São Martinho (SMTO3): Citi espera 1T26 fraco e aumento da alavancagem; veja recomendação

A São Martinho (SMTO3) deve apresentar um início de safra mais desafiador. Em relatório divulgado nesta sexta-feira (24), o Citi projetou um 1T27 (primeiro trimestre da safra 2026/2027) mais fraco, pressionado principalmente pelos menores preços de açúcar e etanol e pela decisão da companhia de reter parte da produção para venda em períodos futuros.
O banco estima que a companhia registre um Ebitda ajustado de R$ 513 milhões, o que representa uma queda de 36% na comparação anual. O resultado deve ser divulgado em 10 de agosto.
Na avaliação dos analistas, a estratégia da São Martinho foi estocar açúcar e etanol, aproveitando sua elevada capacidade de armazenagem, em vez de vender a produção em um momento de preços deprimidos. O movimento ocorre em meio à forte queda das cotações do etanol com o avanço da moagem de cana na região Centro-Sul.
Além dos resultados operacionais mais fracos, o Citi espera um aumento da alavancagem da companhia, reflexo dos investimentos na segunda fase do projeto de etanol de milho e da maior necessidade de capital de giro.
Apesar desse cenário, o banco manteve a recomendação neutra para as ações da São Martinho, com preço-alvo de R$ 16 por ação.
Segundo o Citi, a revisão das projeções macroeconômicas e de commodities provocou apenas pequenos ajustes nas estimativas para as próximas safras. Ainda assim, os analistas avaliam que os preços atuais de açúcar e etanol seguem pouco atrativos e limitam a geração recorrente de caixa da empresa.
Açúcar pode ser o principal gatilho positivo
Embora reconheça que a São Martinho possui capacidade para postergar vendas de etanol, o Citi acredita que uma recuperação expressiva dos preços do biocombustível não deve ocorrer no curto prazo.
A expectativa é de que o mercado doméstico continue operando com excedente de oferta. Mesmo com fatores que podem reduzir esse superávit — como a adoção da mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32) e um eventual encurtamento da safra provocado pelo El Niño — o banco não vê espaço para uma valorização relevante do combustível.
Isso porque o governo federal tem buscado manter os preços da gasolina estáveis, o que tende a limitar ganhos para o etanol, mesmo em um cenário de alta do petróleo.
Na visão do Citi, o principal vetor de valorização para a São Martinho continua sendo o mercado de açúcar. O banco segue com uma visão construtiva para a commodity, diante dos riscos climáticos associados ao El Niño, que podem reduzir a produção global e sustentar preços mais elevados.
Jornada 6×1 também entra no radar
Entre os riscos para o setor, o Citi também chama atenção para as discussões sobre o possível fim da jornada de trabalho 6×1.
Na avaliação dos analistas, uma eventual mudança nas regras trabalhistas poderá elevar os custos operacionais tanto da São Martinho quanto das demais empresas do setor sucroenergético, já que seria necessário ampliar o quadro de funcionários ou elevar despesas para manter o mesmo nível de horas trabalhadas.
