Sem emprego e com aluguel alto, jovens chineses passam a dividir até a cama
Para economizar dinheiro, milhões de chineses vivem em condições frugais para mitigar os efeitos da insegurança no mercado de trabalho

A China vive, no momento, uma forte crise trabalhista, afetando especialmente jovens recém-graduados, que enfrentam alta competição por empregos de nível de entrada, à medida que a automatização toma conta de cada vez mais vagas.
Neste ponto,a insegurança é tamanha que não é incomum compartilhar custos com estranhos: para mitigar os custos do aluguel de uma pequena moradia, muitos dividem quartos e até mesmo camas, cortando os preços pela metade.
Algo que parece bizarro — adultos desconhecidos compartilhando camas apenas pelo custo-benefício — tornou-se um símbolo da incerteza trabalhistaque aflige os jovens chineses e uma medida desconfortável, mas necessária à sobrevivência econômica.
E, para muitos, a prática se tornou apenas mais uma realidade mundana, algo necessário nas atuais condições econômicas que resultam em poucas oportunidades.
"Além da compreensão"
No fim de junho, a hashtag "compartilhando uma cama é uma dificuldade além da minha compreensão" viralizou nas redes chinesas, alcançando 14 milhões de menções na rede social Weibo, equivalente ao X na China, e mais de 40 milhões no Douyin, semelhante ao TikTok.
Enquanto isso, procuras sobre "compartilhamento de camas" no Xiaohongshu, semelhante ao Instagram, renderam mais de 37 mil postagense se tornaram a principal plataforma para a procura de novos colegas de quarto — e, muitas vezes, de cama.
Em muitos casos, quartos no mesmo apartamento são alugados separadamente, cada um como seu próprio imóvel, abrigando desconhecidos de diferentes áreas de atuação.
