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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
03/09/2026
4 min

Serra Gaúcha terá garagem subterrânea de 10 pavimentos totalmente robotizada

Tecnologia da catarinense Robox, de Florianópolis, terá 24 robôs para operar 420 vagas e atender uma circulação estimada de cerca de 1.150 veículos por dia

Serra Gaúcha terá garagem subterrânea de 10 pavimentos totalmente robotizada

Paulo Guimarães é um apaixonado por inovação. Fundador da Robox Parking Expertise, ele costuma enxergar em problemas cotidianos espaço para tecnologia, robôs e inteligência artificial entrarem em cena. Essa inquietação acompanha boa parte de sua trajetória como empreendedor e agora está por trás de um dos projetos mais ambiciosos da empresa que comanda.

Na Serra Gaúcha, em Bento Gonçalves, a tecnologia desenvolvida em Florianópolis pela Robox vai operar o que a companhia apresenta como a maior garagem subterrânea robotizada do Brasil.

Serão 10 pavimentos no subsolo, que somam cerca de 10 mil metros quadrados de área, com 420 vagas, movimentadas por 24 robôs e nove cabines de entrada e retirada dos veículos. A previsão é de circulação de aproximadamente 1.150 automóveis por dia, em uma estrutura preparada para funcionar 24 horas.

A garagem, que deve entrar em operação no início de 2027, será instalada no Bento Gonçalves Medical Center e representa um salto de escala para a Robox. A empresa pretende transformar a tecnologia desenvolvida e testada em Santa Catarina em um negócio de alcance nacional e estabeleceu uma meta: chegar a R$ 200 milhões em receita no próximo ano com os novos contratos em atual fase de negociação.

O projeto nasceu de uma equação de engenharia. Um empreendimento médico com grande circulação diária precisava oferecer 420 vagas, mas uma garagem convencional consumiria uma parcela significativa da área com rampas, corredores, espaços para circulação e manobras.A solução foi levar toda a garagem para 10 pavimentos abaixo do nível da rua e retirar o motorista da operação.

Ao chegar, o usuário posiciona o automóvel em uma das cabines, desliga o veículo, fecha as portas e leva a chave. A partir dali, os robôs assumem toda a movimentação e armazenagem. O sistema define onde o automóvel ficará e faz o transporte até a vaga. Segundo a empresa, a operação pode ocorrer em cerca de 90 segundos, em média. Na retirada, o processo acontece no sentido contrário.

Sem motoristas circulando entre os pavimentos, desaparece boa parte das áreas normalmente destinadas a rampas, manobras e abertura das portas. A garagem passa a operar mais próxima da lógica de um centro automatizado de logística, no qual o veículo é armazenado e movimentado pelo sistema.

Essa eficiência é especialmente importante quando toda a estrutura está abaixo da terra. Quanto menor a área necessária para circulação e manobra, maior a possibilidade de concentrar vagas em um espaço reduzido.

A dimensão financeira do empreendimento também ajuda a mostrar a escala do projeto. Somente a estrutura médico-hospitalar do Bento Gonçalves Medical Center recebeu investimento de R$ 36 milhões. O valor não contempla a garagem subterrânea robotizada, que possui orçamento próprio.

A Robox não detalha os valores envolvidos na implantação do estacionamento. A empresa concentra a divulgação do projeto em sua capacidade operacional, na redução do espaço necessário para acomodar veículos e no uso da robotização para substituir a circulação convencional dentro das garagens.

Da fundação da Acate à robótica

Antes de chegar aos 10 pavimentos subterrâneos da Serra Gaúcha, a tecnologia percorreu um caminho essencialmente catarinense.

A primeira garagem robotizada da empresa foi instalada em Balneário Camboriú e batizada de Street Lab. Durante cerca de cinco anos, a estrutura funcionou como laboratório e prova de conceito, permitindo testar e aperfeiçoar a movimentação automatizada dos veículos antes de levar a solução a projetos de maior escala.

Por trás dessa trajetória está Paulo Guimarães, um dos pioneiros do setor de tecnologia em Santa Catarina. Formado em Computer Science nos Estados Unidos, ele foi um dos fundadores da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) e tornou-se o segundo presidente da entidade, entre 1990 e 1992

A relação de Guimarães com inovação antecede em décadas a atual aposta na robótica. Ao longo da carreira, desenvolveu diferentes soluções tecnológicas e, nos últimos anos, passou a concentrar parte desse trabalho na logística.

A Robotrend, também comandada por Guimarães, é a empresa de tecnologia responsável pelo desenvolvimento das soluções que deram origem à Robox. Seu portfólio combina robótica e inteligência artificial para armazenar e movimentar automóveis, paletes, contêineres, embarcações e outros tipos de cargas.

No segmento automotivo, a aposta está justamente no espaço que começa a faltar nas cidades.

Terrenos mais valorizados, prédios maiores e a necessidade de ampliar o número de vagas tornam os estacionamentos uma parte cada vez mais complexa da engenharia dos empreendimentos. A Robox pretende transformar esse problema em mercado.

A proposta vai além de vender máquinas capazes de estacionar carros. A empresa busca posicionar a tecnologia como uma solução de logística aplicada ao mercado imobiliário, capaz de armazenar mais veículos em menor espaço e automatizar praticamente toda a operação.Bento Gonçalves será uma das principais vitrines dessa estratégia.

AutorRafael Martini
FonteExame
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