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NegóciosMPOL
29/06/2026
7 min

Seguradora de 191 anos cria fintech e aposta tudo em IA para chegar aos R$ 4 bilhões

Seguradora de 191 anos cria fintech e aposta tudo em IA para chegar aos R$ 4 bilhões

Em um setor que se digitaliza rapidamente e onde bancos e instituições financeiras vêm reduzindo suas estruturas físicas, a MAG Seguros está fazendo justamente o contrário. A seguradora de 191 anos decidiu acelerar a abertura de unidades pelo país, investir em inteligência artificial em praticamente toda a operação e avançar em serviços financeiros por meio de uma fintech própria.

A estratégia vem produzindo resultados. A companhia encerrou 2025 com arrecadação de R$ 3,5 bilhões e lucro líquido recorde de R$ 423 milhões, alta de 36% em relação ao ano anterior.

Hoje, tem 7,6 milhões de clientes e administra R$ 979 bilhões em capital segurado. Nos últimos cinco anos, cresceu, em média, 18,7% ao ano — praticamente o dobro do ritmo do mercado segurador brasileiro, que cresce, em média, de 8% a 10% ao ano.

"Temos conseguido manter um bom ritmo de crescimento, apesar de sermos uma empresa muito tradicional", afirma Leonardo Lourenço, vice-presidente do Grupo MAG. "Uma empresa só tem sucesso de longo prazo se tiver capacidade de adaptação muito alta. Não existem processos burocráticos na casa que nos prendam ao crescimento que queremos obter".

Como a MAG nasceu, cresceu e segue crescendo

Fundada em 1835, ainda durante o período imperial, a MAG nasceu como Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado, criada para amparar as famílias de funcionários públicos civis e militares em caso de morte do provedor. A instituição é considerada a primeira entidade oficial de previdência social do Brasil e hoje figura entre as três empresas mais antigas do país em operação ininterrupta.

Ao longo de quase dois séculos, a companhia atravessou o Império, a Proclamação da República, duas guerras mundiais, sucessivas crises econômicas e diferentes moedas brasileiras. Seu acervo histórico, que documenta o surgimento e a evolução da previdência privada no país, foi reconhecido pela UNESCO no programa Memória do Mundo por seu valor documental.

A empresa passou por seu principal ponto de inflexão em 2005. Até então, atuava prioritariamente junto ao funcionalismo público, oferecendo produtos de morte, invalidez e previdência. Naquele ano, redesenhou sua estratégia, abriu a operação para novos canais de distribuição e passou a atuar de forma mais ampla no mercado privado. Desde então, segundo Lourenço, a companhia dobrou de tamanho a cada quatro anos.

"Em 2005, redesenhamos a companhia toda. Desde então, a empresa dobrou de tamanho a cada quatro anos", afirma Lourenço.

Em 2009, a seguradora deu outro passo importante ao formar uma joint venture com a holandesa Aegon, um dos maiores grupos seguradores do mundo. Segundo o executivo, a parceria acelerou a digitalização da empresa e permitiu incorporar tecnologias e modelos de negócio desenvolvidos em outros países.

Nos anos seguintes, o grupo também criou novas frentes de atuação, como a Simple2u, seguradora digital de produtos sob demanda, e a MAG Capitalização.

Hoje, o conglomerado reúne operações em seguros, investimentos, capitalização e serviços financeiros.

Como a MAG cresce mais do que o setor

A aposta da MAG acontece em um mercado que continua crescendo, embora em ritmo moderado. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da Confederação Nacional das Seguradoras (CNS) mostram que o setor segurador brasileiro vem registrando expansão anual abaixo de dois dígitos, em torno de 8% a 10% nos últimos anos, dependendo do segmento.

Para a MAG, esse cenário representa oportunidade.

"O mercado se movimentou muito. Seguro deixou de ser apenas uma cobertura para morte ou invalidez. Hoje ele está inserido em uma discussão muito mais ampla de planejamento financeiro", afirma Lourenço.

