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EmpresasACS
09/09/2026
5 min

Shein amplia vantagem de preço no Brasil, e Zara retoma expansão; concorrência estrangeira aperta varejistas locais

A competitividade no mercado brasileiro de vestuário está se acirrando, com a Shein pressionando nomes como Riachuelo (RIAA3), Renner (LREN3) e CA (CEAB3). Levantamento do BTG Pactual mostra que comprar na asiática custa quase metade do preço do que nas opções nacionais. O índice mais recente do banco mapeou 72,2 mil itens comparáveis contra 70,1 […]

Shein amplia vantagem de preço no Brasil, e Zara retoma expansão; concorrência estrangeira aperta varejistas locais

A competitividade no mercado brasileiro de vestuário está se acirrando, com a Shein pressionando nomes como Riachuelo (RIAA3), Renner (LREN3)e C&A (CEAB3). Levantamento do BTG Pactualmostra que comprar na asiática custa quase metade do preço do que nas opções nacionais.

O índice mais recente do banco mapeou 72,2 mil itens comparáveis contra 70,1 mil em junho, sendo 21,2 mil da Lojas Renner, 8,3 mil de C&A, 5,5 mil da Riachuelo e 37,1 mil da Shein.

A conclusão mais clara, segundo os analistas, é que a vantagem de preço da Shein aumentou. O valor da cesta comparável de produtos caiu para R$ 756, ante R$ 939 em junho, enquanto o valor médio da compra local subiu para R$ 1.344, ante R$ 1.427.

Como resultado, a Shein agora está 44% mais barata que o valor médio da compra local, contra 34% em junho, diz o BTG em relatório.

A concorrência internacional se intensifica no setor. Neste cenário, a Inditex, dona da marca Zara, retomou a expansão física no Brasil depois de anos com foco na qualidade das lojas em vez do tamanho da rede.

Expansão da Zara

O grupo contava com 54 lojas no Brasil no final do ano fiscal de 2025, sendo 45 lojas Zara e nove Zara Home, e desde então adicionou duas lojas Bershka, totalizando 56 unidades.

A Zara retornará ao Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, com uma loja de 2.643 m², a maior do Rio Grande do Sul, enquanto a Bershka abrirá sua terceira loja brasileira em Brasília antes do final do ano, após inaugurar unidades em São Paulo em março e no Rio de Janeiro em agosto.

“A expansão continua altamente seletiva: todas as lojas em destaque estão em shoppings da Multiplan, e a loja de Brasília deverá se beneficiar de uma área de influência já consolidada – o Park Shopping atraiu 12 milhões de visitantes e gerou R$ 1,84 bilhão em vendas em 2025, com 84% de seus clientes pertencendo às classes de renda A/B”, diz o BTG.

Acirramento da concorrência

A Bershka preenche uma lacuna estratégica em meio à crescente concorrência internacional, representando mais do que apenas um crescimento incremental de lojas para a Inditex ao expandir o mercado potencial do grupo para um consumidor que a Zara historicamente teve dificuldade em alcançar.

A Bershka tem como público-alvo clientes de 13 a 25 anos, opera 854 lojas em 68 mercados globais e oferece preços significativamente mais baixos do que a Zara, aproximando-se do segmento disputado pela Shein e, cada vez mais, pela H&M.

O BTG nota que a Inditex está implementando a marca com cautela, com a primeira loja brasileira inaugurada com cerca de 1.000 m² no Shopping Morumbi, seguida por uma unidade com mais de 1.000 m² no Shopping Barra e agora em Brasília, aproveitando shoppings onde a Zara já fornece dados extensivos de clientes e fluxo de pessoas.

Enquanto isso, a H&M também está acelerando sua expansão e espera-se que alcance 13 lojas no Brasil, distribuídas em três das cinco regiões do país, enquanto a Massimo Dutti continua com previsão de entrada no Brasil, embora a Inditex ainda não tenha divulgado a localização ou a data de inauguração.

“De modo geral, vemos a notícia como evidência de uma mudança mais ampla no setor de vestuário brasileiro: as empresas internacionais estão investindo de forma mais agressiva, enquanto a própria Zara se tornou uma operadora mais eficiente”, diz o BTG.

Para as empresas nacionais, como Renner, C&A e Riachuelo, a ameaça competitiva vem, portanto, cada vez mais de ambas as pontas do mercado: plataformas internacionais que oferecem ampla variedade e preços baixos online, e marcas globais que trazem suas propostas para o Brasil.

Vestuário caro no Brasil

O relatório do BTG chama atenção para a questão dos preços elevados no setor de vestuário brasileiro em comparação com outros países. O banco publica seu índice sobre a Zara desde 2014 e vem, desde lá, alertado para os preços elevados.

“Temos repetidamente alertado que o Brasil é um dos países mais caros para comprar roupas e um mercado difícil para empresas estrangeiras. Existem vários motivos, que vão desde a volatilidade cambial, a complexidade da logística e do sistema tributário (apesar das melhorias nos últimos anos), até a presença de concorrentes locais já consolidados”, dizem os analistas do banco.

No início de 2025, os produtos da Zara chegaram a ficar 7% mais baratos no Brasil do que nos Estados Unidos. No entanto, com a valorização do real ante o dólar, o cenário se inverteu. Os produtos da Zara são agora 3% mais caros no Brasil do que nos EUA e o país continua sendo um dos mercados mais caros para os consumidores da Zara.

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AutorLorena Matos
FonteMoney Times
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