Sabesp (SBSP3) tem ‘ativo escondido’ no caixa futuro, diz Itaú BBA, que eleva preço-alvo

O Itaú BBA elevou o preço-alvo da Sabesp (SBSP3) para R$ 34 por ação após o grupamento, ante R$ 30,9 anteriormente, e manteve recomendação outperform para os papéis da companhia.
A empresa, na avaliação do banco, deve se tornar uma consolidadora do setor de saneamento, participando de leilões e ampliando sua atuação à medida que novas oportunidades surgirem, segundo relatório assinado por Fillipe Andrade e Lucas Guimarães.
Os analistas afirmam que a companhia está em posição privilegiada para capturar esse movimento graças ao balanço sólido e à vantagem competitiva de operar a maior concessão do estado de São Paulo.
Ciclo de investimentos
Na avaliação do BBA, o debate do mercado sobre a Sabesp tem ficado concentrado na preocupação com o ciclo elevado de investimentos até 2033, em meio ao processo de universalização do saneamento. Para banco, porém, essa leitura não captura integralmente o potencial da companhia.
Segundo os analistas, o principal ponto é o quanto os ativos regulados da Sabesp poderão gerar de capital excedente após amadurecerem e como essa flexibilidade estratégica poderá ganhar valor em um setor que deve passar por uma onda de consolidação “uma vez por geração”.
“O mercado está precificando o capex, mas deveria estar valorizando a opcionalidade criada por ele”, escreveram os analistas.
Para o banco, o “ativo escondido” da Sabesp é justamente o caixa que ainda não foi utilizado e que deve começar a se acumular nos próximos anos. Na visão dos analistas, o balanço da companhia está deixando de ser um instrumento defensivo, voltado ao financiamento da universalização, para se transformar em uma plataforma ofensiva de financiamento de novas iniciativas.
Universaliza 2 é principal gatilho
O Itaú BBA destaca que o próximo grande gatilho para a Sabesp é o projeto Universaliza 2, apontado pelo banco como o catalisador mais claro para converter potencial de crescimento em retorno financeiro.
Os cenários traçados pelos analistas indicam potencial de acréscimo de até R$ 13 bilhões em valor para a companhia, além de aumento de mais de 100 pontos-base na taxa interna de retorno (TIR).
Segundo o banco, o programa deve combinar investimentos próximos de R$ 50 bilhões com um modelo regulatório já conhecido pela companhia, reforçando a vantagem competitiva da Sabesp ao aproveitar sua presença geográfica e infraestrutura já estabelecida.
Riscos no radar
O Itaú BBA também cita dois riscos considerados subestimados pelo mercado.
O primeiro é a reforma tributária. Na visão do banco, os impactos tendem a ser neutros caso o regulador faça os ajustes corretos nas tarifas e na base regulatória de ativos (RAB). Caso contrário, os efeitos podem destruir valor.
O segundo ponto é a migração para um modelo DRC. Segundo os analistas, o impacto negativo parece limitado — cerca de 1,5% da RAB no cenário-base e até 5% em um cenário mais pessimista —, mas o modelo cria uma dinâmica assimétrica, com limitação de ganhos durante os anos de pico de investimentos e potencial relevante de captura de eficiência operacional ao longo do tempo.
