Shein oferece US$ 1,1 bilhão para compensar investidores antes de IPO
Varejista oferece dinheiro e ações extras após queda na avaliação antes da estreia em Hong Kong

A Shein prepara algumas medidas para diminuir o impacto negativo sobre seu valor de mercado antes de abrir capital em Hong Kong. A gigante chinesa pretende oferecer pagamentos em dinheiro e mais ações a investidores de rodadas anteriores de financiamento caso seja listada por um valor inferior ao esperado.
A companhia busca uma avaliação entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões em sua oferta pública inicial (IPO, em inglês), bem abaixo dos US$ 98,2 bilhões alcançados em uma rodada de captação em 2022 e dos US$ 64 bilhões estimados em uma rodada realizada em 2023.
Os documentos foram enviados à bolsa e divulgados pela Reuters. Em julho, a agência havia relatado que a Shein estudava compensar investidores pela perda de valor da companhia antes do IPO, que deve ocorrer em agosto. A estrutura de capital prevê ações das classes A e B.
Investidores receberão até US$ 1,1 bilhão em compensações
Após relatar ter tido um prejuízo de US$ 100 milhões, a Shein concordou em garantir um retorno anual de 8% sobre o investimento original para investidores das rodadas "Pre-D", "D" e "D+".
O pagamento total deve chegar a cerca de US$ 1,1 bilhão e será dividido em três parcelas iguais, com vencimentos previstos para o fim de março, junho e setembro de 2026. O cálculo considera o período desde a entrada desses investidores até 4 de março de 2026.
Além da compensação em dinheiro, investidores com ações preferenciais terão uma proteção adicional caso o IPO seja realizado por um preço mais baixo do que o valor pago originalmente.
Nesse cenário, as ações preferenciais serão convertidas automaticamente em ações ordinárias Classe B no momento da listagem, mas com um preço de conversão ajustado para baixo. Isso permitirá que esses investidores recebam uma quantidade maior de ações para compensar o valuation.
IPO ocorre em meio a pressão sobre crescimento e lucro
A estratégia de proteção aos investidores acontece em um momento de maior escrutínio sobre a capacidade da Shein de sustentar uma avaliação bilionária, que enfrenta desaceleração do crescimento, queda na rentabilidade e aumento das incertezas regulatórias e jurídicas em torno do negócio.
A companhia, que se tornou uma das maiores varejistas digitais do mundo com um modelo baseado em lançamentos rápidos de roupas a preços baixos, enfrenta questionamentos em diferentes mercados sobre suas práticas trabalhistas, cadeia de fornecedores e impacto ambiental.
