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Sacre Investimentos
InvestMercados
11/08/2026
4 min

Shein tenta destravar IPO após avaliação despencar de US$ 98 bi para US$ 30 bilhões

Companhia enfrenta margens menores, custos comerciais e concorrência crescente da Temu

Shein tenta destravar IPO após avaliação despencar de US$ 98 bi para US$ 30 bilhões

A Shein prepara sua estreia na Bolsa de Hong Kong com uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) que pode reduzir em quase 70% a avaliação da empresa em relação ao auge. A varejista chinesa de moda rápida, sediada em Singapura, está sendo apresentada a investidores com uma avaliação que pode ficar abaixo de US$ 30 bilhões.

A imprensa internacional apurou, ainda, que o IPO pode ser lançado já na próxima semana. A operação, que vem sendo planejada há mais de quatro anos, ocorre em um momento de maior pressão sobre o modelo de negócios da Shein.

O crescimento mais lento da receita, as margens menores, os custos comerciais mais altos e a concorrência crescente colocam em xeque o ritmo de expansão que ajudou a transformar a companhia em uma das maiores varejistas de moda do mundo.

A empresa começou nesta semana a apresentar a oferta a potenciais investidores, segundo pessoas familiarizadas com o processo ouvidas pela Reuters. Ela pretende lançar a oferta em Hong Kong já na quarta-feira da próxima semana, 19, disseram duas fontes à Reuters.

Avaliação despenca desde o auge

A diferença em relação às avaliações anteriores é expressiva. A Shein chegou a ser avaliada em US$ 98,2 bilhões após uma rodada privada de captação em 2022. O valor caiu para US$ 64 bilhões em 2023 e permaneceu nesse patamar em abril de 2024.

Agora, assessores envolvidos na operação estão buscando investidores para uma avaliação inferior a US$ 30 bilhões, de acordo com informações publicadas pelo Financial Times. O valor representa uma queda de cerca de 70% em relação ao pico alcançado pela companhia.

Internamente, a Shein trabalhava com uma meta de avaliação de US$ 30 bilhões, conforme pessoas familiarizadas com os planos. Caso a oferta seja estruturada abaixo desse nível, a empresa poderá precisar consultar novamente seus investidores atuais antes de avançar com o IPO.

Ainda assim, há interesse por parte de investidores. Uma pessoa familiarizada com o processo afirmou que potenciais compradores demonstraram disposição para adquirir ações a uma avaliação na faixa de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões.

A Reuters, por sua vez, informou na semana passada que a Shein buscava uma avaliação entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões para a abertura de capital.

Pressão sobre margens aumenta

A redução do valor de mercado ocorre enquanto a companhia enfrenta uma combinação de obstáculos que afeta diretamente sua rentabilidade. A Shein registrou prejuízo líquido de quase US$ 100 milhões no primeiro trimestre de 2026.

O resultado foi influenciado pela retirada, nos Estados Unidos, da isenção de tarifas de importação para pequenos pacotes e por uma despesa de US$ 328 milhões relacionada ao valor justo de ações preferenciais conversíveis resgatáveis após uma mudança contábil.

A companhia também alertou, em documentos apresentados à Bolsa de Hong Kong, para os riscos provocados pelas tensões comerciais entre EUA e União Europeia.

O desempenho anual reforça a deterioração. O lucro líquido, que chegou a US$ 3,4 bilhões em 2024, recuou para US$ 2 bilhões no ano passado. No mesmo período, a margem líquida caiu de 8,7% para 4,9%.

Temu amplia disputa pelo consumidor

A Shein também passou a enfrentar uma concorrência mais forte da Temu, outra plataforma chinesa que adotou estratégia semelhante de vender produtos baratos diretamente de fabricantes para consumidores nos EUA e na Europa.

A popularidade da Shein disparou durante a pandemia, quando consumidores confinados em casa foram atraídos pela combinação de preços baixos e forte investimento em publicidade.

O cenário mudou desde então. Além da concorrência da Temu, a companhia passou a lidar com custos comerciais maiores e maior escrutínio regulatório sobre sua cadeia de fornecimento, incluindo acusações de más práticas trabalhistas.

IPO em Hong Kong após tentativas frustradas

A listagem em Hong Kong ganhou força depois que os reguladores chineses aprovaram, no mês passado, o pedido da Shein para abrir capital na cidade.

Antes disso, a companhia havia tentado avançar com uma listagem em Nova York e posteriormente em Londres. Os planos foram prejudicados pela resistência de políticos e pelo escrutínio sobre sua cadeia de produção na China.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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