Rússia volta a atacar Kiev após pausa para negociação de Trump
Ataque matou três pessoas e deixou 16 feridas horas após o fim de uma pausa de três dias para a visita de Steve Witkoff e Jared Kushner

A Rússia retomou os ataques contra Kiev nesta terça-feira, 8, horas depois do fim de uma pausa de três dias que havia sido adotada durante a visita de enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Rússia e à Ucrânia. O bombardeio matou três pessoas e deixou 16 feridas, segundo autoridades ucranianas.
O ataque envolveu drones e mísseis e provocou danos em pelo menos 14 prédios, além de uma escola, uma clínica, depósitos e outras estruturas. A ofensiva também causou incêndios em diferentes pontos da capital.
A pausa havia sido adotada para permitir a passagem segura de Steve Witkoff e Jared Kushner, que estiveram em Moscou no sábado e em Kiev no domingo. Os dois tentam reabrir as negociações entre Rússia e Ucrânia, mas a rodada de conversas não produziu um avanço concreto.
Zelensky quer mais mísseis dos EUA
Após o ataque, o presidente ucraniano, Volodmir Zelensky, afirmou que pretende se reunir com Trump ainda em setembro para discutir o fornecimento de interceptores capazes de derrubar mísseis balísticos russos.
A defesa contra esse tipo de armamento se tornou uma das principais preocupações de Kiev. Segundo Zelensky, os estoques de interceptores estão baixos e a Ucrânia precisa de um novo pacote de defesa aérea para atravessar o inverno no hemisfério norte.
O presidente ucraniano também afirmou esperar a retomada de negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos. O Kremlin disse na segunda-feira que não descarta esse formato, mas considerou prematuro definir quando ou onde uma nova rodada poderia ocorrer.
Ataque ocorreu após visita de enviados de Trump
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, criticou a retomada dos ataques pouco depois da saída dos representantes americanos.
"Seus mísseis balísticos falam mais alto que suas palavras no campo diplomático", afirmou Sibiga nas redes sociais.
Witkoff disse na segunda-feira que a viagem a Moscou e Kiev permitiu conversas significativas sobre a possibilidade de retomar negociações entre os três países. O Kremlin também afirmou que os contatos foram úteis, mas não anunciou nenhum acordo.
As conversas seguem travadas principalmente pelas exigências territoriais de Moscou. A Rússia mantém reivindicações sobre áreas ocupadas no leste da Ucrânia, enquanto Kiev rejeita ceder territórios como condição para um acordo.
O que pode acontecer agora
Zelensky afirmou que a Ucrânia continua preparando novas propostas para as negociações e que considera setembro uma possível janela para retomar o diálogo.
Além da diplomacia, porém, Kiev busca reforçar sua capacidade de defesa aérea. O Reino Unido anunciou nesta terça-feira uma contribuição de £ 100 milhões para o sistema de defesa da Ucrânia, incluindo apoio à aquisição de mísseis Patriot e outros interceptores.
*Com AFP
