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16/07/2026
10 min

Senna Tower alcança R$ 2,48 bi em vendas um ano após o lançamento em BC

Senna Tower alcança R$ 2,48 bi em vendas um ano após o lançamento em BC

Um ano após o lançamento oficial do Senna Tower, em Balneário Camboriú, a FG Empreendimentos e os parceiros do projeto têm bons motivos para brindar o primeiro aniversário. A entrega do edifício residencial mais alto do mundo está prevista para 2033, mas seus números não param de impressionar a cada etapa.

Em apenas 12 meses, o empreendimento alcançou R$ 2,48 bilhões em vendas, o equivalente a 29,2% do Valor Geral de Vendas (VGV), estimado em R$ 8,5 bilhões. Cerca de 10% do volume comercializado corresponde a compradores internacionais.

Desenvolvido pela FG Empreendimentos em parceria com a Marca Senna e a Havan, o edifício deverá superar 550 metros de altura, alcançando a marca de residencial mais alto do mundo, e terá 228 unidades residenciais distribuídas em 157 pavimentos. As maiores coberturas chegarão a 903 metros quadrados e poderão superar R$ 400 milhões.

Os números da engenharia também ajudam a dimensionar a escala do projeto. A fundação recebeu 798 estacas de até 40 metros de profundidade, que, somadas, ultrapassam 30 quilômetros. O estaqueamento foi concluído em 70 dias úteis, ante os 120 dias previstos inicialmente.

A etapa consumiu mais de 12 mil metros cúbicos de concreto e cerca de 1,8 mil toneladas de aço. O volume de materiais empregado somente na fundação seria suficiente para construir dois edifícios de 50 andares.

Com a conclusão do estaqueamento, a obra entra agora na fase de execução da infraestrutura e do embasamento que sustentarão a torre. No total, o Senna Tower terá 145 mil metros quadrados de área construída.

Mais do que os números superlativos, Jean Graciola, CEO da FG Empreendimentos e um dos idealizadores do Senna Tower, celebra a relevância e a excelência presentes em cada detalhe do projeto, concebido para colocar a engenharia e o mercado imobiliário brasileiros em um novo patamar global.

À frente de uma das principais construtoras e incorporadoras de imóveis de altíssimo padrão do país, Graciola ajudou a consolidar Balneário Camboriú como referência nacional na verticalização de luxo. Sob sua liderança, a FG Empreendimentos é responsável por oito dos dez edifícios mais altos do Brasil.

Em entrevista exclusiva à EXAME, o empresário detalha os resultados do primeiro ano do Senna Tower, os desafios de engenharia, o perfil dos compradores e os planos de expansão internacional da companhia. Confira a íntegra da entrevista com Jean Graciola.

"Balneário Camboriú compete hoje pelo

interesse de investidores globais', diz CEO

O que representa o primeiro ano do Senna Tower? Quais foram os principais marcos alcançados e o que deve marcar a próxima etapa da obra?

O primeiro ano do Senna Tower é a confirmação de que grandes projetos são fruto do trabalho coletivo. Cada conquista alcançada até aqui reflete o talento, a dedicação e o comprometimento de centenas de profissionais que compartilham o mesmo propósito. Mais do que iniciar a construção do residencial mais alto do mundo, mostramos que o Brasil tem capacidade técnica, engenharia e planejamento para executar um projeto dessa magnitude dentro dos padrões dos grandes supertalls internacionais.

Um dos principais marcos foi a etapa de estaqueamento da fundação. Executamos 798 estacas, com profundidades de até 40 metros, em apenas 70 dias úteis, praticamente metade do prazo inicialmente previsto. Isso foi resultado de planejamento, investimento em tecnologia e de uma operação altamente coordenada, que chegou a executar 12 estacas em um único dia.

Outro aspecto importante foi a consolidação comercial do empreendimento. Encerramos esse primeiro ano com R$ 2,48 bilhões em vendas e uma participação crescente de compradores internacionais, demonstrando que o Senna Tower já desperta interesse muito além do mercado brasileiro.

