Shein será avaliada em US$ 26,5 bi no IPO, 73% abaixo do pico, diz site
Companhia chinesa enfrenta desaceleração da receita, margens menores e pressão de custos e concorrência

A Shein deve ser avaliada em cerca de US$ 26,5 bilhões em sua oferta pública inicial (IPO, em inglês) em Hong Kong, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela agência americana Reuters. A operação deve levantar, aproximadamente, US$ 1,7 bilhão para a varejista de moda online.
O preço deve ficar em HK$ 48,56 por ação, ante uma faixa entre HK$ 47,60 e HK$ 49,50. Com isso, a companhia poderá captar cerca de HK$ 13,6 bilhões.
A precificação reforça a forte redução no valor de mercado da Shein em relação ao auge. A avaliação representa cerca de um quarto dos quase US$ 100 bilhões alcançados pela empresa no mercado privado em 2022 e fica abaixo dos US$ 66 bilhões de uma rodada de captação de recursos em 2023.
A Shein iniciou a oferta em Hong Kong na segunda-feira, 24, depois de quatro anos tentando abrir capital em Nova York e Londres sem sucesso. A companhia, fundada na China e atualmente sediada em Singapura, vende roupas de baixo custo em cerca de 160 países e enfrenta desafios regulatórios e competição.
Demanda dos investidores não está forte
Apesar de o livro de ofertas institucional ter sido totalmente coberto, a procura entre investidores não teria sido tão forte. Para o diretor associado da corretora de Hong Kong Prudential Brokerage, Alvin Cheung, o interesse por novas ofertas na cidade perdeu força após a correção dos mercados asiáticos em julho.
Além disso, investidores e analistas passaram a questionar as perspectivas de crescimento da Shein diante do aumento dos custos e da concorrência no comércio eletrônico. Conforme Cheung, parte do mercado avalia que a companhia perdeu o melhor momento para chegar à Bolsa.
Os dados de adesão de investidores institucionais e de varejo serão divulgados na segunda-feira, 31, um dia antes do início das negociações das ações na Bolsa de Hong Kong, que inicia no dia 1º de setembro.
80% dos recursos vão para tecnologia e expansão
De acordo com o prospecto, investidores-âncora liderados pelos atuais acionistas Boyu Capital, Tiger Global e General Atlantic se comprometeram com cerca de US$ 383 milhões em ações. Tencent, Greenwoods, Taikang Life e UBS Asset Management também participarão da oferta.
A Shein informou que pretende direcionar, aproximadamente, 80% dos recursos captados para investimentos em tecnologia, além da expansão da marca e de sua presença global.
A companhia também concordou em pagar até cerca de US$ 3,5 bilhões em dinheiro a determinados investidores que adquiriram ações especiais em rodadas anteriores de financiamento privado.
Crescimento da varejista está sob pressão
O IPO ocorre em um momento menos favorável para a Shein. A empresa enfrenta desaceleração da receita, queda dos lucros e redução das margens, em meio a custos comerciais mais elevados, maior pressão regulatória e competição crescente.
Para o primeiro semestre, a companhia espera que o crescimento da receita fique próximo dos 1,1% registrados no primeiro trimestre. A margem operacional, por sua vez, deve apresentar uma leve queda.
A Shein não comentou com a agência as informações sobre o preço da oferta nem os níveis de adesão dos investidores.