Segundo ele, temas como sucessão patrimonial, reposição de renda, longevidade, saúde e acumulação de riqueza passaram a fazer parte da conversa entre seguradoras e clientes. Uma das teses da companhia é que o seguro de vida deixou de ser um produto associado apenas à morte.

O envelhecimento da população e as transformações na previdência social vêm aproximando o mercado de seguros de outras áreas, como saúde e gestão patrimonial.

"A longevidade deixou de ser uma pauta de pessoas mais velhas. Agora é uma pauta de qualquer pessoa, do jovem ao mais velho", afirma o executivo.

Segundo ele, a redução gradual da capacidade de cobertura assistencial do Estado aumenta a necessidade de proteção privada e planejamento financeiro.

"O mercado de seguro de vida vem se aproximando muito do mercado de saúde. Os dois mercados tendem a se cruzar cada vez mais."

A empresa mantém há anos o Instituto de Longevidade MAG, dedicado a estudos e debates sobre envelhecimento populacional, previdência e planejamento financeiro. Agora, o grupo está reposicionando o instituto para dialogar também com públicos mais jovens.

Como a MAG quer crescer no digital sem abandonar o físico

Talvez o movimento mais contraintuitivo da MAG seja sua expansão territorial.

A companhia começou o ano com 39 unidades comerciais. Atualmente, já possui 57 e pretende chegar a 100 praças até o fim de 2026.

As novas operações não são franquias. Todas as unidades são próprias. 

"A gente acredita muito que o mercado de seguros, especialmente o de vida, vai se digitalizar em muitos processos, mas a figura humana sempre será necessária", afirma Lourenço.

A principal distribuição da empresa acontece por meio de corretores autônomos. Hoje, a companhia conta com cerca de 12 mil corretores recebendo comissões e mais de 850 parceiros de negócios, entre bancos, plataformas de investimento, associações e escritórios independentes.

"Essa é uma empresa de pessoas para pessoas. A tecnologia aumenta o lado humano, mas não o substitui."

A definição das novas unidades é feita por meio de modelos estatísticos que analisam crescimento regional, capacidade de consumo e potencial de distribuição.

Segundo a empresa, a expansão deve gerar um aumento de 25% nas vendas.

Como a MAG usa inteligência artificial

Ao mesmo tempo em que amplia sua presença física, a MAG está aprofundando o uso de inteligência artificial.

A empresa criou o programa MAGIA — sigla para MAG Inteligência Artificial —, que reúne iniciativas em dados, engenharia e capacitação dos profissionais.

Hoje, quase metade das propostas de seguros recebidas pela companhia já é analisada por inteligência artificial.

"Cerca de 50% das propostas de seguro que chegam à casa são analisadas por inteligência artificial. Já não existe um analista olhando para aquele questionário e para aquele volume de informações."

Em alguns casos, pedidos de indenização relacionados a cirurgias são analisados e pagos no mesmo dia.

"Recebemos um pedido de indenização de manhã e pagamos essa indenização à tarde."

A companhia também testa ferramentas capazes de transformar conversas entre corretores e clientes em estudos personalizados de produtos e simulações de proteção financeira. Na central de atendimento, algoritmos de análise de sentimento ajudam a direcionar clientes para especialistas mais adequados ao contexto de cada ligação.

"Todo esse lado humano aumentado pelas inteligências artificiais é o que estamos buscando agora."

Novos mercados

Outra aposta é a ampliação do ecossistema financeiro.

Em 2020, o grupo criou a MAG Finanças. Em 2025, a fintech recebeu autorização para operar como participante direto do Pix, tornando-se uma das poucas seguradoras brasileiras com acesso direto à infraestrutura do sistema de pagamentos instantâneos.

A companhia também tem investido em modelos de distribuição ligados ao chamado embedded insurance, modalidade em que seguros são incorporados a outras jornadas de consumo, como viagens, transporte e serviços digitais.

A expectativa é que esse tipo de proteção ganhe relevância nos próximos anos.

"O digital trouxe um outro mercado. Você consegue conectar a proteção ao estilo de vida das pessoas. Isso é uma coisa muito nova que a tecnologia permitiu."

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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