Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
EmpresasACSBDR
15/07/2026
4 min

Sem melhoras, BTG vê mais um trimestre difícil para o varejo; veja quais ações devem se destacar

Sem melhoras, BTG vê mais um trimestre difícil para o varejo; veja quais ações devem se destacar

O segundo trimestre de 2026 (2T26) deve marcar mais um período amargo para o varejo. Sem sinais de melhora no cenário macroeconômico, o bolso do consumidor brasileiro tem pouco alívio, enquanto os nomes do setor sentem os impactos diretamente em seus balanços.

O alto patamar dos juros segue corroendo a renda disponível, enquanto o envididamento elevado das famílias e os efeitos acumulados da inflação continuam mantendo o poder de compra pressionado. Diante disso, o BTG Pactualnão vê no período de abril a junho deste ano muitos motivos para entusiasmo.

De maneira geral, a equipe de analistas do banco, liderada por Luiz Guanais, espera que os resultados do segundo trimestre das varejistas reforcem um cenário ainda caracterizado por baixa alavancagem operacional e poucas revisões positivas de lucro líquido.

“Os destaques positivos devem ficar concentrados principalmente em Smart Fit (SMFT3) e nos varejistas de vestuário, enquanto o varejo alimentar continuou enfrentando crescimento nominal fraco, as empresas de e-commerce permaneceram presas ao conhecido equilíbrio entre crescimento e rentabilidade”, dizem os analistas.

No caso das redes farmacêuticas, apesar de ainda entregarem resultados operacionais sólidos, começaram a apresentar uma desaceleração mais visível em relação às tendências excepcionalmente fortes observadas nos trimestres anteriores.

Excluindo o Mercado Livre (MELI34), o BTG estima crescimento de 7% ao ano (a/a) da receita líquida do setor, com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avançando 4% a/a.

Os destaques do trimestre

De forma geral, o período de abril a junho deste ano configurou mais uma temporada de resultados desafiadora, na visão do BTG Pactual, com poucas empresas entregando números fortes.

Entre elas, a Smart Fit deve voltar a se destacar como uma das empresas com melhor desempenho dentro da cobertura do banco, combinando crescimento robusto de receita com rentabilidade resiliente, apesar dos investimentos contínuos no TotalPass e na expansão da malha.

“Os varejistas de vestuário também surpreenderam positivamente, em especial a Lojas Renner, que continuou se beneficiando de uma gestão disciplinada de estoques e boa execução na margem bruta”, dizem os analistas.

O banco espera que a C&A reporte números razoáveis, enquanto a Riachuelo manterá um momento positivo de vendas. Por outro lado, o varejo alimentar continuará sendo o segmento mais fraco, com Assaí e Grupo Mateus ainda enfrentando tendências de consumo pressionadas e baixa alavancagem operacional.

Já no e-commerce, os resultados devem voltar a girar em torno do debate entre preservação de margens e defesa de participação de mercado, à medida que Mercado Livre, Amazon e Shopee mantiveram elevada intensidade competitiva.

“Enquanto isso, as redes farmacêuticas continuaram registrando crescimento saudável de vendas e rentabilidade, embora as tendências trimestrais tenham desacelerado claramente em relação ao ritmo excepcional observado nos períodos anteriores”, diz o BTG.

Como se posicionar no varejo agora

O segundo trimestre de 2026 reforça a visão cautelosa do BTG Pactual para as perspectivas de consumo no Brasil no curto prazo.

O múltiplo mediano de P/L (preço sobre o lucro) projetado dos varejistas brasileiros ao longo dos últimos 15 anos foi de 14,7 vezes, enquanto atualmente o setor negocia a 8,5 vezes lucro líquido projetado, aproximadamente 1,5 desvios-padrão abaixo da média histórica de longo prazo.

Apesar disso, o prêmio implícito exigido para investir no setor continua elevado, na leitura dos analistas.

“O crédito segue sendo um importante suporte para vendas e monetização dos ecossistemas, mas os dados não apontam para um retorno disseminado de uma originação mais agressiva, já que a maioria das empresas continua priorizando controle de risco”, ponderam.

O elevado comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida deve manter a recuperação gradual, limitando uma aceleração mais forte do consumo. Do ponto de vista setorial, até que surjam evidências mais claras de aceleração do consumo e de revisões positivas de lucro líquido,
a expectativa é de que a maior parte dos investidores continue relativamente à margem, apesar dos múltiplos cada vez mais atrativos.

“Nossas preferências no setor continuam sendo Smart Fit (SMFT3), RD Saúde (RADL3), C&A (CEAB3) e
Lojas Renner (LREN3)“.

AutorLorena Matos
FonteMoney Times
Distribuído por