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InvestMercados
28/06/2026
4 min

Sem gigantes de tecnologia, Europa aposta em bancos e infraestrutura para capturar ganhos da IA

Sem gigantes de tecnologia, Europa aposta em bancos e infraestrutura para capturar ganhos da IA

A corrida global pela inteligência artificial (IA) está levando investidores na Europa a ampliar o foco para além das fabricantes de chips e empresas de tecnologia.

Diante das avaliações cada vez mais elevadas das líderes do setor, gestores têm direcionado recursos para companhias que fornecem infraestrutura para data centers ou que podem elevar seus lucros ao incorporar IA em suas operações, segundo a Bloomberg.

Com poucas empresas de tecnologia de grande porte listadas nas bolsas europeias, o mercado passou a enxergar oportunidades em setores como infraestrutura, energia, indústria e bancos, considerados beneficiários indiretos da expansão da inteligência artificial.

Uma das principais estratégias adotadas por investidores é apostar nas empresas que abastecem a cadeia de expansão dos grandes provedores de computação em nuvem, conhecidos como hyperscalers.

O aumento dos investimentos dessas companhias em data centers impulsiona a demanda por equipamentos elétricos, sistemas de distribuição de energia e infraestrutura.

Entre os destaques estão a francesa Schneider Electric, a italiana Prysmian, a alemã Siemens Energy e a suíça ABB. Esta última fornece sistemas de distribuição elétrica utilizados em centros de dados da Microsoft e trabalha com a Nvidia no desenvolvimento de uma nova arquitetura de corrente contínua voltada para instalações de grande escala.

O movimento também é favorecido pelo ambiente regulatório. A União Europeia disponibilizou mais de € 800 bilhões em incentivos para projetos ligados à descarbonização e modernização da infraestrutura energética, enquanto a Alemanha lançou um programa fiscal de € 500 bilhões voltado a investimentos.

Ações ligadas à infraestrutura ainda negociam com desconto

Além do potencial de crescimento, essas empresas chamam atenção pelas avaliações mais moderadas quando comparadas às fabricantes de semicondutores.

Enquanto o índice europeu de semicondutores negocia próximo de 45 vezes o lucro projetado, empresas industriais expostas ao avanço da IA são negociadas em torno de 30 vezes os lucros futuros. Já companhias consideradas usuárias da tecnologia, como bancos, apresentam múltiplos inferiores a 15 vezes, abaixo da média do mercado europeu.

A diferença de valuation reforça a percepção de que ainda existe espaço para valorização entre empresas que serão beneficiadas pela IA sem estarem diretamente envolvidas na fabricação de chips.

Bancos aparecem entre os maiores beneficiários da IA

Outro segmento que ganha espaço entre os investidores é o financeiro. De acordo com a Bloomberg, expectativa é que a adoção da inteligência artificial aumente significativamente a produtividade dos bancos por meio da automação de processos, redução de custos operacionais e melhoria no atendimento aos clientes.

Estimativas do Morgan Stanley indicam que a produtividade do setor bancário pode crescer até 50% nos próximos cinco a dez anos com o avanço da IA.

O Banco Santander, por exemplo, espera gerar mais de € 1 bilhão em valor entre 2026 e 2028 por meio de ganhos de eficiência e novas receitas ligadas à tecnologia. Já o HSBC prevê implementar mais de 200 novos casos de uso de IA nos próximos dois anos.

Gigantes dos chips continuam relevantes, mas preocupam pelo preço

Apesar da busca por alternativas, empresas como ASML e BE Semiconductor Industries seguem consideradas peças importantes para investidores interessados no setor de inteligência artificial.

No entanto, gestores afirmam que essas ações passaram a negociar com prêmios elevados, consequência da forte demanda observada nos últimos anos. Em alguns casos, fundos já começaram a reduzir exposição às fabricantes de equipamentos para semicondutores em busca de oportunidades com melhor relação entre risco e retorno.

O movimento ganhou força após episódios recentes de volatilidade nas grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, que reacenderam dúvidas sobre o nível das avaliações do setor.

Para estrategistas do Citigroup, a evolução do mercado de IA entrou em uma nova fase. Em vez de concentrar os investimentos apenas nas empresas que desenvolvem a tecnologia, o foco passa a ser identificar quais companhias conseguirão transformar a inteligência artificial em ganhos concretos de produtividade e rentabilidade.

Entre os setores apontados como mais promissores estão indústria, saúde, tecnologia da informação, telecomunicações e serviços financeiros.

AutorEstela Marconi
FonteExame
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