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Sacre Investimentos
Economia
23/10/2026
3 min

“Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo”, diz CEO da EQI; veja as apostas da corretora

Juros devem seguir mais altos em um eventual governo petista, beneficiando aplicações de renda fixa; já uma vitória de Flávio Bolsonaro favoreceria ativos ligados à economia real

“Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo”, diz CEO da EQI; veja as apostas da corretora

A poucos dias da definição da eleição presidencial, Juliano Custódio, CEO da EQI, já traça estratégias para os diferentes cenários que podem surgir após o resultado das urnas. Para o executivo, uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tende a manter os juros em patamares elevados por mais tempo, favorecendo investidores de renda fixa e estratégias voltadas à captura de renda financeira.

"Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo", afirma em entrevista ao Money Times, parceiro do Seu Dinheiro.

Segundo Custódio, o mercado passou a precificar, nas últimas semanas, uma trajetória mais favorável para os juros, refletindo a expectativa de um ajuste fiscal capaz de melhorar a dinâmica das contas públicas. Caso essa percepção seja frustrada, ativos de risco como ações podem enfrentar turbulências.

Apesar disso, o executivo ressalta que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) também não eliminaria os desafios para o mercado. Na avaliação dele, os investidores passariam a cobrar a implementação das propostas de campanha, especialmente as relacionadas ao equilíbrio fiscal.

"Vai haver um custo para fazer os ajustes necessários", diz.

Juros no centro da discussão

Custódio rebate a ideia de que o mercado financeiro tenha preferência por determinado candidato. Para ele, o foco dos investidores está na perspectiva para os juros.

"O que fazemos é analisar as políticas propostas e tentar entender qual candidato tem mais condições de proporcionar esse cenário. No fim do dia, não é sobre a pessoa. É sobre quem pode trazer juros mais baixos para que as empresas sofram menos."

Enquanto Flávio Bolsonaro defende um ajuste fiscal, ainda sem detalhar completamente como pretende executá-lo, Lula aposta no crescimento econômico como ferramenta para estabilizar a trajetória da dívida pública.

Para o CEO da EQI, a principal preocupação continua sendo a sustentabilidade das contas do governo. Sem avanços nessa frente, a queda dos juros tende a ser mais lenta, o que mantém atrativas as aplicações de renda fixa.

Bolsa continua barata

Mesmo com as incertezas políticas, Custódio enxerga oportunidades na bolsa brasileira. Segundo ele, muitas empresas negociam a múltiplos descontados porque o elevado custo da dívida pesa sobre os resultados.

"As empresas estão muito descontadas. Uma simples queda na taxa de juros já faria os lucros crescerem consideravelmente."

Ainda assim, ele alerta que a melhora do ambiente econômico não acontecerá automaticamente após a eleição.

"Não é porque muda o governo que o Brasil melhora de um dia para o outro. O ano de 2027 ainda será difícil."

Como a EQI está posicionada

De olho em um cenário de juros mais baixos no médio prazo, a EQI reforçou posições em títulos prefixados, papéis indexados à inflação e outros ativos sensíveis à queda das taxas.

"O juro futuro já caiu quase dois pontos percentuais desde o primeiro turno. Não acredito que caia muito mais daqui para frente sem reformas."

Na avaliação de Custódio, caso o próximo governo consiga combinar crescimento econômico e credibilidade fiscal, ativos como ações, fundos imobiliários e títulos prefixados ainda têm espaço para entregar retornos relevantes.

Por outro lado, se Lula sair vencedor, a estratégia tende a permanecer mais concentrada em investimentos que capturam o retorno dos juros elevados.

"Então, de um lado, temos uma estratégia mais voltada para a economia real, caso o Flávio vença. Se o Lula vencer, o cenário tende a favorecer mais o rentismo", conclui.

AutorRenan Dantas
FonteSeu Dinheiro
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