Sem deflação: IPCA-15 deve voltar a subir em setembro; o que pode pesar no índice
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) deve voltar ao terreno positivo em setembro, depois de cair 0,40% em agosto. A mediana projetada pelo Broadcast projeta alta de 0,53%, enquanto o acumulado dos 12 meses deve ficar em 4,31%. Olhando para os grupos que compõem o índice, a Daycoval e a XP apontam […]

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) deve voltar ao terreno positivo em setembro, depois de cair 0,40% em agosto. A mediana projetada pelo Broadcast projeta alta de 0,53%, enquanto o acumulado dos 12 meses deve ficar em 4,31%.
Olhando para os grupos que compõem o índice, a Daycoval e a XP apontam a conta de luz como principal responsável pela virada.
Em agosto, o bônus de Itaipu reduziu temporariamente as faturas de energia elétrica. Sem o desconto, o item deve subir em setembro. Para a XP estima alta de 8,15%, após queda de 6,25% no mês anterior.
As passagens aéreas também devem voltar a pressionar o índice. A XP prevê aumento de 3%, depois de uma queda de 13,3% em agosto. Para o Daycoval, esse movimento deve acelerar a inflação de serviços.
O que o BC vai observar além da conta de luz?
O efeito da energia pode explicar boa parte da alta do IPCA-15, mas os serviços ajudarão a mostrar se a pressão sobre os preços é mais persistente.
O Daycoval espera que os itens intensivos em mão de obra continuem pressionados e vê risco de nova aceleração dos serviços subjacentes na comparação em 12 meses.
“Na variação interanual, o grupo deve inverter a trajetória de arrefecimento, constituindo desafio para o Banco Central”, afirma o banco em sua análise.
A XP prevê uma leitura mensal mais moderada para os serviços subjacentes — grupo que procura captar a tendência dos preços de serviços ao deixar de lado itens mais voláteis.
A projeção é de 0,25% em setembro, ante 0,50% em agosto. Já os serviços intensivos em mão de obra devem subir 0,51%, segundo a corretora.
“Os demais grandes grupos devem apresentar apenas pequenas oscilações, mantendo a avaliação geral ainda favorável”, diz a XP no relatório, em tradução livre. A casa ressalva, porém, que há incerteza em torno das passagens aéreas, cujas estimativas entre analistas vão de queda de 6% a altas de 15% a 20%.
Nos bens industriais, ambas esperam aumentos em itens como móveis, eletrodomésticos e vestuário. A XP também projeta que a alimentação no domicílio volte a subir, após a queda de agosto.
Para o Daycoval, a inflação deve encerrar 2026 em 4,8%, com um possível evento intenso de El Niño como risco para os preços no segundo semestre.
