Sem ganhos no ano, as 'Sete Magníficas' ficam atrás de 300 ações do S&P 500

As chamadas "Sete Magníficas" deixaram de liderar a alta das bolsas nos Estados Unidos neste ano. Segundo levantamento da Bloomberg divulgado nesta quinta-feira, 9, o índice Magnificent Seven, que reúne gigantes como Nvidia, Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft, Apple e Tesla, praticamente não apresentou variação neste ano, mesmo com o avanço da inteligência artificial impulsionando outras empresas do setor de tecnologia.
A mudança de desempenho representa uma inversão em relação aos últimos quatro anos, quando o grupo foi o principal motor da valorização das ações americanas.Em 2026, porém, as sete empresas ficaram atrás de cerca de 300 companhias que integram o S&P 500, incluindo empresas de menor porte, à medida que os investidores passaram a concentrar seus recursos nos maiores beneficiários da onda de investimentos em inteligência artificial.
Os fabricantes de semicondutores se tornaram os principais favorecidos por esse movimento.
Até o fechamento de quarta-feira, 8, o Índice de Semicondutores da Bolsa da Filadélfia acumulava alta de 78% no ano, enquanto o índice Bloomberg Magnificent Seven registrava avanço de apenas 0,5%. Na quinta-feira, o contraste continuou: o índice das "Sete Magníficas" vem recuando 0,9%, enquanto o indicador de semicondutores avança 5%.Perda de protagonismo das "Sete Magníficas' é um desafio para o mercado como um todo
Para analistas de Wall Street, aperda de protagonismo das gigantes de tecnologia pode representar um desafio para o restante do mercado.
Como o grupo responde por aproximadamente um terço do S&P 500, sua estagnação dificulta que o índice alcance a projeção média dos estrategistas, de 7.824,09 pontos até o fim do ano. Pelos cálculos da Bloomberg, se as "Sete Magníficas" continuarem sem reagir, as outras 493 empresas do índice precisarão subir mais 6,8% até dezembro, além dos 13% já acumulados em 2026, para que essa meta seja atingida.
"O S&P 500 teria dificuldade para continuar avançando sem a participação das Sete Magníficas", afirmou Alonso Munoz, diretor de investimentos da Hamilton Capital Partners. Segundo o gestor, o grupo exerce influência significativa sobre a direção dos índices e setores que lideraram os ganhos neste ano, como energia, também podem perder força ao longo dos próximos meses.
A perda de espaço das gigantes ocorre em meio a questionamentos sobre o elevado volume de investimentos em infraestrutura para inteligência artificial.Segundo Ken Mahoney, diretor-executivo da Mahoney Asset Management, empresas como Meta, Amazon e Microsoft foram responsáveis por financiar boa parte desse ciclo de investimentos, mas o mercado ainda demonstra cautela diante do retorno esperado para esses gastos.
Semicondutores apresentam sinais de avaliações 'excessivamente elevadas'
Apesar do desempenho inferior, parte dos estrategistas acredita que a correção abriu espaço para uma recuperação das ações. Nas últimas semanas, analistas de Morgan Stanley, Goldman Sachs e JP Morgan defenderam que a diferença dedesempenho entre as "Sete Magníficas", as fabricantes de chips e o restante do mercado pode ter ido longe demais.
Para Lisa Shalett, diretora de investimentos da Morgan Stanley Wealth Management, o momento é favorável para reconstruir posições nas gigantes de tecnologia, enquantoo setor de semicondutores já apresenta sinais de avaliações excessivamente elevadas.
A gestora argumenta que, embora a expansão da demanda por chips continue forte, esse ritmo dificilmente será sustentado indefinidamente, tornando mais atraentes empresas responsáveis pela implementação da inteligência artificial, como os chamados hiperescaladores. Os números reforçam essa percepção.
No primeiro semestre de 2026, o índice Bloomberg Magnificent Seven acumulou queda de 1,9%, enquanto o S&P 500 avançou 9,3%, o segundo pior início de ano da história do grupo em relação ao índice de referência. Ao mesmo tempo, o múltiplo preço/lucro das sete empresas caiu de 32,6 vezes no fim de outubro para 23,9 vezes, reduzindo o prêmio em relação ao S&P 500 para um dos menores níveis já registrados, segundo dados compilados pela Bloomberg.Nem todos, porém, acreditam que uma retomada das gigantes seja indispensável para que o mercado continue subindo.
Sameer Samana, do Wells Fargo Investment Institute, destaca que as empresas do S&P 500 excluindo as "Sete Magníficas" acumulam valorização de 14% no ano, indicando que o restante do mercado também tem capacidade de sustentar novos ganhos.
