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InvestMercados
27/07/2026
4 min

Shein tem prejuízo de US$ 100 milhões e revela acionistas antes de IPO

Shein tem prejuízo de US$ 100 milhões e revela acionistas antes de IPO

A Shein divulgou o prospecto preliminar de sua oferta pública inicial (IPO, em inglês) em Hong Kong, no domingo, 26, revelando pela primeira vez detalhes sobre sua estrutura de governança e composição acionária, deixando de fora o tema do trabalho análogo à escravidão, que se tornou um dos motivos para ela não ter conseguido entrar na bolsa de Nova York e de Londres.

O documento evita citar as acusações de uso de algodão da região chinesa de Xinjiang. Os Estados Unidos e organizações de direitos humanos acusam Pequim de manter programas de trabalho forçado contra a minoria "uigur" por lá. Já o governo chinês nega as acusações, e a Shein afirma que não há trabalho forçado em sua cadeia de suprimentos.

Segundo uma fonte com conhecimento direto do processo ouvida pela Reuters, a Shein transferiu seu plano de listagem para Hong Kong depois que as exigências de divulgação sobre riscos relacionados à cadeia de suprimentos dificultaram os projetos de IPO nos outros países.

Essa fonte relatou, ainda, que o regulador chinês não aceitaria um prospecto que mencionasse o trabalho escravo como fator de risco. Nas versões preparadas para Nova York e Londres, a empresa fazia referência ao cumprimento da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur, legislação que restringe a importação de produtos ligados a essa prática.

Shein divulga prejuízo no 1º trimestre

A Shein divulgou um prejuízo de US$ 99 milhões no primeiro trimestre deste ano, revertendo o lucro líquido de US$ 395 milhões obtido em igual período do ano anterior, segundo dados do prospecto divulgados pela Reuters.

A empresa, sediada em Singapura, não revelou no documento o tamanho da oferta em Hong Kong, o preço das ações, o cronograma de listagem nem a estimativa de captação com a operação. Mas, a priori, mira um IPO de até US$ 50 bilhões, conforme fontes da imprensa internacional.

Governança e estrutura acionária

O prospecto revelou, pela primeira vez, a composição da alta administração e da estrutura societária da Shein. A companhia é comandada por quatro cofundadores.

O CEO Sky Yangtian Xu, de 42 anos, acumulou a presidência do conselho após a saída de Donald Tang do cargo de chairman. A empresa revelou que ele liderou a adoção de inteligência artificial (IA) para identificar tendências de moda e prever a demanda.

A diretora de operações, Molly Miao, de 41 anos, responde pela estratégia de negócios, pela expansão global e pela operação da companhia. Ela também comandou iniciativas de marketing voltadas às redes sociais.

Já Maggie Gu, de 44 anos, lidera a área de produtos, com foco em inovação, adaptação a diferentes mercados e ampliação do portfólio de moda e itens de lifestyle. Tony Ren, de 40 anos, é responsável pela cadeia de suprimentos, supervisionando fornecedores, logística internacional, softwares internos e responsabilidade corporativa.

O conselho de administração terá sete integrantes, incluindo os quatro fundadores. Entre os três conselheiros independentes, está Denny Ting Bun Lee, que também integra os conselhos da Nio e da New Oriental Education and Technology.

Além de Hongbin Cai, decano da Faculdade de Administração e Economia da Universidade de Hong Kong, e Ming Yan Lim, presidente do conselho do operador do aeroporto de Changi, em Cingapura.

Fundadores mantêm o controle

Os quatro fundadores controlam, em conjunto, 65% da Shein Global Holdings Ltd., holding registrada nas Ilhas Cayman, por meio de diferentes veículos de investimento. O restante da participação pertence a investidores como IDG Capital e Sequoia Capital.

O documento, porém, não informa quais acionistas venderão ações no IPO nem como ficará a composição acionária após a oferta. A previsão é que a estreia ocorra até agosto.

A estrutura de capital prevê ações das classes A e B. Os papéis da Classe A, detidos pelos principais executivos, garantem direito de voto dez vezes superior ao das demais ações.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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