Seb Education coloca futuros possíveis no centro do debate sobre educação
Maior ecossistema global de escolas premium bilíngues do mundo, com presença em quase 40 países, reúne lideranças empresariais em São Paulo para discutir o tema

Como preparar estudantes para um mundo que muda mais rápido do que escolas, empresas e governos conseguem prever? A pergunta esteve no centro do The Advantage of Uncertainty, evento promovido pelo Seb Education na quarta-feira, 30 de setembro, na Pinacoteca de São Paulo.
O encontro reuniu lideranças empresariais para discutir como educação, tecnologia e tomada de decisão precisam se adaptar a cenários de maior incerteza.
Na ocasião, foi realizado um painel que reuniu Riel Miller, que liderou por dez anos a área de Futures Literacy da UNESCO e passou pela OCDE e pelo governo de Ontário, no Canadá; Thamila Zaher, CEO do Seb Education; e Andrea Janér, CEO da Oxygen, plataforma de inteligência estratégica voltada a tendências, tecnologia e mudanças culturais.
O debate teve como ponto de partida o conceito de Futures Literacy. Em vez de tentar prever com precisão o que acontecerá nos próximos anos, a abordagem trabalha com diferentes futuros possíveis e com a maneira como essas hipóteses podem mudar decisões tomadas hoje. Na educação, isso significa uma mudança de perspectiva. Escolas precisam formar estudantes para uma sociedade cujas profissões, tecnologias e desafios ainda não estão inteiramente definidos.
“Estamos passando por um processo de transição para um novo modelo de aprendizagem que trata exatamente de abraçar a incerteza”, afirmou Miller. Para ele, aprender também passa pela capacidade de lidar com aquilo que ainda não se sabe. “A incerteza alimenta a nossa criatividade.”
A discussão ganhou outra camada com o avanço da inteligência artificial. Miller chamou atenção para uma diferença entre sistemas alimentados por informações existentes e a capacidade humana de produzir ideias a partir de situações novas.
“Os grandes modelos de linguagem só podem trabalhar com o que existe. Eles trabalham com dados, e os dados estão no passado”, disse. “Você e eu inventamos em tempo real.”
O que ensinar quando o futuro é incerto
Para Thamila Zaher, a questão afeta diretamente o que as escolas escolhem ensinar e como organizam a aprendizagem. “Nossos estudantes viverão em um mundo que eles não conhecem, e que nós também não conhecemos”, afirmou.
Segundo a executiva, preparar alunos para esse cenário passa menos por antecipar exatamente quais conhecimentos serão necessários e mais por desenvolver capacidades que possam ser aplicadas em diferentes contextos.
“Precisamos ensiná-los a questionar, investigar, compreender fontes e transformar informação em ideias e conhecimento”, disse. “Não se trata de prepará-los para um futuro que imaginamos, mas dar uma base consistente de conhecimento e desenvolver as capacidades para construir algo que ainda não conhecemos.”
Essa lógica também orienta, segundo Thamila, o uso de novas tecnologias em sala de aula. A adoção de uma ferramenta, afirma, precisa estar ligada a um objetivo pedagógico, e não apenas à novidade tecnológica.
“Se o propósito daquela inovação for a aprendizagem, com intencionalidade e clareza sobre por que é para que ela está sendo utilizada, é possível usá-la de maneira responsável”, disse. “O problema acontece quando a tecnologia é usada apenas pela ferramenta e passa a ocupar o centro do processo de aprendizagem.”
Andrea Janér, da Oxygen, levou ao debate a perspectiva de quem trabalha com análise de tendências e mudanças de longo prazo. Para ela, a disseminação da inteligência artificial torna mais importante definir quais tarefas podem ser delegadas à tecnologia e quais capacidades devem permanecer sob responsabilidade humana. “Onde vamos usar IA? O que vamos deixar para o ser humano? O que podemos delegar? Esse é um exercício muito importante para os próximos anos”, afirmou.
Uma rede de 520 escolas
O debate realizado em São Paulo também ajuda a explicar a estratégia do Seb Education, ecossistema que reúne atualmente 520 escolas e 78 mil alunos em cerca de 40 países. No Brasil, são 235 unidades e aproximadamente 52 mil estudantes.
Fazem parte do Seb Education marcas como Escola Concept, Escola Bilíngue Pueri Domus, Maple Bear Global Schools, Escola Bilíngue Carolina Patrício, Sphere International School e Escola Cidade Jardim | PlayPen.
Com uma operação com presença em diferentes mercados, o Seb Education tem a circulação de experiências entre escolas como uma de suas frentes de desenvolvimento. Isso inclui projetos internacionais, intercâmbios, programas de imersão e iniciativas com universidades e organizações de outros países.
A estrutura acadêmica do grupo também inclui iniciativas voltadas a pesquisa, formação de professores e análise de dados, como o Learning Design Research Center, o Return on Learning e os Centros de Excelência Globais.
A ideia é permitir que práticas desenvolvidas em uma escola possam ser testadas, adaptadas e aplicadas em outras partes da rede. Tecnologia, dados e inteligência artificial entram nesse processo como ferramentas de apoio aos professores e à gestão da aprendizagem.
A companhia organiza essa visão em três frentes: educadores responsáveis por desenhar experiências de aprendizagem, estudantes com participação mais ativa na própria formação e lideranças encarregadas de sustentar essa cultura dentro das escolas.
Meta é chegar a 800 escolas e 160 mil estudantes até 2030
A integração entre as unidades ganha importância diante dos planos de crescimento do Seb Education.
Até 2030, pretende chegar a 50 países, 800 escolas e 160 mil estudantes. Se a meta for alcançada, a base de alunos será mais do que duas vezes maior que a atual.
A expansão deve combinar crescimento das operações existentes, abertura de unidades, avanço internacional e aquisições.
Parte desse movimento já começou. Em agosto, o grupo anunciou a aquisição da Escola Cidade Jardim | PlayPen, instituição bilíngue de São Paulo com 45 anos de atuação.
Em setembro, a Escola Concept anunciou a abertura de sua quarta unidade, no Rio de Janeiro, prevista para 2028. A marca já mantém escolas em Ribeirão Preto, Salvador e São Paulo e avalia oportunidades de expansão para outros países.
No exterior, uma das principais plataformas de crescimento é a Maple Bear Global Schools, que superou a marca de 500 escolas em 2026. A rede combina referências internacionais de ensino com currículos e características locais dos países em que atua.
O aumento de escala traz um desafio adicional: fazer uma organização presente em dezenas de mercados funcionar de forma integrada sem transformar escolas diferentes em unidades idênticas.
A estratégia do Seb Education é manter a identidade e a proposta pedagógica de cada marca, enquanto amplia a troca de pesquisas, práticas e experiências entre elas.
É justamente essa combinação que conecta o debate realizado na Pinacoteca aos planos de expansão do grupo. Se o futuro não pode ser previsto com precisão, a aposta é construir uma rede capaz de aprender, testar caminhos e se adaptar enquanto ele acontece.
