‘Sinais’ e ‘evidências’: O detalhe no comunicado do Copom que chamou a atenção do Goldman Sachs
Uma mudança aparentemente pequena na comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) chamou a atenção do Goldman Sachs após o Banco Central cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (16). Para o banco americano, a troca de “sinais” por “evidências” ao tratar da desaceleração da atividade econômica indica que […]

Uma mudança aparentemente pequena na comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) chamou a atenção do Goldman Sachs após o Banco Central cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (16).
Para o banco americano, a troca de “sinais” por “evidências” ao tratar da desaceleração da atividade econômica indica que o Copom está mais convencido de que a economia brasileira está, de fato, perdendo força.
“O Copom agora vê evidências de uma desaceleração gradual da atividade econômica, em vez de sinais na reunião anterior, particularmente entre os setores cíclicos”, destaca o Goldman Sachs em relatório.
Apesar da mudança, o banco ressalta que o diagnóstico do BC ainda está longe de apontar para uma fraqueza acentuada da economia. O Copom continua avaliando a atividade em um “patamar resiliente”, enquanto o mercado de trabalho permanece “aquecido”.
Na avaliação do Goldman, a caracterização da dinâmica de curto prazo de crescimento e inflação ficou mais branda do que na reunião anterior, embora ainda seja conservadora.
A leitura ocorre depois de o Copom reduzir a Selic pela quinta reunião consecutiva, levando a taxa de 14% para 13,75%. A decisão foi unânime e ficou em linha com a expectativa do Goldman Sachs e com o consenso do mercado.
E novembro?
Mesmo com a percepção mais clara de desaceleração da economia, o Goldman Sachs não interpreta o comunicado como uma sinalização direta de novos cortes.
O banco destaca que o Copom não ofereceu um forward guidance explícito e voltou a defender “serenidade e cautela” na condução da política monetária.
Para o Goldman, a reunião de novembro permanece “em aberto” para um novo corte da Selic, mas o espaço para uma flexibilização monetária mais significativa no curto prazo parece limitado.
A cautela está ligada principalmente às projeções de inflação. No cenário do Copom, o IPCA é estimado em 3,9% no quarto trimestre de 2027, ante 3,8% na reunião de agosto, e em 3,2% no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária.
“Vemos espaço limitado no curto prazo para uma flexibilização adicional significativa, dadas as projeções condicionais de inflação acima da meta ao longo de todo o horizonte relevante”, afirma o Goldman.
O banco deve reavaliar sua trajetória esperada para a Selicapós a divulgação da ata do Copom na próxima semana.
