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Sacre Investimentos
EmpresasACS
22/10/2026
5 min

Sinistralidade sobe, mas lucro fala mais alto: por que o balanço da Bradsaúde (SAUD3) agradou o mercado

Apesar da alta da sinistralidade, companhia entrega resultado acima do esperado, impulsionada pela Atlântica e pela queda das despesas operacionais; analistas já veem espaço para revisões positivas nos lucros da BradSaúde

Sinistralidade sobe, mas lucro fala mais alto: por que o balanço da Bradsaúde (SAUD3) agradou o mercado

A Bradsaúde (SAUD3) mostrou ao mercado que o crescimento da operação não precisa vir acompanhado de uma deterioração dos indicadores. No terceiro trimestre, a companhia entregou um resultado acima das expectativas dos analistas, mesmo com piora da sinistraliade em 0,5 ponto percental.

A operadora de saúde ligada ao Bradesco conseguiu compensar essa alta com outras cartas na manga, entre elas menores despesas operacionais e melhores resultados em suas investidas.

Na bolsa, por volta das 12h50, a ação subia 5,19%, a R$ 16,22.

Veja os principais destaques abaixo:

Indicador Resultado
Adições líquidas de vidas 117 mil novas vidas em Saúde e Dental no 3T26
Base de beneficiários 13,7 milhões de beneficiários
Lucro líquido do 3T26 R$ 1,1 bilhão, alta de 14,4%
Lucro líquido em 12 meses R$ 4,3 bilhões
Ativos financeiros R$ 30,8 bilhões
ROAE anualizado 25,4%

Um dos principais destaques foi a Atlântica Hospitais e Participações, braço hospitalar do grupo que começa a colher os frutos dos investimentos realizados nos últimos anos.

O lucro líquido da operação acumulado em 12 meses saltou para R$ 139 milhões, ante apenas R$ 4 milhões no mesmo período do ano anterior.

Para a administração, o desempenho é uma evidência de que os ativos mais maduros estão ganhando escala e eficiência, enquanto os empreendimentos mais recentes começam a contribuir de forma relevante para os resultados.

Não por acaso, a companhia voltou a classificar a Atlântica como uma das principais avenidas de crescimento para os próximos anos. A estratégia também passa pelos negócios de oncologia e pela Novamed, plataforma voltada para atenção primária e secundária.

Crescer sem perder o controle

Apesar de a sinistralidade ter avançado para 80,5%, ante 80% um ano antes, o mercado interpretou o indicador de forma positiva.

O motivo é que o desempenho veio melhor do que o esperado por analistas, especialmente em um momento em que a companhia acelera o crescimento da base de beneficiários.

Segundo o CEO, Carlos Marinelli, o foco segue sendo ampliar presença no segmento de pequenas e médias empresas sem abrir mão da disciplina na subscrição dos contratos.

A estratégia envolve o lançamento de novos produtos e uma gestão mais cuidadosa dos riscos assumidos pela operadora.

"Fizemos uma série de lançamentos que nos permitiram combinar disciplina de crescimento com aquilo que temos chamado de relativa estabilidade da sinistralidade ao longo de 2026", afirmou o executivo durante a teleconferência de resultados.

A companhia também destacou que a sinistralidade acumulada em nove meses avançou apenas 0,2 ponto percentual, mesmo com o crescimento da carteira de beneficiários de cerca de 3,7 milhões para mais de 4,1 milhões de vidas na Bradesco Saúde.

Para reforçar esse processo, a empresa anunciou recentemente a criação de uma área dedicada exclusivamente à performance assistencial da rede credenciada.

Liderada por um médico, a estrutura terá a missão de trabalhar diretamente com hospitais e prestadores para melhorar a qualidade do atendimento e a eficiência dos tratamentos.

"A sinistralidade precisa ter um primeiro interessado, que é o beneficiário", destacou a administração.

Dividendos sem abrir mão dos investimentos

Outro tema que chamou a atenção dos investidores foi a remuneração aos acionistas.

A companhia anunciou R$ 1 bilhão em dividendos, reforçando a percepção de que pode se tornar uma distribuidora mais consistente de proventos.

A mensagem da administração, porém, foi clara: os dividendos não virão às custas do crescimento.

Segundo o diretor financeiro, Vinicius Cruz, a empresa busca equilibrar diversos objetivos ao mesmo tempo, entre eles a solvência das operações reguladas, a execução do plano de investimentos e a geração de retorno aos acionistas.

A prioridade continua sendo o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP), que já somam cerca de R$ 500 milhões anunciados ao longo do ano. Depois disso, a companhia avalia espaço para dividendos adicionais, sempre observando as necessidades de capital dos negócios.

A política segue prevendo a distribuição mínima de 50% do lucro anual.

Mercado vê espaço para revisões positivas

O resultado agradou os analistas.

Os bancos BTG Pactual, Itaú BBA e Safra destacaram que a sinistralidade veio melhor do que o esperado, enquanto a redução das despesas operacionais ajudou a sustentar a rentabilidade.

Para o BTG Pactual, os números podem levar a revisões positivas das estimativas de lucro, especialmente porque a estabilidade dos indicadores operacionais compensou preocupações relacionadas a um eventual ciclo de queda da Selic.

Já o Itaú BBA avalia que a combinação de um quarto trimestre sazonalmente mais forte e comparações mais favoráveis pode abrir espaço para resultados ainda melhores nos próximos trimestres.

Segundo o banco, o lucro líquido acumulado nos primeiros nove meses de 2026 já alcançou R$ 3,5 bilhões, enquanto o consenso de mercado aponta para R$ 4,5 bilhões no fechamento do ano.

“O quarto trimestre costuma ser o melhor período para as operadoras de saúde. Isso, aliado a comparações mais fáceis, pode contribuir para resultados ainda mais fortes e revisões para cima das estimativas”, disseram os analistas.

O BTG, contudo, ressalta que um cenário de juros mais baixos pode pressionar parte dos lucros futuros, dada a relevante posição de caixa da companhia.

“Mas acreditamos que o desempenho operacional melhor do que o esperado oferece proteção contra possíveis revisões negativas.”

AutorRenan Dantas
FonteSeu Dinheiro
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