Senado do Paraguai convoca Peña para se defender em impeachment
Pedido de mais 72 horas foi rejeitado por 42 votos a 3; presidente é julgado por seus vínculos com o Ueno Bank, cujo fechamento provocou uma crise financeira e política no país

O Senado do Paraguai convocou nesta sexta-feira, 6, o presidente Santiago Peña para apresentar imediatamente sua defesa no processo de impeachment. Os senadores determinaram que ele comparecesse ao plenário nos 30 minutos seguintes, após rejeitarem, por 42 votos a 3, seu pedido de mais 72 horas para se preparar.
A sessão entrou em recesso à espera da chegada do presidente. O julgamento ocorre em meio à crise provocada pelo fechamento do Ueno Bank, instituição com a qual Peña manteve vínculos.
Apesar de ter anunciado sua renúncia na quinta-feira, 5, o presidente permanece formalmente no cargo. O Congresso não aceitou o pedido, apresentado durante o debate dos deputados para formalizar a abertura do impeachment.
Peña diz que prazo não permite preparar defesa
Antes do horário previsto para o início da sessão, Peña pediu ao Senado mais 72 horas para se defender. Em uma publicação no X, afirmou ter recebido às 22h15 de quinta-feira uma acusação de 15 páginas, acompanhada de anexos com cerca de 300 páginas.
O presidente disse que não poderia apresentar sua defesa “em menos de 12 horas” e afirmou que “isso não é devido processo legal”. Na mesma publicação, divulgou a carta com o pedido de prazo enviada ao presidente do Senado, o governista Basilio Núñez.
“Vou expor minha verdade a toda a população, ainda que seja incômoda para muitos atores políticos. Nunca vou fugir do meu compromisso com as pessoas, muito menos nos momentos difíceis”, escreveu.
Pouco depois, Peña publicou no Instagram uma foto ao lado de seus advogados, Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda. Disse que aguardava a aprovação do pedido para exercer seu direito constitucional de defesa, diante do prazo que considerou claramente insuficiente.
Peña não aparece pessoalmente em público desde terça-feira. Até então, suas manifestações haviam ocorrido pelas redes sociais.
Senado conduz segundo dia de julgamento
O Senado, controlado pela base governista, abriu nesta sexta-feira o segundo dia do julgamento de Peña por “mau desempenho de suas funções”. A sessão extraordinária começou com mais de 40 minutos de atraso.
Segundo Núñez, o objetivo era “ouvir a defesa”. Os senadores atuam como julgadores após a apresentação da acusação formal por um grupo de deputados.
Entre os pontos da acusação estão conflito de interesses, uso do Estado em benefício de interesses privados e a passagem de funcionários entre os setores público e privado. O documento menciona as ações que Peña possuía no Ueno Holding, grupo que reúne diferentes empresas, entre elas o Ueno Bank.
O presidente vendeu sua participação em março de 2025. Seus vínculos com a instituição estão no centro do processo.
Fechamento do Ueno Bank provoca crise
A crise começou depois que o Banco Central do Paraguai determinou, na terça-feira, um processo de resolução, ou fechamento, do Ueno Bank. A autoridade monetária identificou que o índice de solvência do banco havia caído para menos da metade do mínimo exigido.
A medida provocou reclamações de milhares de clientes preocupados com suas economias. Também há apreensão sobre o destino dos recursos públicos de valor milionário depositados na instituição, em sua maioria provenientes de fundos de aposentadoria.
