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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
03/11/2026
6 min

'Se ficar na commodity, vai perder a batalha', diz Semenzato sobre o desafio das pequenas empresas

Fundador da SMZTO aponta caminhos para pequenos e médios negócios enfrentarem pressão de custos, juros elevados e concorrência com grandes empresas, com foco em diferenciação, eficiência e tecnologia

'Se ficar na commodity, vai perder a batalha', diz Semenzato sobre o desafio das pequenas empresas
RESUMO +

Durante a ABF Con, José Carlos Semenzato, fundador da holding de franquias SMZTO, afirmou que pequenas e médias empresas precisam apostar em diferenciação, eficiência operacional e tecnologia para enfrentar custos altos, juros elevados e concorrentes de maior escala. O Estudo do Franchising Brasileiro, da ABF com o Sebrae, aponta carga tributária, mão de obra, crédito e inflação entre as principais preocupações.

Em um cenário de juros elevados, pressão sobre os custos operacionais e mudanças no ambiente de negócios, pequenos e médios empreendedores enfrentam o desafio de manter a competitividade diante de empresas com maior escala e poder de negociação. ParaJosé Carlos Semenzato, fundador da holding de franquias SMZTO e mentor do programaChoque de Gestão, a resposta passa por uma estratégia que vai além de tentar vender mais barato: encontrar diferenciais capazes de tornar o negócio relevante para o consumidor.

A avaliação foi feita durante conversa com jornalistas na ABF Con, convenção que reúne as maiores franquias do Brasil.

“Se você ficar dentro de um mundo das commodity, você certamente vai perder a batalha”, afirmou Semenzato.

Na avaliação do empresário, empresas menores não conseguem competir em igualdade de condições com grandes grupos quando a disputa se concentra apenas em preço, poder de compra e distribuição.

As pressões sobre os negócios também no novo estudo realizado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) em parceria com o Sebrae. Entre os franqueadores ouvidos,55% apontaram a carga tributária como uma das principais preocupações para os próximos 12 meses. Na sequência aparecem mão de obra, citada por 50% dos entrevistados, juros altos e acesso ao crédito (34%) e inflação e aumento de custos (33%).

O levantamento também mostra diferenças conforme o porte das empresas. Entre as micro e pequenas empresas (ME/EPP), a inflação e o aumento dos custos preocupam 40% dos respondentes, enquanto 37% mencionam a queda ou fraqueza nas vendas. O cenário reforça o desafio de manter margens e competitividade em um mercado no qual negócios menores enfrentam limitações de escala e recursos diante de concorrentes maiores.

Diferenciação é estratégia para pequenas e médias empresas

Para Semenzato, a saída é construir uma proposta de valor que não possa ser facilmente comparada com a dos concorrentes. Isso significa oferecer uma experiência diferente ao consumidor, seja no atendimento, na qualidade do produto ou na prestação do serviço.

“No momento em que você parte para a diferenciação, você elimina comparações de competidores”, diz o empresário.

Segundo ele, um negócio com atributos relevantes para o cliente consegue cobrar um preço justo mesmo sem ter a escala de grandes empresas.

Essa diferenciação precisa estar presente em toda a jornada de consumo, e não apenas no produto final. O empresário cita a importância de fazer com que o cliente se sinta acolhido e perceba valor na relação com a marca.

“As pessoas têm que se sentir abraçadas, acolhidas. Tem que humanizar. O cliente tem que falar: ‘Uau, eu não vou abandonar esse pequeno e médio porque ele faz a diferença na entrega do produto ou serviço’”, afirmou.

Na avaliação do empresário, uma experiência consistente também pode fortalecer a recomendação espontânea e transformar uma pequena empresa em referência no mercado. Com o crescimento e a consolidação da operação, o negócio pode até se tornar alvo de aquisição por grupos maiores.

Eficiência operacional e gestão ajudam empresas a enfrentar custos

Outra recomendação deSemenzato é olhar para dentro da empresa antes de buscar novas oportunidades de crescimento. Com três décadas de experiência como empreendedor, ele defende que períodos de mudança também podem abrir espaço para rever processos, identificar desperdícios e melhorar a gestão.

“Quando você tem momentos de mudanças, momentos que eventualmente possam trazer algo novo, você deve olhar para dentro das organizações”, afirma o empresário.

O empresário recomenda avaliar onde é possível extrair mais eficiência, simplificar processos e melhorar a operação. Segundo ele, muitas oportunidades acabam negligenciadas quando a atenção do empreendedor está concentrada exclusivamente na expansão do negócio.

“Quando você mergulha para dentro, encontra oportunidades que até então muitos estavam negligenciando apenas pelo fato de estar preocupado em crescimento e não em extrair o melhor de dentro da organização”, diz Semenzto.

A estratégia, nesse sentido, é buscar ganhos de produtividade e melhorar a rentabilidade da operação sem depender necessariamente de novas unidades ou de um aumento expressivo nas vendas.

Inteligência artificial pode melhorar a gestão de pequenos negócios

A tecnologia também deve ganhar espaço nesse processo, especialmente no setor de serviços, que concentra cerca de 90% do portfólio da SMZTO. Para Semenzato, ferramentas digitais e inteligência artificial podem ampliar a eficiência das empresas e facilitar o acompanhamento dos resultados.

Ele cita como exemplo o controle financeiro das unidades. Muitos empreendedores têm dificuldade paraacompanhar indicadores como o demonstrativo de resultados do exercício (DRE)e entender o desempenho da operação. Com o avanço da tecnologia, essas informações podem ficar mais acessíveis e disponíveis em tempo real.

Isso não significa necessariamente substituir trabalhadores por ferramentas digitais. O potencial está em melhorar processos, apoiar decisões e permitir que o empreendedor tenha mais controle sobre o próprio negócio.

Franquia pode reduzir riscos para quem quer empreender

A holding SMZTO reúne18 marcas e mais de 4.800 unidades em operação. A companhia tem direcionado seus investimentos a negócios com modelos já testados e teses validadas, em vez de concentrar esforços na criação de operações do zero.

Para quem deseja abrir um negócio, Semenzato também vê a franquiacomo uma alternativa a considerar. Na avaliação dele, começar uma operação a partir de um modelo já estruturado tende a ser menos arriscado do que desenvolver uma empresa do zero, embora não elimine os desafios do empreendedorismo.

“No final do dia, é muito menos arriscado você começar a empreender comprando uma franquia do que você começar do zero, inventando alguma coisa, tentando achar um espaço em alguma coisa”, afirma Semenzato.

O empresário ressalva que investir em umafranquia exige capital, contratação de funcionários, equipamentos e gestão da operação. Portanto, o modelo não elimina riscos nem garante resultados. A vantagem, segundo ele, está em começar com uma marca, processos e um modelo de negócio que já foram testados.

A própria estratégia de investimentos da SMZTO reflete essa preferência por modelos validados. A holding analisa entre 80 e 120 empresas por ano e seleciona, em geral, duas ou três para avançar no processo de avaliação. A meta é realizar de duas a três aquisições anuais.

“Eu simplesmente mudei o meu modelo de negócio, que era investir no negócio do zero. Eu passei a investir em teses validadas”, afirma.

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
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