Agora entramos em uma nova fase, com a execução da infraestrutura e do embasamento que sustentará toda a torre. É uma etapa menos visível para quem acompanha a obra, mas extremamente importante, porque é nela que consolidamos toda a base estrutural que permitirá a verticalização do edifício. Em um empreendimento dessa escala, cada fase precisa ser concluída com absoluta precisão antes que a próxima comece.

A fundação recebeu 798 estacas de até 40 metros de profundidade, que, somadas, ultrapassam 30 quilômetros (Divulgação/Divulgação)

Quais foram os maiores desafios de engenharia encontrados até agora? Que soluções tornam o Senna Tower uma referência entre os supertalls do mundo?

Quando falamos de um edifício com mais de 550 metros de altura, praticamente todas as soluções precisam ser desenvolvidas em um nível muito superior ao de uma construção convencional. O maior desafio além de construir uma torre alta, é criar uma estrutura capaz de garantir desempenho, estabilidade e durabilidade ao longo de muitas décadas.

O Grupo FG investe continuamente em pesquisa, desenvolvimento e inovação há mais de 18 anos, realizando benchmarking com alguns dos principais mercados da construção civil no mundo para incorporar as melhores práticas, tecnologias e metodologias da engenharia internacional. No caso do Senna Tower, esse trabalho foi ainda mais aprofundado, com mais de sete anos de pesquisas, ensaios estruturais, simulações e parcerias com alguns dos maiores especialistas globais em edifícios de grande altura. A fundação é um exemplo claro dessa estratégia. Ela exigiu uma operação de elevada complexidade técnica, com mais de 12 mil metros cúbicos de concreto, cerca de 1.800 toneladas de aço e um rigoroso controle térmico durante a concretagem do bloco central, que utilizou mais de 1.600 toneladas de gelo para garantir as condições ideais de desempenho da estrutura.

Também desenvolvemos um sistema próprio para a fundação, o Auger Cast, com monitoramento integral em tempo real durante toda a execução das estacas. Além disso, trouxemos ao Brasil uma perfuratriz italiana inédita, permitindo aumentar produtividade sem abrir mão da precisão e da segurança.

Mas a engenharia do Senna Tower vai muito além das fundações. O empreendimento será o primeiro residencial da América Latina a utilizar o Tuned Mass Damper, tecnologia presente em alguns dos edifícios mais emblemáticos do mundo para reduzir oscilações provocadas pelo vento. Também estamos desenvolvendo o primeiro residencial supertall do mundo com meta de certificação LEED Platinum, integrando soluções voltadas à eficiência energética, gestão hídrica e redução significativa das emissões e dos resíduos ao longo de todo o ciclo de vida do edifício.

O que torna o Senna Tower uma referência não é uma tecnologia específica, mas a integração de diversas soluções inéditas em um único projeto. Estamos criando conhecimento técnico que ultrapassa essa obra e passa a fazer parte da evolução da engenharia brasileira.

Como está o desempenho comercial do empreendimento? O que tem sustentado a valorização do ativo desde o lançamento?

O desempenho comercial confirma que nossa estratégia está sendo bem executada. Já registramos R$ 2,48 bilhões em vendas, dentro de um VGV estimado em mais de R$ 8,5 bilhões, mantendo um ritmo consistente desde o lançamento.

Existe uma mudança importante acontecendo no mercado de luxo. Os compradores buscam por ativos escassos, capazes de preservar valor ao longo do tempo e oferecer diferenciais que dificilmente poderão ser replicados.

O Senna Tower reúne exatamente essas características. Estamos falando de apenas 228 residências, com tecnologias inéditas no mercado brasileiro, um projeto arquitetônico único, um conceito criativo inspirado no Ayrton Senna.

Balneário Camboriú vive um momento único de projeção nacional e internacional. A cidade consolidou-se como uma referência em empreendimentos de alto padrão e passou a competir pela atenção de investidores globais. Até 2019, por exemplo, as vendas para o mercado de São Paulo, a maior economia da América Latina, representava apenas 1% do VGV total da companhia e, atualmente, dados do primeiro semestre de 2026 já mostram que esse resultado representa 20% do nosso VGV. A ampliação de novos mercados vem ocorrendo tanto nacionalmente quanto internacionalmente. E, o Senna Tower nasce nesse ambiente, mas também contribui para elevar esse posicionamento. A combinação entre a expertise da FG Empreendimentos, a força da Marca Senna e a Havan - Família Hang, resulta em um empreendimento com atributos únicos, reforçando sua percepção de valor e ampliando o interesse de investidores nacionais e internacionais.

