Santander não larga o Brasil? Presidente executiva reforça aposta no país em meio à OPA de SANB11
Presidente do grupo espanhol, Ana Botín diz que operação brasileira segue “absolutamente central” para a estratégia global

Enquanto os minoritários do Santander Brasil (SANB11) avaliam se vale a pena trocar suas ações por papéis da matriz espanhola, a controladora manda um recado em outra direção: o Brasil continua no centro da estratégia global do banco.
A presidente executiva do Grupo Santander, Ana Botín, reforçou nesta segunda-feira (17) a importância da operação brasileira. No primeiro semestre, a subsidiária respondeu pelo segundo maior lucro do grupo, atrás apenas da Espanha.
"O Brasil segue absolutamente central para o nosso modelo", afirmou Botín, em painel durante a conferência anual do banco, em São Paulo.
O papel do Santander Brasil na estratégia global
Segundo Botín, o Santander busca diversificar geograficamente seus negócios. Nesse movimento, o banco deve concluir a compra do americano Webster Bank, já aprovada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).
"Nos vemos como uma ponta entre as Américas do Sul e do Norte e também entre a Europa e as Américas", afirmou.
A executiva também citou o potencial do Brasil na corrida pela inteligência artificial (IA) e disse estar otimista com a economia brasileira.
Mas há uma ressalva: a sustentabilidade fiscal, que Botín chamou de "nome do jogo", continua sendo um desafio tanto para o Brasil quanto para a Europa.
Na visão da executiva, as duas regiões precisam buscar mais eficiência na gestão da economia e na regulação para acompanhar o ritmo de Estados Unidos e países da Ásia.
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E a OPA de SANB11?
O reforço da aposta no Brasil acontece poucas semanas após o anúncio da oferta pública de aquisição (OPA) da matriz espanhola pelas ações dos minoritários do Santander Brasil.
A operação não deve tirar SANB11 da B3. A companhia informou que continuará listada mesmo após a conclusão da oferta.
Mas analistas alertam que a OPA pode reduzir ainda mais o free float — a parcela de ações em circulação no mercado.
Há também uma mudança importante para quem aderir: a oferta não será paga em dinheiro.
O acionista que aceitar deixará de ser sócio apenas da operação brasileira e passará a ter participação no grupo global, recebendo ações do Santander Espanha por meio de BDRs ou ADSs.
Para os analistas, o prêmio relativamente modesto da oferta pode ser uma alternativa de saída em um momento de desafios para a operação brasileira.
No segundo trimestre (2T26), o lucro líquido do Santander Brasil tombou 17,6%, enquanto a rentabilidade (ROE) encolheu para 12,5%. Você confere aqui os detalhes do balanço e a visão dos analistas sobre os números.
*Com informações do Estadão Conteúdo e do Valor Econômico.
