Selic: BBDC4 lucra R$ 2,2 bi e SANB11 perde R$ 2,6 bi com taxas nas alturas, calcula UBS BB; veja impacto para outras ações
A velha máxima de que bancos gostam de juros altos nem sempre é verdadeira. Um relatório extenso do UBS BB sobre a sensibilidade das grandes instituições à Selic mostra que, no geral, elas mais perdem do que ganham com a disparada dos juros. O Santander (SANB11), por exemplo, está entre os mais afetados. Segundo os […]

A velha máxima de que bancos gostam de juros altos nem sempre é verdadeira. Um relatório extenso do UBS BB sobre a sensibilidade das grandes instituições à Selicmostra que, no geral, elas mais perdem do que ganham com a disparada dos juros.
O Santander (SANB11), por exemplo, está entre os mais afetados. Segundo os cálculos dos analistas, o banco deverá sofrer um impacto de R$ 2,6 bilhões nas margens de mercado em 2026 por causa das taxas elevadas.
O Brasil já passa por um ciclo de corte de juros, com a Selic tendo recuado de 15% para 13,75%. O patamar, porém, ainda é considerado elevado.
Por outro lado, o Bradesco (BBDC4) parece ter feito a lição de casa. Nos cálculos do UBS BB, o bancão pode lucrar R$ 2,2 bilhões com os juros mais altos — R$ 1,2 bilhão apenas no primeiro semestre de 2026.
O banco saiu bastante machucado quando os juros dispararam de 2% para 13,75%, entre 2021 e 2022, ainda durante a pandemia de Covid-19.
Para 2027, o UBS BB projeta uma margem de mercado de R$ 2,2 bilhões para o Bradesco, estável em relação ao ano anterior. Para o Santander Brasil, a previsão é de uma margem de R$ 800 milhões, ante um prejuízo de R$ 2,6 bilhões esperado para 2026.
Bancos mais perdem do que ganham
Apesar disso, os bancos tendem a se beneficiar de uma queda da Selic. Isso ocorre porque uma parcela relevante dos empréstimos é corrigida ou precificada de acordo com os juros.
Assim, uma redução da Selic ajuda a diminuir os custos de financiamento e pode ter efeito positivo sobre a margem líquida de juros dos clientes.
Ainda segundo o UBS BB, a relação entre as taxas cobradas nos empréstimos empresariais e a Selic é mais forte do que no crédito destinado às pessoas físicas.
Para os consumidores, o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras deve limitar uma expansão mais expressiva do crédito, mesmo diante de um ambiente macroeconômico mais favorável.
Na margem financeira, o impacto inicial também tende a ser positivo. A reprecificação dos passivos dos bancos ocorre mais rapidamente do que a dos ativos, favorecendo a receita líquida de juros no curto prazo.
Esse benefício, porém, pode ser parcialmente reduzido pela maior concorrência entre as instituições, que tende a pressionar os spreads à medida que os bancos buscam ampliar sua participação de mercado.
Os grandes ganhadores
Nesse cenário, o UBS BB destaca dois grandes beneficiários: XP (XP) e BTG Pactual (BPAC11).
No caso da XP, o banco avalia que a corretora tende a apresentar maior sensibilidade a um cenário de juros significativamente mais baixos.
Os analistas destacam ainda a alavancagem operacional da companhia e sua maior exposição a investimentos de maior risco.
“Nesse ambiente, a queda dos juros poderia favorecer o fluxo líquido de recursos, a taxa de comissão — em razão da composição da carteira — e a relação entre custos e receitas.”
O relatório também não descarta uma valorização a mercado de títulos corporativos, em movimento oposto ao observado pela companhia no primeiro semestre de 2026.
Para o BTG Pactual, o efeito de uma melhora do ambiente macroeconômico tende a ser mais moderado.
O negócio de empréstimos, que representou 37% da receita bruta da instituição no primeiro semestre de 2026, poderia se beneficiar de uma redução do custo de risco e de juros um pouco menores.
Câmbio também favoreceria o Nubank
O cenário alternativo considerado pelo UBS BB prevê ainda uma valorização do real frente ao dólar, com uma taxa de câmbio de R$ 5,15 por dólar ao fim de 2027 e de R$ 5,20 ao fim de 2028.
Esses níveis representariam uma valorização de aproximadamente 3% a 4% do real em relação ao cenário-base da instituição.
O movimento seria particularmente relevante para o Nubank, que divulga seus resultados em dólares e tem grande participação de investidores internacionais.
Além do efeito cambial, a instituição avalia que um ambiente macroeconômico mais favorávelorável poderia beneficiar o crescimento do crédito e o resultado financeiro do banco.