Quem são os investidores internacionais interessados no Senna Tower? Quais mercados têm se mostrado mais relevantes?

Hoje, aproximadamente 10% do VGV comercializado já corresponde a compradores internacionais. É um percentual bastante expressivo para um empreendimento residencial brasileiro e mostra que o Senna Tower passou a integrar o radar global de investidores de alto patrimônio.

Temos observado uma demanda de brasileiros que vivem no exterior e de investidores de países como Estados Unidos, Portugal, Ásia, Japão e outros mercados da América Latina.

Independentemente da origem, o perfil é muito semelhante. São empresários, investidores e famílias de elevado patrimônio que enxergam o imóvel como um ativo de longo prazo. Eles avaliam não apenas localização, mas também inovação, segurança patrimonial e potencial de valorização.

Acreditamos que esse movimento deve se intensificar à medida que avançamos com nossa estratégia de expansão internacional e a obra evolui. Cada nova etapa concluída torna a dimensão do projeto mais concreta e reforça sua visibilidade e credibilidade no mercado internacional.

Como a FG pretende estruturar sua expansão internacional? Qual é o papel dos novos escritórios nessa estratégia?

Nossa internacionalização é uma consequência natural da evolução da empresa. Durante muitos anos construímos uma reputação sólida no Brasil e hoje percebemos que existe uma demanda crescente por projetos brasileiros de alto padrão também no mercado internacional.

A abertura de escritórios faz parte dessa estratégia, mas nosso objetivo vai além da comercialização de empreendimentos. Queremos fortalecer a marca FG globalmente, estreitar relacionamento com investidores internacionais e posicionar a companhia como uma referência em engenharia, inovação e desenvolvimento de supertalls residenciais. Recentemente inauguramos nosso escritório em Miami, no segundo semestre deste ano abriremos na Europa e também já estamos estruturando a operação para a Ásia.

Ao mesmo tempo, essa presença internacional amplia nossa capacidade de estabelecer novas parcerias tecnológicas, acessar conhecimento e acompanhar as principais tendências mundiais em arquitetura, construção e mercado imobiliário.

O Senna Tower é um marco importante nesse processo porque desperta atenção internacional naturalmente. Mas nossa visão é de longo prazo. Queremos que a FG seja reconhecida globalmente não apenas por um empreendimento icônico, mas pela capacidade de desenvolver projetos inovadores, consistentes e competitivos em qualquer mercado do mundo.

Neste cenário, a atuação de uma outra empresa do Grupo vem contribuindo para a internacionalização da marca FG. Com modelo de operação boutique, a Talls Solutions atua em projetos selecionados de alta complexidade e se diferencia pelo uso de dados reais e integração entre engenharia e resultado financeiro, com 35% de margem líquida nos projetos. Durante décadas, projetos de edifícios altos no Brasil dependeram de consultorias internacionais e de conhecimento técnico importado para decisões estruturais críticas. Agora, um novo movimento começa a reposicionar o país nesse cenário. A Talls Solutions nasceu com o objetivo de preencher uma lacuna no mercado nacional e internacional e transformar a experiência acumulada em projetos de grande complexidade em inteligência técnica aplicada ao negócio. A empresa já conta com mais de 60 obras e projetos em quase todos os estados do país e forte expansão para mercados como Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile.

E os números desse primeiro ano de atuação chamam atenção, e são consequência direta de uma atuação altamente seletiva: a empresa já analisou mais de 1 milhão e meio de metros quadrados de estruturas, o equivalente a cerca de 140 campos de futebol, e identificou mais de R$100 milhões em reduções de custos em projetos. Ao invés de volume, a Talls prioriza profundidade técnica e envolvimento direto nas decisões estratégicas dos empreendimentos.

AutorRafael Martini
FonteExame
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