Seguro-desemprego nos EUA e discursos do BCE e Fed: o que move os mercados

O mercado brasileiro entra em compasso de espera nesta quinta-feira, 4, devido ao feriado de Corpus Christi. Com a B3 fechada, investidores locais acompanham os desdobramentos do cenário internacional após uma sessão marcada por forte aversão ao risco, que derrubou o Ibovespa e elevou as taxas futuras de juros no Brasil.
A agenda doméstica é esvaziada, mas não totalmente vazia. Além da divulgação de uma pesquisa do Instituto Paraná sobre a disputa eleitoral pelo governo do Rio de Janeiro, o Tesouro Nacional realiza leilão de NTN-F e LTN, uma referência importante para o mercado de renda fixa.
As negociações na bolsa brasileira, no entanto, permanecem suspensas durante todo o dia. Segundo a B3, não haverá operações nos mercados de ações, fundos imobiliários, ETFs, BDRs, derivativos e renda fixa privada, nem atividades de registro, compensação, liquidação e movimentação de garantias. As atividades retornam normalmente nesta sexta, 5.
Com os mercados brasileiros fechados, o foco dos investidores se volta para os indicadores internacionais, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, em um momento em que as expectativas sobre os juros americanos seguem no centro das atenções.
O que acompanhar no exterior
O principal destaque da agenda americana será a divulgação dos pedidos iniciais de seguro-desemprego referentes à semana encerrada em 29 de maio. Na semana anterior, o indicador mostrou 215 mil solicitações.
No mesmo horário, serão divulgados os dados finais de produtividade da mão de obra e de custo unitário do trabalho do primeiro trimestre. Os números são observados de perto pelo mercado porque ajudam a medir o grau de aquecimento da economia e as pressões inflacionárias vindas do mercado de trabalho, fatores relevantes para as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
Ao longo da tarde, investidores também acompanharão um discurso de Mary Daly, presidente do Fed de São Francisco, em busca de sinais sobre a avaliação da autoridade monetária em relação à inflação e aos próximos passos dos juros americanos.
Na Europa, a agenda começa cedo com dados preliminares de inflação na Suécia e na Suíça referentes a maio. Mais tarde, a Eurostat divulga as vendas no varejo da zona do euro de abril, indicador importante para medir o ritmo de consumo da região.
Os investidores também acompanham uma participação pública da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, em um evento que pode trazer novas sinalizações sobre o cenário econômico europeu.
Mercados vêm de sessão de forte correção
A agenda internacional ganha ainda mais relevância após a forte correção observada nos mercados na véspera.
O Ibovespa encerrou na véspera, 3, com queda de 2,22%, aos 170.330 pontos, pressionado pelo aumento da aversão ao risco global. O mercado reagiu à escalada das tensões no Oriente Médio, ao avanço dos preços do petróleo, às novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos contra parceiros comerciais — incluindo o Brasil — e à revisão das expectativas para os juros.
O dólar à vista avançou 1,15%, encerrando o dia a R$ 5,067, enquanto os juros futuros renovaram máximas intradiárias de 2026.
Nos Estados Unidos, as bolsas também devolveram parte dos ganhos recentes. O Dow Jones caiu 1,21%, o S&P 500 recuou 0,74% e o Nasdaq perdeu 0,89%, em meio às preocupações com o conflito no Oriente Médio e à repercussão do Livro Bege do Fed.
Para esta quinta, mesmo sem o pregão brasileiro, o noticiário internacional continuará sendo o principal termômetro para os investidores.
