São Martinho (SMTO3): XP eleva recomendação e preço-alvo em 51% com tese ‘mais doce’
A XP Investimentos elevou a recomendação para as ações da São Martinho (SMTO3) de neutro para compra, acompanhada de uma forte revisão no preço-alvo. A estimativa passou de R$ 14,80 para R$ 22,40 por ação, alta de 51,4%. Por trás da mudança está uma tese que, nas palavras dos analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, […]

A XP Investimentos elevou a recomendação para as ações da São Martinho (SMTO3) de neutro para compra, acompanhada de uma forte revisão no preço-alvo. A estimativa passou de R$ 14,80 para R$ 22,40 por ação, alta de 51,4%.
Por trás da mudança está uma tese que, nas palavras dos analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, “ficou mais doce”. A casa adotou uma visão mais construtiva para os preços do açúcar, tanto no curto quanto no médio prazo, além de enxergar fundamentos melhores para o etanol no curto prazo.
Segundo a XP, condições climáticas adversas na Ásia, combinadas a uma perspectiva mais desafiadora para a moagem de cana-de-açúcar no Brasil, podem deixar o balanço global de açúcar mais apertado e sustentar preços mais elevados da commodity.
Os preços do açúcar já passaram por uma forte reprecificação diante de uma produção abaixo do esperado na Índia e de um ritmo de moagem mais fraco no Brasil.
No etanol, a leitura também melhorou, apoiada pela recuperação da demanda. Ao mesmo tempo, um mix de produção mais direcionado para o açúcar pode limitar a oferta do biocombustível e contribuir para fundamentos mais favoráveis.
El Niño ainda é risco para São Martinho
Apesar da visão mais positiva, a XP destaca que nem todos os riscos saíram do radar. O principal deles está na produtividade dos canaviais, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño.
Uma queda nos rendimentos agrícolas no Centro-Sul poderia pressionar os volumes produzidos pela São Martinho. Por outro lado, a XP avalia que esse mesmo cenário provavelmente resultaria em preços mais elevados para açúcar e etanol, compensando parcialmente o impacto negativo da menor produtividade sobre os resultados.
As estimativas da corretora já incorporam uma premissa conservadora para o ATR (Açúcar Total Recuperável), abaixo do guidance apresentado pela própria companhia.
A volatilidade cambial e a valorização recente das ações também aparecem entre os pontos de atenção. Ainda assim, para os analistas, o ambiente mais favorável para as commodities mais do que compensa os riscos remanescentes.
A XP avalia ainda que, conforme o mercado passe a incorporar fundamentos mais fortes para o açúcar e os efeitos do El Niño se mostrem administráveis — ou menos severos do que o pior cenário enfrentado pelo setor sucroenergético em 2018/19 —, há espaço para uma redução adicional da percepção de risco sobre a tese.
Ainda há espaço para SMTO3?
Mesmo após a recuperação recente das ações, a XP ainda enxerga a São Martinho negociando com desconto em relação ao valor considerado justo.
Olhando para a safra 2027/28, SMTO3 negocia a 8,6 vezes EV/Ebit, segundo as estimativas da casa.
Além do potencial de valorização implícito no novo preço-alvo, os analistas esperam sucessivas revisões positivas para os resultados da São Martinho no curto prazo.
