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Sacre Investimentos
InvestMercadosFII
06/08/2026
6 min

Selic a 14%: como ficam seus investimentos em ações, fundos e renda fixa

Embora a taxa básica de juros tenha caído para 14%, a recomendação é evitar mudanças bruscas e aproveitar oportunidades de forma gradual

Selic a 14%: como ficam seus investimentos em ações, fundos e renda fixa

Em decisão amplamente esperada pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 14,25% para 14% ao ano, promovendo o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual no ano. A mudança, embora pequena, afeta diretamente o bolso de quem investe, ou pretende começar a investir.

Isso porque a Selic é o principal referencial, benchmark no jargão do mercado financeiro brasileiro, e serve de base para o rendimento de diversas aplicações, especialmente as de renda fixa, além de influenciar o preço das ações, dos fundos e o custo de financiamento das empresas.

Apesar do novo corte, especialistas avaliam que ainda não há uma mudança significativa no cenário para justificar uma grande alteração de carteira.

Osjuros permanecem em um patamar historicamente elevado e continuam oferecendo retornos atrativos na renda fixa. Ao mesmo tempo, a Bolsa brasileira segue negociando a preços considerados descontados, o que mantém oportunidades para investidores com horizonte de longo prazo.

Bolsa continua barata, mas mercado olha mais para os juros futuros

Para quem investe em ações, a redução de 0,25 ponto percentual na Selic, isoladamente, não muda a tese de investimento. Segundo João Daronco, analista da Suno Research, o mercado de renda variável reage muito mais às expectativas para os juros futuros do que ao nível da taxa básica no momento.

"O mercado não está olhando o juro corrente. Ele está olhando o juro futuro, o que está sendo precificado na curva. Muito mais importante do que a queda de 0,25 ponto é o comunicado do Copom e o que ele sinaliza para a trajetória dos juros", afirmou.

Por isso, segundo ele, amigração mais intensa da renda fixa para a Bolsa deve acontecer apenas quando a Selic cair de forma mais consistente. "Abaixo de 10%, podemos ver um fluxo muito maior de investidores de pessoa física para a Bolsa."

Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial, concorda que o impacto imediato é limitado. Para o especialista, o mais importante é saber se o Banco Central dará continuidade ao ciclo de cortes. "O corte de 25 pontos-base é pequeno e muda pouco para quem já investe em ações. Mais relevante do que a decisão em si é a sinalização sobre haver ou não novos cortes nos próximos meses".

Apesar dos juros elevados, tanto a XP Investimentos quanto a Eleven avaliam que a Bolsa brasileira continua barata. Em relatório no início desta semana, a XP afirma que boa parte do cenário de "juros altos por mais tempo" já está precificada nas ações, o que melhorou o prêmio de risco da renda variável.

A corretora destaca que os setores cíclicos domésticos aparecem entre os mais atrativos e mantém projeção de 200 mil pontos para o Ibovespa ao fim de 2026. Mesmo com a volatilidade esperada durante o período eleitoral, a XP avalia que o risco de novas quedas é limitado porque o mercado já embute um cenário bastante pessimista.

Na visão de Siqueira, embora as ações negociem a preços atrativos em relação ao histórico, ainda falta um gatilho para uma valorização mais consistente. Por isso, a recomendação é privilegiar empresas maiores, pouco endividadas e boas pagadoras de dividendos, sem abandonar completamente a renda variável.

Entre os setores que tendem a se beneficiar de um ciclo de queda de juros, Daronco destaca construção civil, varejo e empresas mais endividadas, que podem reduzir suas despesas financeiras. Ainda assim, ele recomenda seletividade. "O grande ponto é o que comprar. Não comprar a Bolsa como um todo, mas bons ativos, com riscos limitados e uma diversificação saudável para o perfil do investidor".

Para o analista, renda fixa e renda variável continuam tendo papéis complementares na carteira. "Não acredito que sejam excludentes. Elas são complementares".

Fundos: mudança deve ser gradual, não abrupta

Nos fundos de investimento, o consenso entre especialistas é que o novo corte da Selic não altera significativamente a estratégia dos investidores.

Para Davi Garcia, especialista em investimentos do Sistema Ailos, os fundos de renda fixa pós-fixados continuam sendo a principal escolha para perfis conservadores. "Os fundos DI, Selic e referenciados continuam extremamente competitivos e devem seguir como a espinha dorsal da carteira conservadora".

Ao mesmo tempo, o especialista vê espaço para uma diversificação gradual. Segundo Garcia, o investidor pode começar a alongar a carteira com fundos que investem em títulos prefixados e indexados à inflação, buscando tanto o rendimento contratado quanto eventuais ganhos de marcação a mercado.

Ele também considera que uma pequena parcela pode ser destinada a fundos de crédito privado de boa qualidade, capazes de oferecer retorno adicional sobre o CDI sem assumir riscos excessivos. Mesmo para quem pretende aumentar exposição a fundos de ações ou multimercados, Garcia recomenda cautela.

"Uma redução de 0,25 ponto percentual, isoladamente, não muda de forma significativa a alocação estratégica". Investidores com maior apetite ao risco podem fazer esse movimento aos poucos, privilegiando fundos com empresas consolidadas, pouco endividadas e boas pagadoras de dividendos, avalia.

"O investidor consciente nunca faz uma mudança abrupta na carteira. Ele define o percentual de cada classe de ativos e realiza rebalanceamentos ao longo do tempo".

Nos fundos de crédito privado, a recomendação também é priorizar segurança. Garcia defende preferência por carteiras compostas por ativos high grade, com boa diversificação e gestão ativa. "O investidor jamais deve abrir mão da qualidade dos emissores em busca de um spread mais alto".

Otavio Faria, analista de renda fixa da Eleven Financial, faz avaliação semelhante. Segundo o especialista, o momento favorece fundos conservadores com aplicações em títulos públicos e papéis de empresas de primeira linha. "Em um cenário como esse, segurança, risco e precaução se tornam mais importantes do que buscar ganhos muito acima do CDI".

Na visão de Faria, os fundos de curto prazo também oferecem maior flexibilidade para eventuais mudanças no cenário macroeconômico.

Renda fixa segue forte, mas carteira equilibrada continua sendo a estratégia

Mesmo após o corte da Selic, arenda fixa continua sendo o principal pilar das carteiras. Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, afirma que os ativos pós-fixados seguem como o núcleo da estratégia enquanto os juros permanecerem em dois dígitos.

"O pós-fixado é o núcleo enquanto a Selic estiver em dois dígitos, porque remunera bem sem exigir acerto de cenário".

Rizzo considera que os títulos atrelados à inflação continuam sendo importantes para proteção patrimonial, especialmente diante de uma inflação ainda acima da meta, enquanto os prefixados exigem maior convicção de que os juros cairão mais do que o mercado já espera.

Na avaliação do head da Multiplike, a renda fixa hoje oferece um retorno elevado, mas isso não elimina o papel dos ativos de risco. "A renda fixa define o piso do retorno da carteira, não o seu teto."

Na mesma linha, Gustavo Assis, CEO da Asset, afirma que não existe um único investimento vencedor. Segundo ele, os pós-fixados continuam funcionando como "porto seguro", os prefixados podem gerar ganhos caso os juros futuros caiam além do esperado, enquanto os títulos indexados à inflação permanecem estratégicos para objetivos de longo prazo.

"Na prática, o cenário atual favorece uma carteira equilibrada: liquidez em pós-fixados, oportunidade em prefixados quando houver prêmio adequado e proteção de longo prazo com ativos reais".

AutorClara Assunção
FonteExame
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