Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mercado ImobiliárioFII
15/09/2026
4 min

São Paulo concentra mais da metade dos galpões alugados na América Latina

Mercado paulista respondeu por 56% da absorção logística na região; e-commerce impulsiona ocupação

São Paulo concentra mais da metade dos galpões alugados na América Latina

São Paulo está concentrando mais da metade da demanda por galpões logísticos na América Latina. No primeiro semestre de 2026, a região metropolitana paulista registrou 965.679 metros quadrados de absorção, equivalente a cerca de 56% de toda a atividade locativa logística da América Latina, segundo levantamento da Cushman & Wakefield obtido pela EXAME.

O desempenho reforça a posição da capital paulista como o principal mercado logístico da região, impulsionado principalmente pela expansão do comércio eletrônico e pela necessidade de empresas de manter centros de distribuição próximos dos maiores mercados consumidores.

A absorção paulista cresceu 10% na comparação anual, enquanto o mercado mantém uma taxa de vacância considerada equilibrada, de 3,9%.

O movimento ocorre mesmo em um cenário de juros elevados e mostra a força estrutural da demanda por infraestrutura logística.

A liderança paulista não aparece apenas nos novos contratos. A cidade também concentra o maior estoque de galpões logísticos de alto padrão da região.

São Paulo possui 15,4 milhões de metros quadrados de estoque classe A, segundo a Cushman & Wakefield. Somada à Cidade do México, a região reúne 67,3% de todo o estoque de centros logísticos da América Latina, que totaliza 44,3 milhões de metros quadrados.

Em termos relativos, São Paulo também lidera a oferta de infraestrutura logística por população. A região metropolitana possui 745 metros quadrados de galpões por mil habitantes, considerando uma população metropolitana de 20,7 milhões de pessoas.

O dado reflete a maturidade do mercado paulista, que se consolidou como principal polo de distribuição para empresas nacionais e multinacionais.

E-commerce impulsiona ocupação e mantém pipeline aquecido

Parte relevante dessa demanda vem datransformação do varejo e do avanço do comércio eletrônico. O relatório da Cushman & Wakefield cita como exemplos recentes a ocupação de espaços pela Shopee e Mercado Livre,em Guarulhos e Cajamar, respectivamente.

O crescimento dessas operações exige centros de distribuição maiores e mais próximos dos consumidores, especialmente em uma região que concentra renda, população e infraestrutura de transporte.

A localização também é favorecida pela conexão com oPorto de Santos, principal porta de entrada e saída de mercadorias do país. O complexo portuário movimentou 3,11 milhões de TEUs, reforçando a integração entre importação, armazenagem e distribuição.

A força da demanda também aparece no volume de novos projetos. São Paulo possui atualmente 1,28 milhão de metros quadrados de galpões logísticos em construção, o maior pipeline da América Latina.

No acumulado de 2026, a região já entregou 453.955 metros quadrados de novos espaços, também o maior volume entre os mercados analisados.

Segundo o levantamento, o desenvolvimento de novos ativos está concentrado principalmente em São Paulo e na Cidade do México, acompanhando os dois maiores polos consumidores da América Latina.

O aumento da demanda também aparece nos preços. O valor médio pedido de locação de galpões logísticos em São Paulo chegou a US$ 6,25 por metro quadrado ao mês, uma alta de 15,8% em 12 meses.

Mesmo com a expansão da oferta, a vacância permaneceu em 3,9%, uma queda de 5 pontos percentuais na comparação anual.

Para o mercado imobiliário, o equilíbrio entre novos empreendimentos e ocupação indica um cenário diferente de excesso de oferta: os novos galpões chegam acompanhados de demanda.

São Paulo e Cidade do México concentram o mapa logístico da América Latina

Apesar da liderança paulista, o mercado de galpões logísticos da América Latina está concentrado principalmente em dois grandes polos: São Paulo e Cidade do México.

Segundo o levantamento da Cushman & Wakefield, as duas regiões metropolitanas reúnem juntas 67,3% de todo o estoque de centros logísticos da América Latina, que soma 44,3 milhões de metros quadrados.

A concentração reflete características semelhantes entre os dois mercados: grandes populações consumidoras, presença de cadeias industriais, infraestrutura de transporte e demanda crescente por operações de distribuição mais próximas dos clientes.

São Paulo, porém, se destaca pela escala da demanda recente. No primeiro semestre de 2026, a região paulista respondeu por 56% de toda a absorção logística da América Latina, com 965.679 metros quadrados alugados.

Além da força do consumo interno, a infraestrutura portuária também contribui para a posição estratégica do mercado paulista. O Porto de Santos, principal conexão marítima do estado, movimentou 3,11 milhões de TEUs, reforçando a integração entre importação, armazenagem e distribuição.

Com o avanço do comércio eletrônico e a busca das empresas por entregas mais rápidas, São Paulo mantém sua posição como principal destino de investimentos em galpões logísticos na região.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
Distribuído por