Selic em 14%, dólar a R$ 5 e Lula favorito: O cenário da MAG Investimentos para o Brasil, segundo o gestor

Inflação em 5%, taxa Selic a 14%, dólar em R$ 5 e reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esse é o cenário-base traçado para o Brasilno fim de 2026 por Claudio Pires, sócio-diretor da MAG Investimentos, gestora com cerca de R$ 20 bilhões sob custódia.
Em encontro com jornalistas realizado nesta quinta-feira (28), em São Paulo, o executivo afirmou que o mercado financeiro ainda trabalha com juros elevados por um período bastante prolongado, diante de um cenário marcado por pressão inflacionária, incertezas fiscais e turbulências no ambiente global.
Segundo o gestor, o Banco Central (BC) até iniciou o ciclo de cortes da Selicneste ano, mas o espaço para novas reduções ficou mais limitado após a piora do ambiente internacional — tanto na esfera geopolítica quanto na monetária.
“O mundo inteiro está discutindo alta de juros. Europa deve subir, Japão deve subir, Austrália está subindo. Fazer um ciclo contrário ao do mundo é sempre mais desafiador”, disse Pires.
De acordo com ele, o fluxo global de capital tende a favorecer países com taxas mais elevadas, o que exige cautela adicional do BC brasileiro para evitar saída de recursos e pressão sobre o câmbio.
“Quem está em movimento de alta de juros acaba atraindo dinheiro, enquanto quem está reduzindo juros acaba perdendo dinheiro. Esse é outro risco que o Banco Central tem que monitorar”, afirmou.
A MAG Investimentos avalia que o Copomainda teria espaço para mais uma ou duas reduções de 0,25 ponto percentual na Selic este ano, embora avalie o ambiente como “incerto”. Hoje, cabe lembrar, a taxa básica está em 14,5%.
“A inflaçãoestá vindo pior do que o mercado projetava, enquanto a atividade econômica está vindo mais forte. Ele [BC] tem que ser cauteloso nos próximos movimentos.”
Juros altos não são suficientes
Pires defendeu, porém, que a política monetária sozinha não será suficiente para reduzir os juros estruturais do Brasil. Segundo ele, uma melhora do quadro fiscal será necessária para permitir uma queda mais consistente das taxas futuras.
“Quando o fiscal for tratado de forma diferente, o mercado vai precificar uma curva de juros menor. Não adianta um [Banco Central] puxar para um lado e outro [governo federal] puxar para outro”, pontuou.
O gestor também chamou atenção para o impacto do cenário eleitoral de 2026 sobre os ativos brasileiros. Em sua visão, parte do fluxo estrangeiro que entrou no país no início deste ano — levando o Ibovespaa se aproximar dos 200 mil pontos — considerava a possibilidade de alternância de poder.
“O que trouxe capital para o Brasil foi diversificação de portfólio. O investidor queria comprar menos Estados Unidos”, afirmou.
“Mas, além disso, eles [gringos] tinham o pensamento de ganhar ainda mais se houvesse alternância de governo”, acrescentou.
“O estrangeiro olha para a eleição. É como se ele estivesse alocando capital no país e pudesse receber um ‘bônus’ de ter um governo mais responsável fiscalmente lá na frente.”
A derrapada da oposição
O executivo da MAG ressaltou, contudo, que acredita em uma eventual reeleição do presidente Lula. Segundo ele, a avaliação, que antes estava “meio a meio”, mudou após “derrapadas da oposição”.
“O nosso cenário-base era quase uma moeda para cima. De 50% a 50% [de chance para cada lado]”, disse.
“Mas nosso cenário hoje é que não haja troca de governo, olhando as pesquisas atuais. Eu acho que a oposição deu várias derrapadas”, prosseguiu.
Dólar e PIB
Quanto ao câmbio, o executivo pontuou que, apesar da volatilidade recente, a MAG mantém projeção de um dólarem R$ 5 no fim de 2026.
De acordo com Pires, os juros elevados ajudam a sustentar o real, embora o cenário macroeconômico limite uma valorização mais expressiva da divisa brasileira.
“A gente está acostumado a olhar o dólar porque é a principal moeda, mas quando olhamos o real contra outras moedas de mercados emergentes, principalmente na América do Sul, o comportamento está muito em linha com os pares”, afirmou.
“O cenário-base é de R$ 5 para este ano. Isso porque os juros mais altos ajudam a valorizar a moeda, embora esse turbilhão macroeconômico local e global não deixe valorizar tanto.”
O gestor pontuou também que, mesmo com a Selic elevada, a MAG não vê desaceleração significativa da economia brasileira no curto prazo.
A casa projeta crescimento próximo de 2% para o PIB, apoiado, segundo Pires, pelo consumo e por medidas de estímulo adotadas pelo governo federal.
“O governo tem atuado para evitar a desaceleração da atividade em ano eleitoral”, afirmou, ao citar medidas como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mile incentivos para motoristas de aplicativo comprarem carros novos.
“Você vê várias ações no sentido de evitar soluços de atividade econômica. Mas não é característica deste governo, é a característica dos nossos políticos de forma geral. Em ano eleitoral, está todo mundo preocupado com o que vai acontecer em outubro.”
