Shein recebe aval e mira IPO de até US$ 50 bilhões em Hong Kong

A varejista de fast-fashion Shein superou um dos principais obstáculos em sua longa jornada rumo ao mercado de capitais. A empresa recebeu na sexta-feira, 10, o aval dos reguladores chineses para avançar com sua oferta pública inicial de ações (IPO) na bolsa de Hong Kong, segundo o Wall Street Journal (WSJ).
A companhia está agora agendada para uma audiência com o comitê de listagem da bolsa de Hong Kong na quinta-feira, 16, de acordo com duas fontes ouvidas pela Reuters.
Pessoas a par do assunto disseram ao WSJ que a operação pode avaliar a Shein em mais de US$ 40 bilhões. Já uma fonte consultada pela Reuters apontou uma faixa mais ampla, entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões, com a listagem podendo ocorrer em setembro ou outubro.
A aprovação de Pequim chega cerca de um ano depois de a Shein ter protocolado, em caráter confidencial, o pedido de listagem. Após obter o sinal verde da bolsa, a empresa poderá seguir para a etapa de apresentações a investidores e para a sondagem da oferta, disse a Reuters.
Caminho até Hong Kong passou por EUA e Londres
Fundada em 2012 na cidade chinesa de Nanjing pelo empresário Sky Xu, a Shein, inicialmente, pretendia abrir capital nos Estados Unidos, plano abandonado em 2024, conforme o WSJ, em meio ao escrutínio do país sobre práticas trabalhistas e à cadeia de fornecedores na China.
Na sequência, a companhia mudou o foco para uma listagem em Londres, mas o plano também não avançou em meio ao acirramento das tensões comerciais entre Pequim e Washington no ano passado.
As tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump e o fim da isenção para produtos chineses por meio de um mecanismo que permitia a entrada de encomendas de baixo valor sem cobrança de impostos, representaram novos desafios para a companhia.
Ainda de acordo com o jornal estadunidense, a Shein não conseguiu obter o aval de Pequim para a listagem em Londres, e autoridades chinesas passaram a incentivar a empresa a buscar Hong Kong como destino.
Apesar de não ter clientes na China, a companhia subcontrata milhares de fábricas no país para produzir seu catálogo de roupas de baixo custo, o que explica por que o negócio segue dependente da aprovação de Pequim mesmo após transferir sua sede para Singapura.
Mudança de estratégia e diversificação da produção
Diante da pressão externa, a Shein tem buscado reforçar os laços com o mercado chinês, um giro em relação à estratégia anterior. O CEO Xu prometeu, inclusive, investir mais de dez bilhões de yuans, cerca de US$ 1,5 bilhão, no fortalecimento de uma cadeia de fornecedores chineses.
Presente em mais de 160 países, a empresa também vem diversificando sua produção para fora do território chinês, com fábricas no Brasil e na Turquia. O seu valuation, que chegou a US$ 66 bilhões em 2023, vem caindo desde então, pressionado por rivais, como a Temu, e pela geopolítica.
Entre os investidores da Shein estão fundos como General Atlantic, IDG Capital, Mubadala Investment e HSG. De acordo com o comunicado da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, a Shein pretende emitir 341,6 milhões de ações classe H na oferta, afirmou o WSJ.
