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InvestMercados
14/07/2026
5 min

Sabatina de Kevin Warsh, inflação e balanços de bancos dos EUA: o que move os mercados

Sabatina de Kevin Warsh, inflação e balanços de bancos dos EUA: o que move os mercados

Os mercados iniciam esta terça-feira, 14, com as atenções voltadas para um dos indicadores mais importantes da semana, a inflação ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos.

Depois de uma segunda-feira, 13, marcada pelo aumento da aversão ao risco global, provocado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, investidores vão calibrar as apostas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed) a partir dos novos dados de preços da maior economia do mundo.

A divulgação ocorre às 9h30 (horário de Brasília) e ganha ainda mais peso após a disparada do petróleo, que reacendeu os temores de uma nova pressão inflacionária global.

Na véspera, o Ibovespa caiu 1,20%, aos 175.739 pontos, refletindo o movimento de fuga de ativos de risco no exterior. O dólar avançou 0,45%, encerrando cotado a R$ 5,132, enquanto o petróleo disparou quase 10% diante das preocupações com o abastecimento global da commodity após a deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio.

As bolsas americanas também fecharam em queda, pressionadas pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries, pelo salto do petróleo e por declarações de dirigentes do Fed.

O que acompanhar

O principal evento do dia será a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de junho nos Estados Unidos. Em maio, o indicador avançou 0,5% na comparação mensal e acumulou alta de 4,2% em 12 meses. Para esta divulgação, a expectativa é de queda de 0,1% na margem e desaceleração da inflação anual para 3,8%.

No mesmo horário será divulgado o núcleo do CPI, que exclui os preços de alimentos e energia, considerado uma medida mais precisa da tendência da inflação. Em maio, o núcleo registrou alta de 0,2% no mês e de 2,9% em 12 meses. A expectativa do mercado é de estabilidade nos dois indicadores.

Os números chegam em um momento de maior cautela em relação à política monetária americana. A disparada do petróleo elevou as preocupações com uma nova rodada de pressões inflacionárias e aumentou a atenção dos investidores sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.

Ao longo do dia, o mercado também acompanhará a sabatina do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, às 11h, e o discurso do presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, às 14h, em busca de novas sinalizações sobre os próximos passos da autoridade monetária.

Ainda no cenário internacional, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), discursará às 10h.

A agenda asiática também concentra indicadores importantes. Ainda durante a madrugada, a China divulga sua balança comercial de junho.

Já às 23h (horário de Brasília), serão conhecidos os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, além da produção industrial, vendas no varejo e investimentos em ativos fixos urbanos referentes a junho. Os números serão monitorados pelos mercados em busca de sinais sobre o ritmo de recuperação da segunda maior economia do mundo e seus possíveis impactos sobre a demanda global por commodities.

No Brasil, a agenda econômica é mais enxuta. Às 9h, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), enquanto às 11h45 o Tesouro Nacional realiza leilão de NTN-B e LFT, que poderá oferecer sinais sobre o apetite dos investidores pelos títulos públicos.

Início da temporada de balanços nos EUA

A temporada de resultados corporativos do segundo trimestre começa a ganhar tração nos Estados Unidos. Antes da abertura dos mercados, cinco dos seis maiores bancos americanos divulgam seus balanços: JP Morgan, Bank of America, Citigroup, Wells Fargo e Goldman Sachs. O Morgan Stanley apresenta seus números apenas na quarta-feira, 15.

A expectativa é de resultados sólidos, impulsionados pelo aumento das receitas com operações de negociação nos mercados financeiros e pela retomada das atividades de fusões, aquisições e ofertas de ações, segundo analistas ouvidos pela Reuters e dados da LSEG.

Os números serão acompanhados de perto por investidores em busca de sinais sobre a saúde do sistema financeiro americano e sobre o desempenho da economia dos Estados Unidos.

Política também entra no radar

No cenário doméstico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe, às 16h, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet. Participam do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Em Brasília, também está prevista uma reunião entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e o ministro da Fazenda para discutir a renegociação das dívidas rurais. O Senado pode votar a medida provisória que trata da tabela do frete mínimo.

Na área de energia, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) se reúne para discutir o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina comum, dos atuais 30% para 32%, além da moratória das importações de biodiesel.

Também estão previstas a divulgação de novas pesquisas eleitorais para a Presidência da República e para os governos do Espírito Santo, Paraíba e Tocantins, além de uma reunião do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, com representantes de institutos de pesquisa para discutir regras sobre levantamentos de intenção de voto.

AutorClara Assunção
FonteExame
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