Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
BrasilInfraestruturaCMDT
21/09/2026
4 min

Sinergia e agro: os planos do Grupo Way para os próximos leilões de rodovias

Grupo administra mais de 2 mil Km de rodovias e avalia novos leilões, com prioridade para corredores ligados ao escoamento de grãos

Sinergia e agro: os planos do Grupo Way para os próximos leilões de rodovias

Após arrematar dois lotes em menos de 24 horas no final de 2025, o Grupo Way Brasil mantém apetite por novas concessões rodoviárias, mas pretende priorizar projetos relacionados aos ativos que já estão sob sua administração. Segundo Paulo Nunes Lopes, CEO da companhia, a palavra de ordem é sinergia. "O apetite é grande, mas nosso foco não é simplesmente aumentar volume de negócios, mas de bons negócios", disse ao EXAME Infra.

O Grupo Way passou a administrar mais de 2.000 quilômetros depois dos leilões vencidos no ano passado. A companhia prevê R$ 8,5 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos, R$ 1,35 bilhão apenas em 2026.

Segundo Lopes, o grupo acompanha o mercado primário e já estuda algumas das próximas concessões. A avaliação, porém, não é igual para todos os projetos. “Avaliamos todos, mas, geograficamente, temos interesse em alguns mais próximos das nossas operações”, afirmou.

A proximidade também está relacionada ao perfil e ao intuito das rodovias. “Nosso foco é o agronegócio, não as grandes metrópoles. Estamos voltados para o escoamento de grãos”, disse.

A companhia reúne, atualmente, cinco concessões rodoviárias: Way-306 e Way-112, no Mato Grosso do Sul; Way-262, em Minas Gerais; Way-153, entre Goiás e Minas Gerais; e Way-364, entre Mato Grosso e Goiás.

Entre os quatro próximos leilões previstos para o ano de 2026, pelo menos três relacionam-se com as concessões do Grupo Way Brasil.

Segundo o Ministério dos Transportes, em meados de novembro deve ser leiloado o projeto de Otimização da Rota Arco Norte, na BR-163 entre Mato Grosso e Pará. Depois, em dezembro, é a vez da Otimização Rota do Pequi, nas BR-060 e BR-153, entre Goiás e Distrito Federal, e da Rota Agro Central, nas BR-070, BR-174 e BR-364, entre Mato Grosso e Rondônia.

No caso da otimização da Rota Arco Norte, na BR-163, o processo trata da transferência de controle da concessionária responsável pelo trecho, e não de uma nova concessão tradicional. Esta rodovia é um corredor de escoamento da produção do Centro-Oeste para os portos do Arco Norte.

A estratégia da Way baseia-se em ampliar a presença no setor sem comprometer o desempenho dos negócios já existentes. “Não queremos contaminar nossos negócios por aventuras ou só para ganhar concorrências”, afirmou.

Em paralelo, o grupo acompanha o mercado secundário, mas Lopes avalia que esse segmento está menos aquecido em razão do cenário de juros altos. “Temos olhado sim os novos negócios. No mercado secundário, o problema é que voltamos ao tema da taxa de juros”, disse. Para ele, uma redução dos juros poderia aumentar a atratividade desse mercado.

Falta de mão de obra vira desafio para execução

O crescimento das concessões também aumenta a pressão sobre a execução dos investimentos. Segundo o executivo, a Way trabalha com uma janela limitada para a realização das obras, entre os meses menos chuvosos, de abril a novembro, e enfrenta um mercado aquecido que gera desafios.

Segundo Lopes, a infraestrutura das concessões é executada por empresas terceirizadas, enquanto a operação das rodovias, como atendimento médico, atendimento mecânico e apoio ao usuário, é feita pela própria companhia. Com o aumento da demanda por obras, a contratação de prestadores passou a ser um dos principais desafios para o grupo.

“Hoje está muito difícil contratar empresas. O mercado está muito aquecido, principalmente o nosso ramo”, afirmou. Segundo o executivo, a dificuldade envolve tanto a disponibilidade de mão de obra quanto a contratação de empresas qualificadas para executar os serviços.

O desafio tende a acompanhar o ciclo de investimentos das concessões mais recentes. De acordo com Lopes, enquanto as duas concessões mais antigas do grupo, no Mato Grosso do Sul, já estão em uma fase mais avançada de execução, as três concessões federais assumidas a partir de 2025 concentram um volume maior de investimentos. O pico, segundo ele, deve ocorrer até 2032.

AutorAndré Martins
FonteExame
Distribuído por