Simulador gratuito mostra impacto da Reforma Tributária nas empresas
Ferramenta da Omie compara regimes tributários e projeta os efeitos da Reforma Tributária sobre empresas durante a transição até 2033

A Reforma Tributária vai mudar a forma como as empresas calculam seus impostos, mas não existe uma conta única para medir esse impacto. A carga pode aumentar ou diminuir de acordo com o regime tributário, a atividade, os custos, as despesas e os créditos de cada negócio. Para quem precisa se preparar para uma transição que vai até 2033, entender a regra geral é apenas o começo.
Para acompanhar empresas e contadores nessa jornada, a Omie, plataforma de gestão para PMEs, lançou um simulador gratuito de Reforma Tributária. A ferramenta permite comparar a tributação atual de uma empresa com estimativas para o novo modelo e acompanhar como o resultado pode mudar ao longo das diferentes etapas da reforma.
“Ler a lei mostra como o sistema funciona, mas não mostra o que acontece com os tributos na operação de cada empresa em 2027, 2029 ou 2033. Simular permite enxergar esse impacto na prática”, diz Felipe Beraldi, gerente de Estudos e de Indicadores Econômicos na Omie.
O que muda na prática
A diferença entre uma empresa e outra está justamente nas características da operação. O novo modelo amplia a possibilidade de aproveitamento de créditos, mas o resultado depende da composição de custos e despesas e da própria cadeia de fornecedores. “O maior impacto não está simplesmente na troca dos nomes dos tributos, mas na forma como a empresa forma preço e margem”, explica Beraldi.
Ele destaca as quatro frentes principais. “A cobrança, porque uma mesma alíquota pode ter efeitos diferentes conforme o setor; a precificação, porque o tributo passa a ser calculado por fora; o crédito, que será mais amplo, mas depende de o fornecedor ter recolhido o imposto; e a operação, porque teremos sete anos de convivência entre dois sistemas, além dos efeitos do split payment (separação do imposto no pagamento) sobre o caixa”, afirma Beraldi.
“O mais importante é que a empresa consiga enxergar o caminho, e não apenas o ponto de chegada”
Na prática, empresas com estruturas muito diferentes podem chegar a resultados opostos. Negócios intensivos em mão de obra, por exemplo, tendem a ter menos créditos, já que a folha de pagamento não gera crédito tributário. Já empresas com despesas e insumos que passam a gerar créditos podem ter outro resultado.
O regime tributário atual também pesa nessa conta. Uma empresa no Lucro Presumido, por exemplo, pode partir de uma estrutura diferente daquela de um negócio no Simples Nacional ou no Lucro Real. Empresas que hoje dependem de incentivos de ICMS também precisarão considerar o fim gradual desses benefícios.
O que o simulador coloca na conta
É justamente essa combinação de variáveis que a ferramenta procura traduzir em números. O usuário informa dados como regime tributário, faturamento, atividade econômica, custos e despesas. A partir dessas informações, pode comparar a situação atual com cenários do novo modelo.
“O simulador nasceu de uma necessidade identificada ouvindo empreendedores e contadores. Eles entendiam a lógica da Reforma, mas tinham dificuldade de enxergar como a carga poderia mudar em cada operação e em cada ano da transição. A ideia foi justamente sair do ‘vai aumentar ou diminuir?’ para perguntas mais concretas: ‘quanto?’, ‘em que ano?’ e ‘em qual operação?’”, diz Beraldi.
A ferramenta permite ainda ajustar características do negócio, como alíquota de ICMS, incentivos e estrutura de custos. O objetivo é que a estimativa fique mais próxima das condições informadas pelo usuário, embora o resultado continue sendo uma referência para análise, e não uma apuração tributária definitiva.
“A gente calcula primeiro o cenário atual e depois aplica a lógica do novo modelo, considerando o débito sobre as vendas e os créditos sobre as compras. A partir daí, aplicamos a transição ano a ano até 2033. O mais importante é que a empresa consiga enxergar o caminho, e não apenas o ponto de chegada”, afirma o executivo.
O impacto vai além do imposto
A leitura do resultado pode levar a outras questões dentro da empresa. Preço, margem, fornecedores e fluxo de caixa estão entre os pontos que podem ser revistos a partir da simulação.
“O primeiro ponto é o regime tributário. É preciso rever Simples, Lucro Presumido e Lucro Real com os novos números. Depois vem preço e margem por produto ou serviço. Também é importante olhar para os fornecedores, porque o fornecedor mais barato hoje pode não ser o mais barato quando consideramos o crédito que ele gera. No B2B, o crédito que a empresa transfere ao cliente também passa a ser um argumento comercial”, explica Beraldi.
O efeito sobre o caixa é outro aspecto da transição. Com o split payment, parte do imposto poderá ser separada no momento do pagamento, alterando a dinâmica financeira da empresa.
Para negócios que hoje utilizam incentivos de ICMS, a própria estrutura da operação pode entrar na discussão. Segundo Beraldi, a redução gradual desses benefícios a partir de 2029 pode levar empresas a reavaliar decisões relacionadas à localização e à estrutura de suas operações.
Simulador não substitui o contador
O simulador pode ser usado por empreendedores, contadores e gestores financeiros e compara cenários nos regimes do Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real com o modelo regular previsto na Reforma Tributária.
A recomendação, porém, é que o resultado seja levado para a análise de um profissional que conheça a operação da empresa. “O simulador mostra o tamanho do impacto, mas é o contador quem conhece a fundo a operação, o histórico e as particularidades de cada empresa, e quem ajuda a transformar números em decisões seguras”, diz Beraldi. “Leve o resultado da sua simulação para essa conversa. Quanto antes, melhor.”

