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Mundo
02/06/2026
4 min

Secretário de Trump diz que Brasil 'não é um país amigável' aos EUA e faz comparação com Cuba

Secretário de Trump diz que Brasil 'não é um país amigável' aos EUA e faz comparação com Cuba

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira, 2, durante audiência no Senado norte-americano, que o Brasil não está entre os países considerados alinhados aos interesses de Washington no hemisfério ocidental. Segundo ele, o país está "no meio de um ciclo eleitoral".

A declaração ocorreu um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apresentar uma proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A fala também foi feita poucos dias após Marco Rubio anunciar a inclusão doPrimeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas.

Durante o depoimento aos senadores, o secretário afirmou que existe atualmente uma coalizão de países do Ocidente que atua em parceria com os Estados Unidos. De acordo com Rubio, a cooperação envolve temas de segurança e iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico.

“Nós agora temos, neste hemisfério, uma coalizão de países amigáveis de mais de uma dúzia (…). Além da Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, o Brasil, mesmo que eles estejam no meio de um ciclo de eleições”.

Por outro lado, o secretário de Estado não especificou quais nações fazem parte desse grupo. Recentemente, o governo Donald Trump lançou o programa Escudo das Américas, destinado ao enfrentamento do crime organizado transnacional. Líderes de diversos países da região participaram da iniciativa, enquanto Brasil, Colômbia e México, apontados como países politicamente desalinhados de Washington, não foram convidados para o encontro.

Os presidentes Donald Trump e Lula, durante encontro na Casa Branca. (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

Eleições na América Latina

Durante discurso no Senado americano, Rubio apresentou sua percepção sobre os cenários eleitorais dos países da América Latina. Além do Brasil, ele citou a Colômbia e classificou o presidente Gustavo Petro como "problemático".

"De modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos Estados Unidos, de líderes amistosos aos Estados Unidos e de uma direção favorável aos interesses americanos", declarou.

Seção 301

O governo dos Estados Unidos anunciou ontem que o Escritório do Representante Comercial (USTR) determinou que o Brasil agiu de forma não razoável no comércio bilateral, como parte da investigação aberta por meio da Seção 301.

Por conta disso, o USTR propôs que os EUA passem a cobrar do Brasil uma tarifa extra de 25%, com algumas exceções. A medida, no entanto, ainda não foi aplicada e haverá espaço para mais negociações, até 15 de julho.

"Hoje, o Representante Comercial dos Estados Unidos determinou, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio", disse o USTR, em comunicado.

No momento, ainda não foram anunciadas novas tarifas, mas a "proposição de ações corretivas para consulta pública, enquanto os Estados Unidos continuam a dialogar intensamente com o Brasil para buscar a resolução das preocupações americanas", disse o órgão.

Uma audiência sobre o tema foi proposta para o dia 6 de julho, que será aberta a depoimentos de interessados em se posicionar contra ou a favor do país.

Se os EUA mantiverem o entendimento de que o Brasil não adotou medidas corretivas, poderá implantar novas tarifas contra o país, além das que já estão em vigor.

"Iniciei esta investigação nos termos da Seção 301 a pedido do Presidente Trump para abordar preocupações antigas e generalizadas dos EUA com certas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o Presidente Trump e eu tivemos diversas reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas", disse o representante Jamieson Greer, chefe do USTR.

"Contudo, ainda temos divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuidade do diálogo com o Governo brasileiro antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas", afirmou.

AutorMateus Omena
FonteExame
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