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Sacre Investimentos
Economia
04/06/2026
4 min

Selic vai estacionar em 14% ao ano? XP espera um novo cabo de guerra do Banco Central contra a inflação no Brasil

Selic vai estacionar em 14% ao ano? XP espera um novo cabo de guerra do Banco Central contra a inflação no Brasil

O plano de cortar a taxa básica de juros do Brasil ao longo do ano sofreu um revés importante. Com a inflação dando sinais de repique e resistência, a XP revisou suas projeções e agora espera que a taxa Selic encerre 2026 em 14% — apenas um ponto percentual abaixo de onde estava antes do início dos cortes.

A projeção anterior era de 13,75%, porém, já tinha sido muito menor antes da guerra entre Estados Unidos e Irã, de 12%.

Na prática, a nova expectativa significa apenas mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, seguidos de uma pausa por tempo indeterminado para a avaliação do cenário econômico local e global.

Para a XP, o problema não está concentrado na guerra no Oriente Médio, que se estende além do previsto inicialmente, e no choque do preço do petróleo. Há também:

  1. As pressões inflacionárias sobre componentes voltados à inteligência artificial;
  2. Escassez de produtos agrícolas com a chegada de um El Niño severo; e
  3. Medidas domésticas de estímulo fiscal e expansão de crédito.

Diante deste cenário, a única arma a postos para o Banco Central tentar conter a subida de preços é a taxa Selic.

A XP estima que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador de preços oficial do Brasil, deve fechar 2026 em 5,5%. Anteriormente, a previsão era de 5,3%. Um pouco mais atrás, antes da guerra, era de 4%.

  • LEIA TAMBÉM: O que vai acontecer com a taxa Selic? Como a expectativa de inflação acima de 5% pode mexer com os juros

Onde a inflação está pesando mais?

O aumento do custo de vida não é uniforme, mas atinge setores vitais da economia.

O relatório da XP destaca que a prévia da inflação de maio (IPCA-15) foi a mais alta para o mês desde 2016. Três frentes preocupam os analistas:

  • No prato: o fenômeno climático El Niño deve encarecer os alimentos em 7,2% em 2026, com destaque para carnes e hortifruti.
  • Nos serviços: com o mercado de trabalho aquecido e o desemprego em níveis baixos, o custo de serviços (como lazer e educação) deve subir 6%.
  • No transporte: apesar de alívios temporários com os subsídios do governo, a projeção para o ano ainda é de alta de 6,5% na gasolina e 13,5% no diesel, refletindo o novo patamar do petróleo no mundo.

Problema global

Esse aumento de preços tem sua raiz longe do Brasil. A guerra no Oriente Médio mantém a cotação do petróleo elevada (cerca de US$ 100 o barril), piorando o preço de seus derivados: desde combustíveis até fertilizantes e componentes plásticos.

Além disso, a corrida global pela inteligência artificial faz disparar a demanda por componentes eletrônicos, encarecendo produtos industrializados como computadores e celulares.

Internamente, o governo injetou cerca de R$ 200 bilhões em estímulos na economia por meio de subsídios.

Embora isso mantenha o consumo alto, também gera o que os economistas chamam de "inércia": a inflação de hoje impulsiona a de amanhã, e se retroalimenta da expectativa futura.

Por isso, a XP acredita que o Banco Central precisará ser mais conservador se quiser controlar essa nova onda de aumento dos preços. Os juros em 14% gerariam uma quebra de expectativas que pode ajudar a conter a inércia.

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Uma ajuda do câmbio

A situação só não é pior graças a valorização do real.

A moeda brasileira tem conseguido sustentar uma valorização significativa em relação ao dólar. A alta se aproxima de 10% no ano e ajuda a baratear os produtos importados.

Neste momento, o câmbio se equilibra na faixa dos R$ 5,00. A XP mantém esse valor como a projeção para fechamento do ano, embora espere que no período eleitoral tenha mais volatilidade.

Já o alívio para os juros ficou contratado para o futuro. A expectativa é que, se o novo governo sinalizar um controle maior de suas contas (ajuste fiscal), possa haver espaço para quedas mais significativas da Selic em 2027.

AutorMonique Lima
FonteSeu Dinheiro
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