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Mundo
21/09/2026
3 min

Sem agenda oficial com Trump, Lula se reunirá com senador Bernie Sanders nos EUA

Em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, o presidente concentra seus compromissos em opositores de Trump

Sem agenda oficial com Trump, Lula se reunirá com senador Bernie Sanders nos EUA

Nova York — Lula desembarcou em Nova York na noite deste domingo, 20, acompanhado da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e sem falar com a imprensa.

Até o momento, não há reunião prevista com o presidente americano, Donald Trump. A novidade na agenda até então confirmada é um encontro com o senador americano Bernie Sanders, marcado para o fim da tarde desta segunda-feira, 21.

O encontro aproxima o petista de uma das principais lideranças da esquerda americana. Sanders é, há anos, um dos aliados mais constantes de Lula nos Estados Unidos, e a reunião reforça a interlocução do presidente com o campo progressista global, num momento de tensão entre Brasília e Washington.

Sanders não é o único adversário de Trump na curta agenda do brasileiro. O outro compromisso confirmado até agora é com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que também se opõe ao republicano.

Um apoio que vem de longe

A relação não nasceu agora. Em 2018 e 2019, com Lula preso em Curitiba, Sanders esteve entre os parlamentares americanos que assinaram cartas pela sua libertação, no movimento que ficou conhecido como "Free Lula".

O senador chegou a entregar pessoalmente um desses documentos em uma representação diplomática brasileira. E às vésperas da eleição de 2022, Sanders voltou a se mobilizar.

Apoiou, ao lado do senador Tim Kaine, uma resolução no Congresso em defesa da democracia brasileira, num momento em que crescia o temor de que o resultado das urnas não fosse respeitado.

Já em 2023, pouco depois da posse, recebeu Lula ao lado de outros progressistas americanos, antes da primeira visita do presidente à Casa Branca.

À época, análises na imprensa americana sustentaram que a pressão de setores dos Estados Unidos, de Sanders ao governo de Joe Biden, ajudou a blindar a transição de poder no Brasil.

Um reencontro em momento delicado

Nos últimos meses, parlamentares democratas saíram em defesa do Brasil. Em dezembro de 2025, um grupo de 50 deputados, incluindo nomes como Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar e Rashida Tlaib, enviou uma carta ao presidente americano criticando o uso de tarifas como instrumento de pressão sobre a democracia e a Justiça brasileiras.

Sanders não assinou aquela carta, mas seu histórico o alinha ao campo que mais tem reagido, nos Estados Unidos, às medidas de Trump contra o Brasil.

O encontro desta segunda ocorre justamente enquanto Lula prepara o discurso de abertura da Assembleia Geral, em que deve defender a soberania nacional e criticar, sem citar nomes, a interferência em eleições de outros países.

AutorLia Rizzo
FonteExame
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