ele, a Rússia continua intensificando suas ofensivas contra o território ucraniano.

A última reunião trilateral ocorreu em fevereiro, em Genebra, na Suíça, mas terminou sem avanços para uma solução do conflito. As negociações permanecem paralisadas desde então.

Um dos principais obstáculos é a disputa territorial. Atualmente, a Rússia controla cerca de um quinto do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014, a maior parte de Donetsk e Luhansk, além de extensas áreas de Zaporizhzhia e Kherson.

Moscou exige a retirada completa das forças ucranianas da região de Donetsk como condição para um acordo. Kiev rejeita a exigência, sob o argumento de que a medida deixaria o país vulnerável a novos ataques.

Os novos bombardeios ampliam a pressão sobre a infraestrutura energética ucraniana às vésperas do inverno, enquanto Rússia e Ucrânia seguem sem acordo sobre as condições para encerrar a guerra.

Com informações da AFP.


AutorAndré Martins
FonteExame
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