Selic em 12,75%? UBS diz que este número esconde dois cenários e que taxa de juros não dependerá de PIB nem de inflação

O UBS projeta que a taxa Selic encerrará 2026 em 12,75%, uma das estimativas mais baixas entre as grandes instituições financeiras. Mas, segundo o economista-chefe do banco para Brasil, Alexandre Ázara, essa projeção não representa o cenário que a casa considera de fato mais provável.
Em entrevista ao Money Times, ele afirmou que os 12,75% são apenas uma média estatística entre dois desfechos possíveis para a economia brasileira após as eleições: um com ajuste fiscal e outro sem correção das contas públicas.
Na prática, o economista afirma que a Selic dificilmente terminará exatamente em 12,75%. Se houver um ajuste fiscal considerado crível pelo mercado, o Banco Central teria espaço para acelerar o ciclo de cortes de juros. Caso contrário, o processo de afrouxamento monetário deve ser interrompido.
“O cenário-base é a média de dois cenários possíveis. Se você me disser quem ganha a eleição, eu te digo qual é o cenário”, afirmou.
Segundo ele, a projeção agregada existe porque o mercado exige um único número para o fim do ano, mas o banco trabalha internamente com dois caminhos bastante distintos.
Na visão do UBS, o principal determinante da política monetária deixou de ser inflação ou atividade econômica. O fator decisivo passou a ser a condução da política fiscal pelo próximo governo.
“Não são inflação nem crescimento que vão determinar o caminho da Selic depois da eleição. É a decisão de fazer ou não fazer um ajuste fiscal”, disse Ázara.
Segundo ele, um cenário sem ajuste fiscal faria o Banco Central interromper os cortes de juros, enquanto a taxa de câmbio se depreciaria, as expectativas de inflação voltariam a subir e o país poderia entrar em recessão.
Já um ajuste suficientemente robusto abriria espaço para cortes mais intensos da Selic, inclusive de 0,50 ponto percentual por reunião.
O economista afirmou que, para tornar esse cenário possível, seria necessário um superávit primário de aproximadamente 1,5% do PIB, mas afirmou que ainda não é possível dizer como esse resultado seria alcançado ou qual governo teria condições políticas para implementá-lo.
No curto prazo, o UBS continua vendo espaço para mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic. Para além disso, porém, o banco avalia que o destino dos juros dependerá muito menos dos próximos indicadores econômicos e muito mais das decisões fiscais que forem tomadas após a definição do próximo governo.
