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Sacre Investimentos
EmpresasACS
27/07/2026
5 min

Safra eleva Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3) para compra; por que o banco ficou mais otimista?

Safra eleva Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3) para compra; por que o banco ficou mais otimista?

O Safraatualizou os preços-alvo para as ações da Copasa (CSMG3) e Sabesp (SBSP3) e elevou a recomendação de ambas as ações de neutra para outperform (equivalente a compra).

No caso da Copasa, o preço passou de R$ 65 para R$ 76 ao fim de 2026, o que implica um potencial de valorização de 23% sobre o preço de fechamento anterior. Já para Sabesp, a alta foi de R$ 29 para R$ 33, um potencial de cerca de 16%.

Os analistas Daniel Travitzky e Ricardo Bello acreditam que o setor de saneamento é capaz de oferecer a proteção necessária diante do ambiente macroeconômico incerto, além de oferecer bom crescimento, espaço para expansão de margem e estrutura regulatória sólida.

Sobre a ciclicidade reduzida, o Safra destaca que a expansão dos serviços de água e esgoto deve ser impulsionada pelo crescimento populacional e pela ampliação da cobertura prevista na meta de universalização, além das temperaturas mais altas decorrentes do El Niño.

Os analistas veem espaço para expansão de margem resultante da redução de custos em diversas frentes e melhores estratégias comerciais e destacam que a estrutura regulatória sólida, que estabeleceu um CMPC (Custo Médio Ponderado de Capital) razoável, incentivos para aprimoramento operacional e reconhecimento anual de despesas de capital, o que contribui para um fluxo de caixa sustentável diante de maiores investimentos.

Atualização de estimativas

O Safra atualizou os modelos para Sabesp e Copasa visando incluir as estimativas atualizadas para o desempenho de custos pós-privatização; os resultados financeiros mais recentes; um novo cenário macroeconômico, com taxas de juros e inflação mais altas, uma taxa de desconto maior; e a inclusão dos pagamentos de taxas de concessão e a recuperação do reconhecimento de despesas de capital.

Essas alterações combinadas levaram a um aumento de aproximadamente 8% nas estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 2027-2028 para a Copasa (maior se considerarmos os benefícios da privatização) e de 3% no caso da Sabesp (melhor desempenho de custos pós-privatização).

Apesar da visão positiva para o setor, o Safra reconhece a existência de algumas ondas de volatilidade, com as eleições deste ano podendo causar turbulências, uma vez que os Estados de Minas Gerais e São Paulo permanecem como acionistas das companhias.

“De qualquer forma, lembramos que a governança pós-privatização, as regras estabelecidas nos estatutos atualizados e a presença de um acionista de referência respeitado são fatores-chave que devem amortecer qualquer impacto negativo”, dizem os analistas.

Em contrapartida, ventos favoráveis também existem, na visão do Safra. Os analistas pontuam que o segmento de saneamento ainda precisa de investimentos significativos e, em São Paulo, a expectativa é de um anúncio, até o final de 2026, do possível leilão de áreas adicionais a serem cobertas por serviços de saneamento, que não estavam inicialmente incluídas nos contratos da URAE-1.

Já em Minas Gerais, existem cerca de 300 municípios onde a Copasa fornece água, mas não rede de esgoto, o que representa uma oportunidade para a companhia, na visão do banco.

O momento da Sabesp e Copasa

Com a privatização concluída, a Copasa (CSMG3) agora busca convencer o mercado de que a maior parte do potencial de valorização ainda está à frente. Segundo Marília Carvalho de Melo, CEO da companhia, o rali das ações — embora tenha refletido principalmente a expectativa pela desestatização — ainda não incorpora os ganhos de eficiência, expansão e geração de caixa que a nova estrutura de controle pode destravar nos próximos anos.

Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, portal parceiro do Money Times, a executiva contou que desde que as primeiras discussões sobre privatização surgiram, em 2019, os papéis da empresa de saneamento mineira acumulam avanço próximo de 380% na B3.

  • Leia mais: Como a Copasa (CSMG3) quer mostrar ao mercado que a alta das ações ainda não terminou, segundo a CEO – Money Times

Já a Sabesp completou dois anos desde a privatização, em que o Estado de São Paulo reduziu a participação na empresa de 50,3% para 18,3%, em uma operação que movimentou R$ 14,8 bilhões. A Equatorial (EQTL3) entrou como investidora de referência, adquirindo 15% das ações por R$ 6,9 bilhões.

Para analistas ouvidos pelo Money Times, os dois anos mostram uma execução positiva, motivada principalmente pela aceleração dos investimentos e confiança de que a meta de universalização será cumprida.

Em 2025, a empresa registrou o maior volume anual de investimentos da sua história: R$ 15,2 bilhões, alta de 120% do registrado em 2024, quando havia sido investidos R$ 6,9 bilhões. Esse valor rompeu um patamar histórico que, durante uma década, ficou próximo de R$ 7 bilhões ao ano.

Para 2026, a companhia projeta investimentos ainda maiores, da ordem de R$ 20 bilhões, concentrados principalmente na expansão do sistema de esgotamento sanitário.

  • Confira: Sabesp (SBSP3): dois anos após a privatização, o que deu certo, os riscos e o que esperar da companhia – Money Times
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AutorLorena Matos
FonteMoney Times
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