Selic a 13,25% em 2026? BofA vê economia esfriando mais rápido e amplia cortes
O Bank of America revisou suas projeções para a Selic e agora espera um ciclo de cortes de juros mais intenso no Brasil, diante de sinais de que a economia está desacelerando mais rapidamente do que o banco previa. Em relatório divulgado recentemente, os estrategistas David Beker, Natacha Perez e Gustavo Mendes reduziram a estimativa […]

O Bank of Americarevisou suas projeções para a Selic e agora espera um ciclo de cortes de juros mais intenso no Brasil, diante de sinais de que a economia está desacelerando mais rapidamente do que o banco previa.
Em relatório divulgado recentemente, os estrategistas David Beker, Natacha Perez e Gustavo Mendes reduziram a estimativa para a taxa básica de juros no fim de 2026 de 13,75% para 13,25%. Para o final de 2027, a projeção caiu de 12,75% para 11,25%. A estimativa para 2028 também foi ajustada, de 11,75% para 11,25%.
A mudança é significativa principalmente para o próximo ano. O BofA agora espera cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual em todas as reuniões até dezembro de 2027. No cenário anterior, o banco projetava que, após os cortes de 2026, a flexibilização monetária só seria retomada no segundo semestre de 2027.
“A economia brasileira está desacelerando mais rapidamente do que esperávamos”, afirmaram os analistas. Segundo o banco, indicadores de atividade mais fracos, inflação em desaceleração e perda de força do crédito estão abrindo espaço para juros menores, embora os riscos fiscais e externos ainda permaneçam no radar.
Economia perde força
Um dos principais motivos para a mudança de cenário está na atividade econômica. O BofA também reduziu sua projeção para o crescimento do PIB brasileiro de 2,3% para 1,8% em 2026 e de 1,3% para 0,9% em 2027.
Para o banco, apesar de o resultado agregado do PIB do segundo trimestre ter parecido sólido, a composição mostrou uma economia mais fraca. Toda a expansão pelo lado da demanda veio da acumulação de estoques, que contribuiu com 0,9 ponto percentual, enquanto a demanda final retirou cerca de 0,4 ponto percentual do crescimento.
O consumo privado também recuou 0,4% no trimestre, mesmo diante das medidas de estímulo adotadas pelo governo.
Os dados mais recentes reforçam essa percepção. O BofA destaca a queda de 0,6% do IBC-Br em junho, além da fraqueza observada anteriormente na produção industrial, no varejo e nos serviços. Para o terceiro trimestre, os indicadores acompanhados pelo banco apontam para uma nova perda de ritmo da atividade.
Inflação ajuda, mas fiscal ainda é risco
A inflação é outra peça importante para a nova projeção de juros. O banco já havia reduzido sua estimativa para o IPCA de 2026 de 5,5% para 5%, após resultados mais benignos. Desde então, segundo os analistas, a inflação continuou evoluindo favoravelmente, com novas surpresas para baixo e desaceleração das medidas subjacentes.
O crédito também começa a perder força. Segundo o BofA, o financiamento às empresas desacelera desde meados de 2025, enquanto o elevado endividamento das famílias sugere que o impulso do crédito sobre o consumo pode estar se esgotando.
Apesar do cenário mais favorável aos cortes, o banco alerta que o caminho da Selic não está livre de obstáculos. Entre os riscos estão eventuais choques de inflação, mudanças nos preços dos combustíveis, efeitos da reforma tributária e, principalmente, a condução da política fiscal após as eleições.
Sem maior disciplina fiscal e medidas para conter o avanço das despesas obrigatórias, o BofA avalia que a demanda pode permanecer mais forte, dificultando a convergência da inflação e, consequentemente, reduzindo o espaço para o Banco Central cortar os juros.
No ambiente externo, uma postura mais restritiva dos bancos centrais das economias desenvolvidas também poderia pressionar o real e retardar a desinflação. Ainda assim, para o BofA, atividade, inflação e fiscal serão os principais fatores para determinar os próximos passos do BC.
