Saylor minimiza queda do bitcoin enquanto a Strategy enfrenta perda de US$ 11 bilhões

As reservas de bitcoin da Strategy entraram mais profundamente em território de perdas não realizadas à medida que o BTC passou a ser negociado abaixo do preço médio de compra da empresa, renovando o debate sobre o modelo de tesouraria em bitcoin de Michael Saylor.
A Strategy detém 843.706 bitcoins, adquiridos a um preço médio de US$ 75.699 por moeda, com um custo total de aquisição de US$ 63,8 bilhões. No entanto, a mais recente queda do bitcoin reduziu o valor das reservas da empresa para US$ 52,6 bilhões, elevando a perda não realizada para US$ 11,2 bilhões, segundo o painel de dados da companhia.
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As ações preferenciais perpétuas de taxa variável da Strategy, STRC, também caíram abaixo do valor-alvo de US$ 100 e eram negociadas a US$ 94,60 no momento da publicação.
A perda não realizada aumenta a fiscalização sobre o modelo de tesouraria em bitcoin da Strategy, já que o BTC está sendo negociado abaixo do preço médio de aquisição da empresa. Ao mesmo tempo, a queda no preço da STRC pode dificultar futuras emissões de ações preferenciais destinadas a financiar novas compras de bitcoin. O movimento ocorre poucos dias após a Strategy anunciar a venda de 32 BTC, sua primeira venda desde 2022.
Saylor rebateu a interpretação negativa nesta quinta-feira, 4, afirmando que as crescentes saídas dos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista estão “pressionando o BTC” e que os mercados de capitais direcionaram US$ 400 bilhões para infraestrutura de inteligência artificial nos últimos seis meses.
“Isso é uma rotação de capital, não uma deterioração do bitcoin. A volatilidade cria oportunidades”, afirmou Saylor em uma publicação no X.
O preço do bitcoin acumula queda de aproximadamente 4,7% nas últimas 24 horas e de 13,8% nos últimos sete dias. No momento da publicação, a criptomoeda era negociada a US$ 63.157, acumulando perda superior a 20% no último mês, segundo dados do TradingView. Os ETFs de bitcoin à vista registraram saídas de US$ 4,4 bilhões nos últimos 13 pregões, informou o Cointelegraph.
Alguns observadores do mercado afirmaram que o movimento da STRC não é incomum.
“O valor nominal de US$ 100 da STRC não é um piso de preço. É o valor declarado utilizado para preferência em liquidação e determinadas cláusulas de resgate”, escreveu o investidor e apresentador de podcast Scott Melker, acrescentando:
“Um desconto de 5% em relação ao valor nominal não é evidência de que algo esteja quebrado. É evidência de que os investidores estão exigindo um rendimento maior, precificando riscos ou reagindo às condições de mercado, exatamente como ocorre com ações preferenciais.”
Outros foram menos otimistas. O defensor do ouro e crítico de longa data do bitcoin, Peter Schiff, afirmou que quanto mais o preço da STRC cair, mais a MSTR será obrigada a aumentar o pagamento de dividendos para “levar o preço das ações de volta a US$ 100”, o que significa que a empresa “ficará sem caixa muito mais cedo, antecipando vendas de bitcoin para financiar esses pagamentos”.
Standard Chartered diz que fundo pode estar próximo
Apesar da liquidação, o Standard Chartered prevê que o fundo do mercado de bitcoin pode estar próximo, dependendo da próxima compra realizada pela Strategy.
“Eu veria isso como um sinal preliminar de que o fundo já foi formado e, seguindo essa lógica, suspeito que a pressão vendedora durante o fim de semana será limitada”, afirmou Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered.
Kendrick disse que uma compra de 320 BTC ou 3.200 BTC, equivalentes a 10 ou 100 vezes a venda recente, poderia sinalizar um fundo de mercado.
Após a venda de 704 BTC realizada pela Strategy em 2022 para fins fiscais, a empresa comprou 810 BTC apenas dois dias depois.
