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Sacre Investimentos
Economia
06/11/2026
4 min

Sem cortes: XP abandona previsão de queda da Selic até o fim de 2027 – e não descarta altas

A XP Investimentos retirou os cortes da Selic de seu cenário e passou a projetar a taxa básica de juros em 13,75% ao ano até o fim de 2027. Antes, a casa esperava juros de 13,25% no encerramento de 2026 e de 11,50% ao final do próximo ano. A revisão consta do relatório macroeconômico mensal […]

Sem cortes: XP abandona previsão de queda da Selic até o fim de 2027 – e não descarta altas

A XP Investimentos retirou os cortes da Selic de seu cenário e passou a projetar a taxa básica de juros em 13,75% ao ano até o fim de 2027. Antes, a casa esperava juros de 13,25% no encerramento de 2026 e de 11,50% ao final do próximo ano.

A revisão consta do relatório macroeconômico mensal divulgado nesta sexta-feira (6) e acompanha a avaliação de que a piora das expectativas de inflação exige uma política monetária mais restritiva do que a prevista anteriormente.

O novo cenário vem após o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper o ciclo de cortes e manter a Selic em 13,75% nesta semana. Até então, a XP esperava que a desaceleração da economia e o patamar já elevado dos juros permitissem a continuidade de reduções graduais.

“Agora, prevemos que a taxa Selic ficará inalterada no horizonte de projeção, que, desta vez, é particularmente curto”, afirma a equipe no relatório.

O que tirou os cortes da Selic do cenário da XP

Na avaliação da casa, o Banco Central enfrenta uma combinação de choques externos e deterioração das perspectivas domésticas. Os custos de energia pressionados e os juros elevados nas economias avançadas se somam à alta das expectativas de inflação no Brasil, inclusive para prazos mais longos.

A XP destaca que a última edição do Boletim Focus mostrou piora nas projeções de IPCA de 2026 a 2030. Para os anos mais distantes, as revisões chegaram a quase 0,50 ponto percentual.

No curto prazo, a equipe aponta riscos associados ao El Niño, às possíveis mudanças na jornada de trabalho, à reforma tributária e à defasagem dos preços dos combustíveis. Para o médio prazo, ganham peso as preocupações com a condução das contas públicas, que mantêm elevados os prêmios exigidos pelos investidores.

A própria XP elevou a previsão para o IPCAde 2027 de 4,4% para 5,5%. Para 2026, a estimativa passou de 5,1% para 5,2%.

O câmbio também será decisivo. Segundo a casa, a desvalorização do real amplia os efeitos dos choques globais sobre os preços e reflete, em parte, dúvidas sobre a gestão fiscal nos próximos anos. A projeção para o dólar subiu de R$ 5,00 para R$ 5,30 no fim de 2026 e de R$ 5,30 para R$ 5,50 no encerramento de 2027.

Caso a moeda brasileira continue perdendo valor, a avaliação é que o Copom poderá precisar apertar ainda mais a política monetária.

Economia fraca dificulta uma nova alta dos juros

Apesar das pressões inflacionárias, a XP considera elevada a barreira para uma nova alta da Selic. O contrapeso está na demanda doméstica, que já responde aos juros restritivos e ao endividamento elevado de empresas e famílias.

A casa reduziu a projeção de crescimento do PIBde 2027 de 1,0% para 0,3%. Para este ano, a estimativa caiu de 1,7% para 1,5%.

Nesse cenário, a economia deve passar a operar abaixo de seu potencial no segundo trimestre de 2027, um trimestre antes do esperado anteriormente. Esse movimento tende a aliviar as pressões sobre os preços.

A equipe também destaca que, no comunicado, o Copom classificou a Selic como substancialmente contracionista. Nas simulações da XP com o modelo do Banco Central, manter os juros em 13,75% levaria a inflação para perto da meta de 3% em seis trimestres, mantidas as demais hipóteses.

Por isso, a manutenção prolongada passou a ser o cenário central. A casa, porém, não vê uma direção claramente mais provável para a próxima mudança e avalia que os cortes podem voltar se os ativos brasileiros se estabilizarem e as perspectivas de inflação melhorarem. Uma nova alta também permanece possível, caso a evolução dos fundamentos exija uma resposta mais dura do BC.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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