'Sete Magníficas' perdem R$ 4,5 tri em um dia com temor por gastos em IA

O grupo das sete maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, conhecido como "Sete Magníficas", viveu nesta quinta-feira, 23, sua pior sessão em valor de mercado desde as tarifas comerciais em abril de 2025. Juntas, as companhias perderam quase US$ 890 bilhões em capitalização, o equivalente a R$ 4,5 trilhões.
Algo que refletiu a crescente desconfiança de investidores em relação ao ritmo de gastos do setor com inteligência artificial (IA). O índice Nasdaq Composite recuou 2,2% no pregão, segundo informações divulgadas pelo Wall Street Journal (WSJ).
O estopim veio dos balanços de Alphabet e Tesla, divulgados na quarta, 22. Ainda que ambas tenham tido forte crescimento de receita, o mercado optou por focar em outro indicador, o fluxo de caixa livre, que se tornou negativo nas duas empresas no segundo trimestre, fazendo as ações despencarem.
Alphabet e Tesla lideram as perdas
As ações da Alphabet caíram 7,13%, o que custou à companhia mais de US$ 293 bilhões ou R$ 1,4 trilhão em valor de mercado, a maior perda em um único dia da história da empresa. Já os papéis da Tesla tombaram 15%, o pior desempenho pós-balanço já registrado pela montadora.
No caso da Alphabet, o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,9 bilhões, primeira vez que isso ocorre desde a abertura de capital da empresa, em 2004. O CFO da companhia afirmou que o indicador deve seguir pressionado à medida que os investimentos em IA se aprofundam.
A empresa também elevou sua projeção de investimentos em capital para este ano, que pode chegar a US$ 205 bilhões.
Na Tesla, o quadro está ligado à transição da companhia rumo a veículos autônomos e robótica, incluindo a construção da TeraFab, fábrica de chips desenvolvida em parceria com a Intel e com a SpaceX, empresa de foguetes também controlada por Elon Musk.
Preocupação e queda se espalham
A pressão vendedora se espalhou para outras gigantes de tecnologia, com a Meta recuando 3,4% e a Oracle caindo 4,6%. A Meta deve reportar fluxo de caixa livre negativo quando divulgar seu balanço do segundo trimestre na próxima semana, conforme analistas do FactSet.
A expectativa é semelhante para a Amazon, que também apresenta resultados em igual período e já havia registrado o indicador no vermelho no primeiro trimestre do ano.
Apenas a Microsoft segue gerando caixa positivo entre as instituições de grande porte (hyperscalers), com expectativa de mais de US$ 16 bilhões no trimestre encerrado em junho, também de acordo com a FactSet, mesmo com a companhia projetando dobrar seus investimentos em capital neste ano fiscal.
Para o estrategista-chefe de mercado da JonesTrading, Mike O'Rourke, ouvido pelo WSJ, "os investidores estão genuinamente preocupados com o fato de que essas empresas estão em processo de destruir alguns dos modelos de negócios mais bem-sucedidos, escaláveis e favoráveis aos investidores que o mercado de ações já viu. Isso deveria ser alarmante."
Caixa é o centro das atenções
Antes, sempre que céticos comparavam a euforia tecnológica atual à bolha da internet no início dos anos 2000, defensores do setor lembravam que o atual ciclo de gastos era sustentado por empresas consolidadas, com balanços sólidos e reservas de caixa robustas.
Agora, essas reservas começam a encolher, e o chefe de renda variável e gestor de portfólio da Aptus Capital Advisors, David Wagner, vê que esse processo está apenas começando. "Todos acham que o ritmo vai desacelerar (...), mas isso parece ser apenas o começo", pontuou ao WSJ.
Ao mesmo tempo em que acumulam níveis inéditos de endividamento para financiar essa infraestrutura, essas companhias também enfrentam a ameaça de sistemas de IA de código aberto e mais baratos, acrescentaram as fontes ouvidas pelo canal estadunidense.
